Em tempos de pandemia de Covid-19, a Semana Santa poderia ser uma boa ocasião para que as pessoas aproveitassem o feriado junto da família, em casa. Mas não é isso que tem sido observado em vários bairros de Belém e principalmente nas áreas comerciais. Ruas continuam abarrotadas de pessoas que circulam livremente, sem nenhum tipo de equipamento de segurança, como máscaras. No centro comercial, ontem (9), trabalhadores lotaram a rua Conselheiro João Alfredo. Com cervejas e petiscos, o grupo fazia piadas sobre o coronavírus e brincava com a saúde. Muitas lojas permaneceram abertas até o final da tarde, mesmo sem ter clientes para fazer compras.
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Há uma recomendação para que os estabelecimentos fiquem abertos até às 17h. Os vendedores ficam na frente do estabelecimento para tentar atrair os clientes. Poucos com máscaras nos rostos. Quando a equipe de reportagem passava por estas lojas, ontem, os trabalhadores se recolhiam. Faziam sinal de que não poderiam falar. Os lojistas também se recusaram a dar entrevistas e falar sobre quais as medidas que estão adotando para se prevenir da Covid-19. Justificavam apenas que precisavam trabalhar.
AMBULANTES
Os camelôs e vendedores ambulantes também trabalhavam normalmente. As barracas ocupavam toda a pista, uma ao lado da outra, sem qualquer distância social mínima necessária para evitar o contágio. Sempre que a reportagem se aproximava destes trabalhadores e dos transeuntes, eles recuavam. Alguns reclamaram, alegando que a presença dos jornalistas, ali, afastava a freguesia, já que ninguém quer ser “flagrado”.
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Outros brincavam, pediam para serem fotografados, filmados, mas não davam entrevistas. “Tenho que trabalhar. Só isso que posso dizer”, ressaltou um camelô, sem se identificar. Questionado se a venda tinha sido boa, respondeu que não. “O movimento está fraco, mas temos que vir”, repetiu.
Na rua Conselheiro João Alfredo, próximo à avenida Portugal, o expediente encerrou às 17h, mas depois os trabalhadores se reuniram para uma confraternização - desrespeitando o decreto que proíbe eventos que reúnam mais de dez pessoas. Churrasco e cerveja, a vontade. “Isso aqui é melhor que coronavírus”, comentava um dos que participava da festa. Ninguém quis conversar sério com a reportagem e, apesar do bom humor, pediam que a equipe se retirasse do local, pois já tinha feito a imagem deles.
Nas paradas de ônibus e supermercados, mais aglomerações e poucas pessoas usando máscaras. Até mesmo nas farmácias consumidores entravam e saiam sem máscaras e sem higienizar as mãos com álcool em gel.

VAZIOS
Com a proibição das viagens intermunicipais, por conta do decreto estadual, o Terminal Rodoviário de Belém era um dos poucos espaços coletivos onde não havia tumultos e aglomerações, na capital. Nas praças da República e Batista Campos, quase não havia movimento de pessoas durante a tarde de ontem.
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