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OPERAÇÃO

Aumento nas apreensões de drogas já chega a 20% no Pará

Em todo o ano de 2019, a Polícia Civil do Pará apreendeu 1,8 tonelada de entorpecentes no território paraense. Neste ano, em menos de dois meses, a quantidade de drogas apreendidas já chegava, até a última quinta-feira (20), a 2,3 toneladas, o que ultrapa

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Imagem ilustrativa da notícia Aumento nas apreensões de drogas já chega a 20% no Pará camera Reprodução

Em todo o ano de 2019, a Polícia Civil do Pará apreendeu 1,8 tonelada de entorpecentes no território paraense. Neste ano, em menos de dois meses, a quantidade de drogas apreendidas já chegava, até a última quinta-feira (20), a 2,3 toneladas, o que ultrapassa em mais de 20% o volume interceptado pela polícia em todo o ano passado.

A maior apreensão de drogas já registrada no Pará ocorreu nos últimos dias 16 e 17, quando a Polícia Civil descobriu, durante a operação “Narcos II”, 2 toneladas de cocaína numa chácara a 20 quilômetros do distrito de Mosqueiro em menos de 48 horas.

Dois dias depois, mais 300 quilos da droga foram encontrados no mesmo local. O valor total da droga apreendida chega a R$ 60 milhões no Brasil e 4 vezes mais no exterior, alcançando a cifra de R$ 240 milhões. “Ainda estamos pensando em fazer uma terceira incursão nesse mesmo local para fazer nova varredura com mais pessoal e mais equipamentos para uma busca ainda mais detalhada”, antecipa o delegado-geral de Polícia Civil, Alberto Teixeira.

Nesse total não foram contabilizados os 921 quilos de maconha apreendidos pela Polícia Militar (PM) no último dia 9 na rodovia BR-316, dentro de uma carreta com placa do Estado de Goiás. Toda a droga apreendida seria comercializada no período do Carnaval. Foi uma vitória importante da inteligência da polícia paraense contra o esquema de tráfico internacional, que inclui o Pará como rota não apenas de drogas, mas de armas, através de portos, aeroportos e estradas.

Logo ao assumir, Alberto Teixeira criou 3 forças-tarefa no âmbito da Polícia Civil para combater as milícias, as facções e o tráfico de drogas no Estado. Segundo ele, a apreensão provocará um duro golpe nas quadrilhas e organizações que traficam drogas e que aumentam as estatísticas de outros crimes correlatos, como assaltos a bancos; homicídios dos que compram drogas e não pagam; dos que brigam por espaço dentro das organizações criminosas; do furto para uso ou venda, etc.

RIOS

O delegado afirma que provavelmente a droga apreendida chegou pelos rios da região e seria comercializada na Colômbia e distribuída em vários estados brasileiros. Com o avanço da operação a investigação mudou de rumo, já que possivelmente a droga que estava sendo trazida para o Estado teria relação com o tráfico internacional.

“A partir daí começamos a investigar vários locais e pessoas e até chegarmos no local exato onde a cocaína estava escondida. A qualidade dessa droga é típica para exportação, que não se encontra geralmente aqui, mas sim no exterior”, diz o delegado. Junto com a droga foi apreendido um carro, um barco e alguns celulares.

Teixeira reafirma que nunca a polícia do Pará apreendeu uma quantidade tão grande de cocaína como ocorreu essa semana. “É a maior apreensão de substância entorpecente no Estado. Teremos 30 dias para concluir o inquérito. A nossa missão agora é identificar outros envolvidos neste caso de tráfico e para onde a droga seria encaminhada. Sem dúvidas, isso vai diminuir sobremaneira a criminalidade porque o tráfico agrega uma série de outros crimes”.

Aiala Colares Couto, geógrafo e pesquisador sobre violência urbana da Universidade do Estado do Pará (Uepa) avalia que o aumento das apreensões de entorpecentes revela principalmente um dado importante e que serve de alerta: Belém continua como rota do tráfico de drogas, tanto para o mercado nacional, como para o europeu.

“Essas grandes apreensões são válidas porque provocam um baque sério nos cartéis que controlam o tráfico. A oferta de droga diminui no mercado e o baque financeiro é substancial, que o que foi apreendido não chega ao seu destino final. Isso enfraquece o poder das facções criminosas que atuam no Brasil”, diz.

Colares destaca o trabalho de inteligência e de investigação desenvolvido pela Polícia Civil, mas ressalta que o trabalho deve ser ainda maior para evitar que o Estado se torne uma rota do tráfico cada vez mais consolidada.

“As ações devem ser ainda maiores e mais abrangentes para inibir por completo essa atuação dos cartéis aqui no Pará, sobretudo na nossa capital. É intervenção policial de um lado e políticas públicas pelo outro que, complementadas, acabam fragilizando a ação do crime no Estado”. A droga apreendida foi incinerada na última quinta-feira.

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