Uma pesquisa recente feita pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) aponta que “guardar dinheiro” é a principal meta financeira do brasileiro para este ano. Poupar está entre as prioridades para 49% das pessoas. Além disso, 30% planejam fazer uma viagem, 28% pretendem comprar ou reformar a casa e 27% querem tirar as finanças do vermelho. Todos desejos diretamente relacionados, também, ao ato de poupar.
Um dos principais entraves para quem pretende passar a adotar esse hábito em 2020, é o velho costume de gastar mais do que ganhar. “Poupar é importante e necessário. Mas para isso é preciso planejamento e organização e, principalmente, não deixar para fazer isso na última hora”, explica a educadora financeira Ana Ferrari. A educadora afirma que o ideal é começar com um pequeno percentual. “Cerca de 5 a 10% do orçamento líquido”, indica.
Ela ressalta ainda que adquirir o hábito de guardar dinheiro pode trazer não apenas benefícios financeiros, mas também uma postura mais prudente, focada mais em objetivos em relação ao futuro. “É importante que as pessoas não guardem apenas por guardar, mas que tenham prazos e metas estabelecidos”, diz.
É certo que não é fácil começar a fazer mudanças de hábitos, mas é preciso foco e disciplina. E, mais do que isso, dispor de recursos extras para lidar com imprevistos e realizar sonhos e projetos. “Por esse motivo, o melhor é começar a estabelecer valores e prazos pequenos, tipo 12 meses, sempre determinando um motivo para estar guardando aquele dinheiro”, afirma. “Depois prazos médios entre 12 meses e 10 anos, por exemplo, com metas maiores para comprar um carro, uma moto, uma TV mais potente, fazer uma viagem ou uma festa para a família. E ainda pode se estabelecer um prazo ainda maior, que seria aquele destinado a objetivos como ter uma velhice mais tranquila, com mais independência financeira”, completa.
Mas antes de começar a poupar e estabelecer metas e prazos, é importante saber a diferença entre poupar e fazer uma reserva financeira para gastos imprevistos, como doenças, acidentes, manutenção da casa e do carro, entre outros. Isso porque nesse caso, o dinheiro deve ser retirado apenas se precisar e em casos importantes. Já no caso do dinheiro para objetivos de prazos maiores, o raciocínio é diferente. Este recurso não deve ser retirado, somente quando o objetivo for alcançado.
Opções
Nos dias de hoje, o mercado oferece diferentes opções para quem deseja poupar. Uma das mais conhecidas e mais antigas formas é a poupança, que nos últimos anos tem deixado de ser uma opção atrativa, principalmente por conta da baixa rentabilidade. Atualmente, os rendimentos da aplicação estão limitados a 70% da Selic, mais taxa referencial (TR). “Não aconselho mais. Com certeza nos dias atuais essa não é a melhor opção, como chegou a ser há tempos atrás”, afirma a educadora financeira.
Para ela, o ideal é que as pessoas pesquisem aquela que melhor se adéqua ao seu perfil. Uma delas é o tesouro direto. Por meio dele, a pessoa empresta o seu capital ao governo por um tempo determinado e, posteriormente, recebe o que emprestou mais os juros acordados. A Selic é a taxa de juros básica da economia e, atualmente, o índice está em 4,5% ao ano. “Esse investimento apresenta várias vantagens para quem não tem muitos recursos. Primeiramente, pelo fato de ser possível começar a investir com apenas R$ 30. Além disso, o Tesouro Direto oferece baixo risco protegendo o investidor contra oscilações econômicas”, detalha.
Outra opção sugerida pela educadora financeira é o Certificado de Depósito Bancário (CDB). Neste caso, o investidor empresta o capital a um banco e recebe de volta os juros depois de um certo período. As condições de rentabilidade, prazo de vencimento, liquidez e risco variam de acordo com cada tipo de aplicação. “Normalmente é possível investir a partir de mil reais. A pessoa pode escolher o prazo para o resgate e nesse caso, o melhor é conversar com o gerente do banco para conhecer os prazos e os valores”, diz.
Outro ponto positivo do CDB, segundo a educadora, é que o investimento conta com a garantia do FGC (Fundo Garantidor de Crédito). “Isso quer dizer que a instituição cobre todas as aplicações de até R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira. Portanto, se o banco emissor quebrar, a pessoa terá o direito de receber o valor que investiu desde que não ultrapasse o valor máximo”, explica.
Letras de Crédito também são opções viáveis
A educadora financeira também destaca como investimento os chamados Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCA). “São investimentos de renda fixa emitido pelos bancos”, detalha. No caso do LCI, os recursos captados pelo emissor são utilizados para o financiamento das atividades do setor imobiliário. Em troca, ele oferece uma taxa de rentabilidade anual, que é definida no momento da compra. Por ter uma data de vencimento estabelecida, o investir dessa opção tem uma ideia de quanto o seu dinheiro irá render até o final do prazo.
Já no caso da LCA o foco de investimento e o agronegócio e assim como para a LCI, a taxa de rentabilidade e a data de vencimento são definidas no momento da compra. Nessas, assim como nas outras opções citadas pela educadora, a rentabilidade é baixa, porém segura. “Ainda assim, conseguem ser superiores a da caderneta de poupança, por isso, são as mais indicadas para quem está começando, inclusive por terem riscos menores”, garante.
Diferenças entre investimentos
Tesouro direto
São títulos ativos de renda fixa, ou seja, o seu rendimento pode ser dimensionado no ato da aquisição. Pode iniciar com R$ 30, possui dedução de Imposto de Renda (IR), possui título pré-fixado, Selic (é a taxa média ajustada dos financiamentos diários apurados no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia para títulos federais), IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), sua rentabilidade varia de acordo com a escolha;
Certificado de Depósito Bancário (CDB)
Emitidos pelos bancos, o prazo varia de acordo com o tipo de remuneração contratada, o valor mínimo de aquisição inicia a partir de R$ 1 mi e a rentabilidade ideal acima do CDI (Certificado de Depósito Interbancário);
Letra de Crédito Imobiliário (LCI)
É um tipo de investimento em renda fixa com isenção de IR, emitido pelo banco e lastreado por empréstimo bancário, sua rentabilidade pode ser pré-fixado, ou pós fixada que, no caso, o retorno ocorre de acordo com a taxa de juros;
Letra de Crédito do Agronegócio (LCA)
É um tipo de investimento de renda fixa, isento IR, emitido pelo banco é proveniente de empréstimos ao setor agronegócios e possui garantia FGC - Fundo Garantidor de crédito que tem limite até R$ 250 mi;
Ações
São títulos representativos do capital de uma empresa e quando você compra uma ação, vira sócio dela com direito a receber dividendos e colhe as variações dos preços dos papéis na bolsa. Pode obter em alguns casos juros 500%, 300% e 200% CDI taxa de juros, mas os valores podem cair.
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