Como se não bastasse todos os problemas deixados pela administração municipal, agora o Tapanã poderá, em breve, ter um cemitério apenas destinado para enterrar os mortos pelo novo coronavírus. No que depender do prefeito Zenaldo Coutinho, a proposta deve ganhar corpo nos próximos dias. Em sua live diária nas plataformas digitais, realizada na manhã desta quinta-feira (9), o chefe do executivo explicou a proposta, que pode se estender aos óbitos de todo estado. A medida desagradou profundamente a população do bairro e uma ação contra a ideia deve ser protocolada no Ministério Público.
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Imediatamente após a fala do prefeito, moradores e lideranças comunitárias se pronunciaram contra o projeto. O vereador Emerson Sampaio (Progressistas), morador do bairro há 18 anos anos, levou a público a tristeza da comunidade com o descaso de décadas e a atual intenção de despejo de corpos em uma região altamente carente de infraestrutura e saneamento básico, pretendido pelo poder público municipal. “Fui surpreendido negativamente com essa notícia e muitos moradores também. Ele está oferecendo o nosso bairro que há décadas é abandonado para que se realizem enterros de pessoas de todo o estado”, critica.
No pronunciamento feito, Zenaldo disse que estava encaminhando um ofício ao Governador. Consta no projeto a estruturação de uma nova área no Tapanã, já autorizada pelo prefeito, “Para realizar adaptações nessa área e garantir a expansão de possibilidade de sepultamentos”. Zenaldo concluiu : “É possível que outras pessoas vindas de outros municípios para tratamento em hospitais como Barros Barreto e Bettina Ferro, que vierem a óbito, dadas as recomendações, sejam enterradas o mais rápido possível, em Belém. Então, a prefeitura se dispõe a dialogar com o estado para facilitar cumprir as orientações”, termina.
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SANEAMENTO
Embora não saiba qual região será destinada ao novo cemitério, o vereador garantiu que o bairro já não suporta mais áreas com essa finalidade, pela falta de saneamento básico e o risco maior de contaminação do solo. “Somos um bairro carente, sem abastecimento de água, sem saneamento. Mais de 10 mil pessoas não têm água encanada. Eles acabam tomando água dos poços. Não sabemos quanto tempo o vírus permanece no corpo. Corremos o risco de contaminar ainda mais o solo”, alerta.
Dois cemitérios estão localizados no bairro. O público, ainda em operação, não recebe manutenção há tempos e, segundo o vereador, está entregue às moscas. “Estamos sugerindo ao prefeito que enterre esses corpos em cemitérios particulares. O cemitério do Tapanã funciona precariamente, tem muito mato, sepulturas expostas. Estamos entrando com uma ação no Ministério Público para barrar isso. A população e as lideranças do bairro, ninguém foi consultado”.
De acordo com o último senso do IBGE, de 2010, o bairro do Tapanã possuía 17.515 domicílios e, destes, apenas 1.762 contavam com rede de esgoto. Cerca de 10% dos quase 80 mil moradores do bairro possuem acesso ao serviço. A maioria dos domicílios utiliza ainda o sistema de fossas sépticas e rudimentar, que representam um grande risco, devido a contaminação sistemática do lençol freático, atingindo pessoas e animais que utilizam essas águas subterrâneas através dos poços artesianos. “Nós queremos benefícios, não mais problemas. Não vamos aceitar que as coisas sejam feitas dessa forma”, conclui o vereador.
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