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TRISTE PANORAMA

Moradores em situação de rua desconhecem direito ao auxílio emergencial de R$ 600 em Belém

Na última quinta-feira (9), primeiro dia do pagamento do auxílio emergencial do Governo Federal aos prejudicados com a pandemia da Covid-19, cerca de 28,4 milhões de brasileiros já haviam realizado o cadastro no site ou aplicativo disponibilizado pelo Min

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Imagem ilustrativa da notícia Moradores em situação de rua desconhecem direito ao auxílio emergencial de R$ 600 em Belém camera Williames Santos faz malabarismo para sobreviver. | Olga Leiria

Na última quinta-feira (9), primeiro dia do pagamento do auxílio emergencial do Governo Federal aos prejudicados com a pandemia da Covid-19, cerca de 28,4 milhões de brasileiros já haviam realizado o cadastro no site ou aplicativo disponibilizado pelo Ministério da Cidadania.

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A quantidade expressiva indica que existem várias pessoas dentro do perfil estipulado pelo governo que podem receber o benefício de R$ 600 mensais, também conhecido como Coronavoucher, mas outras não sabem que possuem o mesmo direito. É o caso daquelas que se encontram em situação de vulnerabilidade nas ruas. Sem acesso fácil aos diversos meios de comunicação, esses cidadãos permanecem invisíveis na sociedade.

Williames Santos da Conceição, 30, conta que chegou às ruas quando tinha apenas sete anos de idade, após fugir de casa, onde era vítima de violência doméstica. Uma calçada próxima ao canal da Tamandaré, em Belém, virou seu endereço.

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Para sobreviver, Conceição faz malabarismos nas esquinas, diz saber dos riscos do novo coronavírus, mas não sabia do auxílio. “É uma situação difícil para quem mora na rua. Às vezes, por causa do preconceito, a pessoa nem abre a janela do carro, imagine parar para informar algo. Fiquei sabendo desse coronavírus apenas pelos comentários que ouço quando estou andando pelas ruas. Agora, sobre esse auxílio, nunca ouvi falar nada”, admite.

Enquanto milhões de brasileiros já fizeram o cadastro para obter a renda mínima, moradores de rua nem sabem do que se trata o auxílio
📷 Enquanto milhões de brasileiros já fizeram o cadastro para obter a renda mínima, moradores de rua nem sabem do que se trata o auxílio |Olga Leiria

Wanderson Pereira da Silva, 27 anos, que também está em situação de rua, se aproximou para ouvir a conversa. Nascido no município de Ulianópolis, sudeste paraense, o jovem contou que não sabia também da possibilidade de adquirir o auxílio .

“Tive de sair de casa porque meu tio vivia me espancando”, lembra. Há oito anos chegou a Belém para tentar recomeçar a vida. Sem nenhuma estrutura, passou a morar nas ruas. Quanto ao cadastro para conseguir o benefício social, ele desconhecia. “Mesmo sem os meus documentos, que perdi, posso fazer?”, questionou. A mesma dúvida Williames tinha. E a resposta é sim! É possível verificar a possibilidade indo até um Centro de Referência de Assistência Social (Cras) mais próximo. Lá, as pessoas podem verificar se possuem algum tipo de cadastro anterior ou fazer uma nova inscrição no Cadastro Único (CadÚnico).

GOVERNO

Por meio de nota, o Ministério da Cidadania informa tomar uma série de medidas voltadas para população mais vulnerável e em risco social neste período de combate ao coronavírus. O ministério destacou ainda que o Benefício de Prestação Continuada (BPC) contempla atualmente 8.033 pessoas em situação de rua de todo o país. O que representou um desembolso de R$ 8,3 milhões somente no mês de março.

A Prefeitura de Belém, por meio da Fundação Papa João XXIII ( Funpapa), também se pronunciou e disse que as pessoas em situação de rua assistidas pelos espaços de acolhimento que administra estão sendo orientadas individualmente sobre o auxílio emergencial, assim como sobre os direitos a outros programas sociais disponibilizados pelo Sistema Único de Assistência Social (Suas).

A Funpapa destacou também que 419 usuários foram inseridos no CadÚnico entre os anos de 2014 e 2019.

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