Com as fortes chuvas que caíram nesta semana, moradores de diversos bairros de Belém amargam prejuízos materiais devido aos alagamentos que se espalharam pela cidade. A força da água invadiu casa, danificou imóveis e eletrodomésticos, e deixou lamentos até mesmo de moradores acostumados com o problema frequentemente.
Um dos locais que foi bastante atingido pelas águas foi a passagem Simeão, localizado no bairro do Marco. Por estar em uma área baixa, atrás da avenida Perimetral, toda a água da chuva escoada da via principal foi parar nos fundos de uma casa abandonada. A força da água derrubou muros e invadiu outras duas residências, arrancando até mesmo o portão de uma delas. Ao passar pelo local, era possível ver um mutirão para tentar reformá-las, buscando diminuir os estragos causados. “Com a pressão da água, caiu o muro aqui de casa e da minha vizinha. Minha mãe estava deitada, sozinha e tomou um susto porque ninguém imaginaria uma situação dessas. Perdemos tudo. Televisão, geladeira, fogão e até o botijão do gás desprendeu da mangueira e ofereceu risco de acidente”, relatou Alisson Silva, de 34 anos.
Na casa ao lado, a quantidade de água foi tão grande que Conceição da Silva, 62, sozinha, teve que ser retirada pela janela da residência com a ajuda dos vizinhos. Para ela ficou o trauma de ter visto os móveis serem revirados e os bens todos perdidos. “A chuva começou cedo, olhei na rua e já estava alagando, mas minha casa estava normal. Eu apenas disse ‘Senhor, que seja feita a sua vontade”, lembra. Logo após isso, ela disse só ouvir um barulho e a água se espalhando. “Tive que sair pela janela, estou toda batida e machucada. A água chegou no meu pescoço e se ficasse mais um pouco aqui eu tinha morrido. Até hoje tenho ficado assustada, tenho tomado remédio controlado para dormir, mas não tem sido suficiente”, disse emocionada.
Com a ajuda de vizinhos, eles buscavam recuperar alguns objetos e já planejavam a reformas emergenciais. Mas enquanto isso não acontece, eles são obrigados a permanecer fora de casa, já que há riscos de desabamento. “Graças a Deus ela está viva e comigo. Perdemos todos os documentos, mas isso a gente recupera. O importante é que agora ela está bem na medida do possível”, disse a filha de Conceição, a universitária Edileuza Fernandes, 41.
PROMORAR
Já no conjunto Promorar, no bairro de Val-de-Cans, a situação crítica vivenciada desde o sábado passado mudou totalmente a rotina dos moradores da área. Segundo o autônomo Anderson Gonçalves, 30, a rotina ainda não voltou ao normal. Um dos pontos críticos de alagamento é justamente na área onde mora, na Avenida Sul, esquina com a Quadra 45, entre as ruas 29 e 30. Ele contabiliza estragos na residência e até no trailer onde ele trabalhava com a venda de lanches, na esquina do canal que transbordou. Por causa disso, não pode trabalhar há uma semana.
“Estragou a chapa e perdi todos os materiais para fazer os lanches. Perdi colchão, guarda-roupa, sofá e a geladeira queimou. Só ficou o fogão, que a gente suspendeu. A gente nem limpa a casa, porque vai encher tudo de novo quando chover. O canal está muito sujo. Meu filho ‘mudou’ pra casa da avó dele, na Marambaia, desde que o problema começou. É uma situação muito complicada”, relatou.
VER-O-PESO
Há dias a feira do Ver-o-Peso se vê no mesmo cenário: maré enchendo, chuva e o rio tomando conta de tudo. Na loja de artigos para pesca, na esquina da Avenida Portugal com a Boulevard Castilhos França, onde trabalha Leonardo Ebrahin, 24, o piso foi levantado justamente para evitar os alagamentos. Mesmo impedindo a entrada da água, o funcionamento do ponto fica prejudicado sempre que o fenômeno ocorre, já que o movimento para totalmente na área. “A previsão é que venha bem mais alta no final do mês. A gente tenta colocar pra cima os materiais que podem ser danificados, como balanças, refletores e lâmpadas. Encheu ontem e tivemos que carregar mercadoria de fora pra dentro assim mesmo”, contou.
O vendedor Jefferson Rocha, 37, trabalha há mais de 20 anos no local e afirma saber quando a maré vai elevar de nível. Por isso, os funcionários se preparam tirando todos os materiais do chão, já que o estabelecimento costuma alagar. “Hoje (ontem) não suspendemos nada, porque sabíamos que não ia encher muito. A gente aumentou calçada, mas quando da cheia enche tudo aqui dentro. Depois esperamos secar pra lavar a loja”, explicou.
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