Foi no cenário de abandono e que deu origem ao Bloco Alagados da Apinagés, que os moradores da travessa Apinagés, entre as ruas dos Tembés e Lauro Malcher, no bairro da Condor, em Belém, se reuniram na terça-feira de Carnaval pelo sexto ano consecutivo. O objetivo é criticar o descaso da Prefeitura Municipal de Belém (PMB) e chamar a atenção para um dos maiores problemas na capital: o alagamento.
“É uma maneira de cobrar do prefeito (Zenaldo Coutinho) um trabalho que funciona. Todos que moram aqui pagam seus impostos, mas o que a gente percebe é que esse problema só piora”, diz Socorro Cravo, de 60 anos, moradora e organizadora do bloco. “Já fizemos protestos e até agora nenhuma solução. A prefeitura disse outro dia, na imprensa, que em março vai começar a ajeitar nossa rua. Eu, sinceramente não acredito. No primeiro ano do bloco disseram a mesma coisa. Já são 6 anos e nada mudou”, acrescenta.
Para organizar o bloco, os moradores fazem bingos, rifa e coletas ao longo do ano. Ontem, teve abadá e equipamentos de som de alta potência. Não faltou alegria, fantasia, mas também teve muita reclamação. “Além de ser carnaval, é uma forma de reivindicar a melhoria da situação que a gente vive. Moro aqui há 10 anos e nada mudou. A gente precisa fazer coleta e mandar limpar as valas e os bueiros, senão estava bem pior”, conta Luciano Santa Rosa, aposentado.

AGUACEIRO
Ele conta que já teve vários prejuízos por causa do aguaceiro que invade a casa dele. “O sistema elétrico de toda minha casa, que era enterrado, queimou porque alaga tudo. Só quem mora nessa rua sabe o sofrimento”, reforça.
Os moradores se reuniram logo após a chuva que caiu durante poucos minutos na tarde de ontem, mas a quantidade foi suficiente para deixá-los no alagamento. Segundo a comunidade, em alguns trechos se improvisou uma calçada de madeira acima do nível da rua para tentar impedir que a água continue invadindo algumas residências no momento em que os veículos passam por ali.
“Qualquer chuvinha deixa a nossa rua sem condições nenhuma de passar. Por mais que a gente limpe, não adianta. Quando a chuva é mais forte, é uma situação bem pior. Essa água só baixa no outro dia”, comenta Jhonny Amorim,
de 34 anos, pintor.
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