Completando nesta sexta-feira (27) 393 anos de história, sendo considerado um dos principais cartões-postais de Belém, o Mercado Ver-o-Peso comemora a nova idade de maneira tímida. Com a pandemia do novo coronavírus (Covid-19) e determinação de fechamento dos pontos comerciais e áreas de alimentação que geram aglomerações, muitas barracam encontram-se fechadas e a programação de aniversário, que seria organizada pelo Instituto Ver-o-Peso, teve de ser cancelada pela primeira vez na história.
No mercado, o clima é de tristeza, mas os feirantes se mostram conformados, já que a grande aglomeração de pessoas não é indicada atualmente. Por este motivo, o movimento na feira caiu bastante, com cenário atual assustando os trabalhadores que dependem do local para tirar o próprio sustento.
Manoel Rendeiro, conhecido como Didi do Ver-o-Peso, é membro do Instituto Ver-o-Peso e confirmou que uma série de atividades para os trabalhadores estava planejada para esta sexta, mas lamentou que tudo teve de ser cancelado de última hora. “Tínhamos articulado uma baita programação para um mercado que tem muito cheiro, sabor e mandinga. Devido a essa pandemia, tivemos que cancelar tudo e, apesar do mercado estar abandonado, passando por um processo lento de revitalização, a data serve como um protesto para que as autoridades olhem com carinho ao mercado”, diz.


Ele destaca ainda que a data é uma forma de clamar por melhores cuidados com a estrutura do local, hoje em estado avançado de deterioração. “Ficamos tristes porque a prefeitura tem um fundo chamado Ver-o-Sol, com um repasse de verba anualmente que hoje seria muito útil. Milhões que deveriam ficar à disposição da categoria nesse momento difícil e que não sabemos onde está. Sabemos que todos estão passando por um momento difícil, mas queremos respostas para nossas reivindicações”, completa.
O feirante Adenilson Nascimento, de 54 anos, reclama da situação atual do Ver-o-Peso, mas afirma que não deixará de trabalhar tão cedo na feira. “A gente não pode parar, tem que continuar trabalhando. Nosso pão de cada dia sai daqui e se não vir trabalhar como é que a gente faz? É pedir a Deus para que melhore nosso espaço e que a situação melhore”, afirmou ressaltando que a venda tem caído para todos os vendedores.
Feira de 393 anos
Em dias normais, o Ver-o-Peso chega a receber cerca de 50 mil visitantes e conta com aproximadamente 1.500 trabalhadores. A feira é considerada o principal cartão postal de Belém e é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
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