Com uma frota de 453.198 veículos registrados somente no ano passado, segundo o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) e, praticamente os mesmos corredores de tráfego há anos como poucas exceções, Belém padece de problemas comuns das grandes cidades, como engarrafamentos constantes e trânsito lento, especialmente nos horários de pico. Mas a quarentena por conta do coronavírus, que fez shoppings, comércios e até empresas fecharem as portas momentaneamente, tem ajudado a mudar essa paisagem.
Avenidas que antes registravam um grande fluxo de veículos estão bem menos movimentadas. Esse é o caso das avenidas Almirante Barroso, Nazaré, Visconde de Souza Franco, Presidente Vargas, Magalhães Barata, Boulevard Castilhos França, entre outras.
Motorista de ônibus há 10 anos, Joênio Souza conta que não lembra de já ter visto o trânsito assim em dias comuns. Acostumado a enfrentar problemas como tudo lento e engarrafado, ele diz estar gostando bastante da novidade. “Pra mim, que sofro com esse trânsito infernal todos os dias, essas últimas semanas têm sido maravilhosas, de calmaria. Está muito bom assim”, comemora.
Depois que ficou desempregado e não teve mais a carteira de trabalho assinada, Francisco Santos decidiu comprar uma motocicleta e há cerca de um ano atua como mototaxista nas ruas da cidade. Ele conta que desde o dia 15 do mês passado, o trânsito começou a mudar gradativamente. “O número de pessoas nas ruas foi ficando menor e, consequentemente, o número de veículos também”, observou.
Francisco fica em um ponto localizado na Avenida Perimetral, próximo a entrada do portão da Universidade Federal do Pará e da Unidade de Pronto Atendimento da Terra Firme, onde todos os dias circulavam um grande número de pessoas. Com as aulas na UFPA suspensas e atendimento restrito na UPA, o cenário agora está bem diferente. “Não tem quase ninguém. Está tudo parado. Às vezes passam-se horas sem que a gente veja carro ou motos circulando por aqui, somente os ônibus de linha que saem de tempos em tempos”, diz.
O mototaxista garante que se tivesse outros meios de sustentar a si e a família, também não estaria mais na rua com sua moto. “Só venho mesmo porque não tem outro jeito, mas se tivesse opção não estaria aqui. Estou trabalhando mesmo só para garantir a comida do dia”, conta.
Para o motorista de aplicativo, Denilson Barros, a relação com a nova configuração do trânsito da cidade, pode-se dizer que é de amor e ódio. “Para andar de carro está ótimo, praticamente como se vê mais engarrafamento como antes, nem na Almirante Barroso, nem Icoaraci, nem na Cidade Nova, nem em Marituba, está ótimo realmente. Mas em termos de trabalho está fraco, muito fraco. Como a maioria dos lugares não está funcionando, não tem quase demanda. Mas o trânsito para quem sai de carro está ótimo mesmo”, avalia.
MOVIMENTO
A queda no número de veículos nas ruas da capital é visível. Mas esta semana, em relação ao movimento registrado nos dias anteriores, já apresenta uma movimentação maior.
A equipe de reportagem do Diário do Pará percorreu ruas do centro e da periferia da cidade e viu que em alguns pontos os veículos e as pessoas voltaram a circular, como é o caso das vias que ficam próximas ou no Centro Comercial de Belém. Na avenida 15 de Novembro, onde se localizam muitas lojas e agências bancárias, o movimento está quase normal, assim como em outras transversais. O mesmo ocorre na Avenida Conselheiro Furtado com a José Bonifácio.
A volta às ruas vai de encontro ao que recomenda o Ministério da Saúde e o próprio Governo do Estado, para que as pessoas permaneçam em suas casas e evitem sair as ruas o máximo possível, como forma de tentar conter a proliferação do coronavírus entre a população, que já tem mais de 40 casos confirmados e uma morte registrada.
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