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ECONOMIA

Taxa de endividamento no Pará foi maior e a de inadimplentes menor

O bancário Ramon Gomes, 68 anos, alcançou sua aposentadoria há 3 anos no banco onde trabalhou por quase 40 anos. Mas, o que ele pensou que seria uma época de descanso, se transformou em uma situação que acomete muitos brasileiros: as dívidas.Gomes afirma

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Imagem ilustrativa da notícia Taxa de endividamento no Pará foi maior e a de inadimplentes menor camera Pesquisa feita com 500 famílias mostra que em janeiro deste ano a taxa de endividados no Estado era superior em 10,07% a do mesmo mês de 2019. | Reprodução

O bancário Ramon Gomes, 68 anos, alcançou sua aposentadoria há 3 anos no banco onde trabalhou por quase 40 anos. Mas, o que ele pensou que seria uma época de descanso, se transformou em uma situação que acomete muitos brasileiros: as dívidas.

Gomes afirma comprometer quase 80% de sua aposentadoria de cerca de R$ 6 mil com pagamento de dívidas de cartões de crédito e de redes de lojas. “Quando eu trabalhava ganhava mais, tinha comissão. Ao me aposentar, isso acabou e o dinheiro ficou mais curto. Não tinha reserva, não consegui me planejar e as dívidas foram se acumulando”, diz.

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Fecomércio/CNC, feita no Pará, mostra que em janeiro deste ano a taxa de endividados no Estado era de 62,67%, superior em 10,07% a taxa do mesmo mês de 2019, que era de 52,6%. A pesquisa foi feita por amostragem, com 500 famílias, com intervalo de confiança de 95%.

O estudo mostra que o percentual de endividados com contas em atraso (inadimplentes) é de 23,5% no início deste ano, inferior (3,9%) à taxa de inadimplência de janeiro de 2019, que era de 27,4%. Entre os inadimplentes, o percentual dos que informaram não ter condições de colocar as dívidas em dia no próximo mês chegou a 14,9%.

A saída para o bancário foi voltar a trabalhar. “Hoje atuo num escritório de contabilidade e minha esposa, que estava aposentada, teve que fazer um extra também, atuando com fornecimento de marmitas. Espero que este ano possa sair desse círculo interminável de dívidas”, diz.

Lucia Cristina de Andrade Lisboa, assessora econômica da Federação do Comércio do Estado do Pará (Fecomércio-PA), diz que no Pará, na comparação anual, o endividamento foi maior em 2019 (63,2%) do que em 2018 (54,1%) e a inadimplência (23,70%) menor (2018 foi 27,7%).

O endividamento havia decrescido desde o segundo semestre de 2016, em decorrência da crise. “Os consumidores retraíram compras parceladas e isso se refletiu na taxa de endividamento, a última taxa mais alta havia sido em junho de 2016, quando foi registrado o nível de endividamento de 68,3%”.

Em 2019, as taxas de endividamento evoluíram. Iniciaram com 52,6% em janeiro, com uma taxa final de 63,2% em dezembro. No ano passado, mesmo com a lenta recuperação da economia do país, algumas medidas de política econômica motivaram e incentivaram as compras.

CONSUMO

“Tivemos a liberação dos recursos extras do FGTS, a redução da taxa de juros Selic, a manutenção da inflação dentro dos parâmetros da meta etc. Os consumidores passaram a contrair mais dívidas decorrentes do aumento das compras, só que de forma parcelada”, detalha a economista. Por essa razão, o aumento do endividamento ocorreu em função da expansão da demanda, sejam compras parceladas, empréstimos, pelo crédito e medidas pontuais de incentivo ao consumo.

“Nesse momento, o fato do endividamento ter sido maior em 2019 do que em 2018, não é negativo para a economia, já que não houve aumento da inadimplência e nem da parcela da renda comprometida com dívidas”, explica.

Lúcia diz que é importante acompanhar o comprometimento da renda com dívidas e a inadimplência. “É necessário monitorar a capacidade de pagamento para não engessar a economia e pelo lado do consumidor não incorrer em situação de incapacidade de realizar novas compras”.

Everson Costa, técnico e pesquisador do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese-PA), ressalta que o principal item que leva as pessoas a perder o controle das contas é o cartão de crédito, vindo em seguida empréstimos, financiamentos, dívidas com carro e com habitação.

“Mas, acima disso, pesa ainda mais a situação conjuntural do país. Ainda temos mais de 12 milhões de desempregados no Brasil e muitas dessas pessoas na informalidade”. Aliado a isso a falta de uma educação financeira pesa bastante. “Nossa natureza é consumista, é de ter as coisas”, diz. “Por isso a educação financeira é primordial”, diz.

COMO EVITAR AS DÍVIDAS

O contador Joelbson Néris atua no mercado financeiro há 20 anos e é especialista em finanças pessoais. A pedido do DIÁRIO ele elaborou algumas dicas para ajudar a tornar a vida financeira das famílias mais saudável . Confira:

- Faça um orçamento e respeite-o

Quando se fala em gastos, é necessário ter parâmetros. O orçamento trará esse limite. Mas é necessário respeitá-lo. Muitos não saem das dívidas por extrapolarem o valor do seu orçamento.

- Gaste menos do que ganha

Controle as receitas e despesas. Se não há condições de comprar algo, não compre. Se o valor vai comprometer o orçamento, então é porque você está gastando mais do que ganha.

- Faça uma reserva financeira

Pense em uma despesa que está totalmente fora do seu controle, por exemplo, um acidente. E você precisa desembolsar para ajudar ou resolver esse problema. Sem reserva financeira, você terá que recorrer a empréstimos, cartão de crédito e isso vai aumentar seu endividamento. Por outro lado, se você tiver uma reserva financeira não entrará em dívidas.

- Só compre algo se realmente for necessário

Avalie suas compras, os seus gastos. Antes de comprar questione se esse gasto é realmente necessário, se você vai utilizar muito o que deseja comprar, se há algum produto similar mais barato que lhe dê o mesmo resultado. Isso fará você ter mais controle na hora das compras.

- Planeje suas compras

Quer comprar algo mas ainda não tem dinheiro suficiente? Evite “comprar para depois pagar”. Busque guardar um valor mensalmente e assim que completar o montante, você tem a possibilidade de conseguir um bom desconto por pagar à vista.

- Evite uso de cartão de crédito e cheque especial

Esses são os grandes vilões das famílias e das dívidas. Uma vez que se entra nessa ciranda de cartão e cheque especial é muito difícil sair. Cuide de suas finanças para que nunca precise depender deles. Assim, evitará a temida bola de neve.

- Invista em educação financeira

Aprender sempre é bom e necessário. Invista em sua educação. Aprenda sempre mais sobre finanças, como controlar e em seguida como investir. Faça seu dinheiro trabalhar para você e tenha liberdade de escolhas.

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