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Quanto custa criar um filho em Belém?

A chegada de um novo membro na família costuma ser motivo de grande comemoração e de transformações tanto na organização da rotina, quanto no orçamento familiar. Dependendo do padrão de vida adotado e da região em que a família está inserida, os custos pa

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Imagem ilustrativa da notícia Quanto custa criar um filho em Belém? camera Irene Almeida

A chegada de um novo membro na família costuma ser motivo de grande comemoração e de transformações tanto na organização da rotina, quanto no orçamento familiar. Dependendo do padrão de vida adotado e da região em que a família está inserida, os custos para se criar um filho em Belém, desde o nascimento até os 23 anos de idade, podem variar de R$150 mil a até R$1,3 milhão.

A estimativa é apontada pela calculadora financeira intitulada ‘A História do Seu Filho’, criada pela plataforma de finanças pessoais IQ com o objetivo de contribuir com o planejamento financeiro de homens e mulheres que desejam se tornar pais e mães. A partir de informações como o sexo, a idade e o CEP da residência da criança, a calculadora simula o investimento total necessário para a sua criação até os 23 anos. Segundo a plataforma, o CEP é utilizado como referência para “estimar o investimento médio da sua vizinhança na criação de um filho”.

Diante da variedade de aspectos que envolvem a criação de um filho, para a pesquisadora e produtora cultural Heldilene Reale, 36 anos, e para o esposo, o fotógrafo Natan Garcia, 45, a saída é equilibrar os gastos priorizando o que é mais benéfico para o desenvolvimento das crianças a partir do estilo de vida adotado pela família.

Natan, Helena e Heldilene.
📷 Natan, Helena e Heldilene. |Irene Almeida/Diário do Pará

Heldilene considera que, quando se pensa no investimento com o ensino de uma criança, por exemplo, não se trata apenas do custo com a escola em si, mas com outra série de fatores relacionados. “O Heitor é fruto de um primeiro relacionamento e o pai dele arca com os cursos, com a educação. Mas não é apenas a mensalidade da escola. Tem também a própria alimentação que ele precisa levar, um lanche, o material”, explica Heldilene. “Já a Helena está na fase da introdução alimentar, então é preciso ir balanceado tudo isso”.

Essa variação nas necessidades e prioridades das crianças de acordo com a faixa etária é destacada por Natan. Porém, de uma maneira geral, além do ensino e da alimentação, ele destaca que outro ponto prioritário no orçamento está relacionado à saúde das crianças. “O plano de saúde é uma coisa que a gente não pode deixar de ter”.

O casal destaca a importância do diálogo desde muito cedo com os pequenos. “O Heitor é uma criança tranquila”, conta Natan. “Quando a gente vai a uma loja e ele vê um boneco mais caro, que está fora do orçamento, a gente costuma conversar e explicar para ele que o que é possível é um outro boneco e ele entende”.

Heldilene conta que Heitor já consegue ter consciência de que nem tudo o que é demonstrado nas propagandas, é realmente necessário. “Quando ele começou a assistir mais televisão, tivemos que conversar com ele para que entendesse a realidade da propaganda e, quando ele vê alguma coisa e quer, já tem mais consciência, pergunta se é muito caro”, conta. “Gostamos muito de viajar e também fazemos muitas atividades de recreação com eles, como ir ao cinema, ao parque, então tudo isso é explicado. Priorizamos esse equilíbrio”.

PRIORIDADES

As viagens também são quesitos importantes para a servidora pública Carol Marques Medrado Damasceno, 37, e para o filho Artur Vidal Medrado Damasceno, de 8. Por isso mesmo, o diálogo acerca das prioridades orçamentárias da família também faz parte da rotina dos dois.

“O Artur é uma criança que gosta muito de viajar. Então, para isso, sempre conversamos sobre as despesas que temos em casa, onde temos que economizar para poder viajar e, assim, ele mesmo nos ajuda a economizar”, conta Carol. “Ele adora ir conosco ao supermercado, verifica os preços dos produtos e já sabe escolher o melhor produto (custo/benefício); ele economiza na energia elétrica também, desligando a luz dos ambientes nos quais não tem ninguém, e assim sabe que economizando no supermercado e na conta de energia poderá agendar a próxima viagem”.

Para que o equilíbrio seja alcançado, uma planilha mensal ajuda a planejar os gastos da família, onde são considerados os investimentos necessários com a educação, alimentação, saúde e lazer. “As despesas com o Artur sempre vêm em primeiro lugar. Em nosso orçamento familiar, os maiores custos são com a educação e saúde dele”, aponta. “Na educação incluímos a escola, curso de inglês e atividades para o seu desenvolvimento pessoal, como o karatê. Fizemos questão de escolher uma escola que também trabalhasse os mesmos valores que acreditamos, que são a promoção da cultura da paz e da partilha”.

João, Mirella e Luiza.
📷 João, Mirella e Luiza. |Irene Almeida/Diário do Pará

Vida prática de cada família irá nortear o planejamento

Quando se trata de estimar os investimentos necessários para se custear a criação de um filho, o educador financeiro Haelton Costa destaca que a vida prática de cada família é o que irá nortear esse planejamento financeiro. Nesse sentido, é necessário considerar que cada família tem uma realidade e uma rotina que irá influenciar no que efetivamente ela poderá precisar e no quanto irá custar.

Haelton reforça que, durante a preparação para a chegada de um filho ou após o seu nascimento, não há como fazer um planejamento financeiro sem incluir as despesas básicas que a criação de um filho gera. “É necessário que se considere o custo de vida atual da família e qual o custo com uma criança. O nascimento de um filho vai gerar uma nova alimentação, a necessidade de um plano de saúde para essa criança, então é necessário colocar isso como custo de vida além do que a família já tem”, diz.

“Além disso vai ter que incluir custos com educação, lazer e até os pequenos gastos, salgadinho, um iogurte, lanche que vai levar para a escola, material escolar. Isso também tem que ser incluído porque, se não planejar efetivamente tudo que vai gastar, isso pode prejudicar o seu orçamento”.

Diálogo na família sobre consumo consciente

Da mesma forma, os valores pessoais e o modo de vida defendido pela família de Mireille Pic de Freitas, 48 anos, fazem parte de todo o equilíbrio orçamentário familiar. Mãe da Maria, de 18 anos, da Clara, de 15 anos, da Luiza, de 12 anos, e do João, de 9 anos, Mireille e o esposo também apostam no diálogo aberto com os filhos para se debater sobre consumo consciente e consumo em menor escala.

“Conversamos bastante com as crianças se faz sentido o consumo de qualquer coisa e sobre como essa reflexão é importante para se modificar a forma de consumo para diminuí-lo mesmo”.

Mireille dá um exemplo prático adotado no dia a dia com as crianças. “A Luiza e o João queriam experimentar fazer um bolo de dois andares. Mas, para isso, a gente conversou sobre se faria sentido fazer uma receita inteira ou apenas meia receita, considerando que agora somos apenas quatro em casa”, conta a mãe, ao explicar que as duas filhas mais velhas moram e estudam em outro país, na França. “Tento conversar e mostrar o que não faz sentido e isso acaba impactando no orçamento, claro”.

Entre outras escolhas feitas pela família está, por exemplo, a opção de adquirir roupas em espaços como brechós, a adoção de uma alimentação livre de industrializados e também a não terceirização de algumas atividades do dia a dia. “Não terceirizamos a nossa alimentação e nem o cuidado com as crianças porque, para a gente, esses são lugares importantes de ‘não consumo’”, destaca Mireille. “Quando se começa a pensar que vai precisar contratar uma babá ou gastar com alimentação frequente fora de casa, são coisas que, se colocadas na ponta do lápis, acaba tendo um custo alto”.

PRINCÍPIOS

Mais do que o orçamento em si, Mireille explica que todas essas escolhas estão intimamente relacionadas aos princípios que a família acredita. Quando conversam com os filhos sobre a importância de não se consumir demasiadamente, ela e o esposo também buscam manter os mesmos hábitos e fazer as mesmas reflexões.

“O que a gente prioriza em termos de consumo são programações em que podermos curtir juntos, viagens, passeios com amigos, em meio à natureza. Esses são consumos que fazemos com certa frequência”, destaca Mireille. “Independente da renda inicial, você pode adotar modos de vida que vão ser mais ou menos impactantes para você. Faz parte da nossa forma de vida”.

Quanto custa criar um filho em Belém?
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