Diante da pandemia causada pelo coronavírus, o cenário é de muitas incertezas e preocupações, principalmente por parte de homens e mulheres que são chefes de família e responsáveis pelo sustento da casa. Para os educadores financeiros, agora mais que nunca, é importante que todas as pessoas comecem a rever os gastos, estude um novo planejamento financeiro familiar e tente se preparar para as possíveis dificuldades que estão por vir nestas próximas semanas. Quantos aos que estão no mercado informal, e a situação é ainda mais complexa, os especialistas reforçam que o momento é para se reinventar nos negócios.
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O motorista de transporte de aplicativos de passageiros Luiz Acácio Junior, começou a refazer os cálculos das contas que já começaram a chegar. “Acho que ninguém estava preparado para uma crise deste porte. Eu já comecei a negociar com o banco o pagamento dos boletos do cartão de crédito. Alguns vou ter de fazer o pagamento mínimo”, garante.
Ele ressaltou que há três semanas conseguia fazer três corridas no intervalo de uma hora. Hoje se fizer uma corrida no intervalo de três horas é motivo para festejar. “O que pesa bastante nesse novo planejamento é se preparar para as despesas diárias, sem dúvidas”, projeta Luiz, que já começou a enxugar os gastos com supermercado e também a evitar compras que não são necessárias neste momento.

Para a esteticista Letícia Lopes, 26 anos, o replanejamento financeiro começou há quase um ano, desde que ficou desempregada. Mãe de três filhos pequenos, ela e o marido tiveram o orçamento reduzido pela metade e desde então começaram a controlar as despesas dentro de casa para driblar as dificuldades. “Essa dificuldade que todos nós vamos passar agora, por conta da pandemia, eu já passei lá atrás e aprendi a enxergar o orçamento de outra forma. Acredito que essa experiência vai me ajudar a lidar com esse universo de incertezas que a pandemia está trazendo”, diz.
Na caderneta, ela revisa a lista de compras que vai fazer no supermercado. “Uma coisa que pesava bastante e eu fui aprendendo a substituir foi o lanche das crianças. Antes era uma porção de biscoitos e doces, por exemplo. Hoje eu compro meio quilo de milho e faço pipoca. Compro gelatina, que custa em torno de 1 real, e preparo para eles em casa”, comentou. “Quando você tenta economizar 30 centavos numa coisa. Quinze centavos em outra. Você acaba percebendo uma diferença em reais no final das compras”, reitera a esteticista.
CAUTELA
Como a escola onde os filhos estudam suspendeu as aulas, ela está preocupada com o aumento da conta de energia, já que mais pessoas em casa maior o número de eletrodomésticos ligados. “Já evito usar o micro-ondas, mantenho os aparelhos que não estão ligados fora da tomada e mantenho todos num mesmo compartimento da casa para acender somente uma lâmpada”, relatou como estratégia de economia. Ela também tem ligado o aparelho de ar-condicionado por menos tempo e usado mais o ventilador.
O lazer da família também precisa ser pensado. “Meu marido e eu estabelecemos o teto de R$ 120 por mês, não podemos gastar mais que isso”, projetou Letícia. Como a recomendação é para ficar em casa, provavelmente o lazer será pedir comida pelo delivery. “Tudo o que está anotado nesta caderneta é nossa meta. Temos que seguir, do contrário não vamos ter como se manter”, explica.

O gasto com supermercado também é o que mais preocupa a pedagoga Paulina Leal, 42, que já frisou que este mês deverá comprar somente o necessário para manter a despensa. “Algumas coisas que temos em casa é possível reaproveitar e com isso economizar em algumas compras”, enfatizou. “Estou revendo todos os cálculos do que vou poder pagar e comprar. É o momento de gastar o salário com responsabilidade e cautela”, avalia Paulina.
É hora de reinventar os negócios e planejar o futuro
A Educadora Financeira, Ana Ferrari, lembra que em meio ao cenário de incertezas sobre a Economia, é importante lembrar que a situação de quem está no mercado informal – e não tem uma fonte de renda fixa – é mais complexa. “Quem tem um negócio, depende de vendas. O momento exige que a pessoa se reinvente porque estas pessoas não podem ficar totalmente paradas e o espírito empreendedor deve prevalecer”, atentou a especialista.
“É importante que as pessoas não olhem exclusivamente para o que o mercado está retirando delas, neste momento, e sim oferecendo. Os serviços de entrega (delivery) estão crescendo, por exemplo. Elas podem atentar para este novo mercado e se renovar”, sugeriu. Ana reforça que ao ficar em casa, as pessoas ficam mais suscetíveis a comprar compulsivamente, principalmente pela internet. E é justamente aí que está o perigo. “Não gaste sem ter um real motivo”, reforçou.
Para ela, este momento deve ser usado de forma estratégica, evitando gastos desnecessários. “Estes primeiros dias são para que as pessoas façam um diagnóstico sobre com o que gastam e compram ao longo do mês”, disse a educadora. “Fazer a economia doméstica fará toda a diferença nesse cenário de crise”, frisou Ferrari, que sugeriu que as pessoas revejam a lista de supermercado e tomem cuidado com as compras on-line (virtuais). Ela acredita que ainda não é necessário usar a poupança, nem os rendimentos que adquiriram em aplicações e investimentos. “Pode ser algo para ser usado mais lá na frente, mas por enquanto não”, orienta.
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