Bastam pouco mais de 15 minutos de chuva para que os moradores das passagens Elvira, Virgínia e Dionísio, entre outras, às proximidades da avenida João Paulo II, no bairro do Curió-Utinga, fiquem em apuros, temendo pela segurança de suas casas. Esses locais simplesmente submergem com a força das águas e a falta de escoamento, que prejudica casas e comércios, sem contar os transtornos para motoristas que passam pela avenida, uma das mais movimentadas da capital. Tudo isso poderia ser evitado se a Prefeitura de Belém desse início às obras de saneamento no bairro, ainda em fase de licitação.
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Em dezembro do ano passado, a comunidade, revoltada com o abandono, fechou a avenida João Paulo II, com pneus e pedaços de madeira, devido à situação. Em resposta, o prefeito Zenaldo Coutinho disse que iniciaria o processo de licitação no dia 3 de janeiro e que o dinheiro para as obras já estavam em caixa. Fato não muito bem recebido pela comunidade. “Em abril de 2018 o Jatene (ex-governador Simão Jatene) anunciou obra no canal do Marte, mas nada fez. Agora o prefeito prometeu obra, mas se a gente não pressionar, também não sai. Já estamos em fevereiro e nenhum sinal de máquinas”, rebate André Pinheiro, morador da área e administrador de uma página que divulga os problemas do bairro e conta com mais de 40 mil seguidores.

Segundo ele, o problema na região da João Paulo é a falta de vazão para a água que desce até o local. “Se chover, depois de duas ou três horas está seco. Falta alargar os canais, botar galerias, isso que nós precisamos, não somente fazer limpeza. O problema não é apenas limpar, mas sim abrir as vias para que a água possa fazer seu curso natural”, acredita. Em algumas passagens, como a Elvira, por exemplo, casas e comércios tiveram que subir o piso em mais de um metro de altura para evitar que o drama se repetisse.
A comerciante Marinete Macedo é uma das que sente isso na pele. Na casa onde mora funciona um pequeno mercadinho, que está a cerca de 1,5 de altura do chão. Segundo ela, não há mais para onde levantar o piso das casas. “A minha casa, a dos vizinhos, todos nós aqui tivemos que subir muito, e mesmo assim a água invade tudo. Quando chove muito eu levo os móveis, caso contrário posso perder tudo”. Em frente à casa da comerciante, um bueiro com água corrente vaza há cerca de um ano, segundo os moradores, sem que ninguém tome alguma providência.
Já na passagem Dionísio, os moradores levantam muretas na porta de casa. “Aqui muitos não subiram o nível, mas colocaram paredes na frente. Daqui a pouco vou ter que colocar uma escada pra poder passar pelo portão”, diz a comerciante Neiresete Matos. A dona da pequena venda diz que paga seu IPTU, mas não sente o retorno do imposto em forma de serviços. “E só vir aqui e olhar. Não tem serviço algum. O carnê desse ano está para chegar. Nunca falha, mas a contrapartida da prefeitura simplesmente não existe”, encerra.

Esclarecimentos
A Secretaria de Saneamento (Sesan) informa que aguarda resultado de processo licitatório para obras de saneamento no bairro do Curió-Utinga, que visa minimizar os transtornos. Ainda segundo a Sesan, ações de saneamento são realizadas regularmente nas áreas próximas de canais, como é o caso da passagem Elvira que, diz a nota, recebeu serviço emergencial em dezembro passado. A Sesan esclarece que as ações de limpeza foram intensificadas por conta do período chuvoso e o número de agentes de limpeza manual dobrou de 100 para 200.
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