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EFEITO COVID-19

Sexta-Feira Santa foi diferente nas igrejas de Belém

Uma das principais datas do calendário católico, a Sexta-Feira Santa foi completamente diferente das anteriores aos quais os fiéis estavam acostumados. Sem a participação presencial, diversas programações foram realizadas de portas fechadas como forma de

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Imagem ilustrativa da notícia Sexta-Feira Santa foi diferente nas igrejas de Belém camera A capela do Colégio Santo Antônio esteve vazia durante a celebração do Cônego Vladian Silva | Wagner Santana

Uma das principais datas do calendário católico, a Sexta-Feira Santa foi completamente diferente das anteriores aos quais os fiéis estavam acostumados. Sem a participação presencial, diversas programações foram realizadas de portas fechadas como forma de prevenção devido à pandemia do novo coronavírus. A medida afetou diretamente o Sermão das Sete Palavras, uma tradição de 141 anos, em Belém, e que, de portões fechados ocorreu ontem na capela do Colégio Santo Antônio durante as três horas da agonia.

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Apenas o pregador e o coral estavam no local. A alternativa para os fiéis foi acompanhar a programação nas redes sociais e emissoras de rádio e TV da igreja católica. Cada uma das sete palavras do sermão tem um significado e sentido. Este ano, o sermão foi conduzido pelo Cônego Vladian Silva Alves, diretor geral e professor da Faculdade Católica de Belém e pároco da Paróquia da Santíssima Trindade. Ele foi escolhido pelo próprio Arcebispo de Belém, Dom Alberto Taveira.

Durante todo o sermão, o Cônego Vladian teve a preocupação de ressaltar o período de isolamento social, além de buscar aproximar os fiéis que acompanhavam a programação de forma virtual, destacando a importância de buscar a comunhão e a reflexão durante o período em que as aglomerações devem ser evitadas. “Que este momento sirva para um mútuo encorajamento e que não podemos continuar lançando mão da vida sozinhos, como se apenas por si só alcançaremos a salvação, mas juntos como irmão e irmãs criados a imagem e semelhança de Deus”, declarou.

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Ao final da celebração, Dom Alberto Taveira disse, na saída da Capela Santo Antônio, que o receio com a programação era grande, mas que o resultado foi positivo. “Graças a Deus deu tudo certo. O desafio foi maior para o pregador sem os fiéis presentes. Para nós este é um sermão muito esperado pela cidade e igreja de Belém e prova que conseguimos enfrentar este e outros desafios neste tempo difícil da pandemia. Continuaremos rezando para que nosso Senhor nos ajude a encontrar caminhos e soluções para toda a sociedade diante deste cenário”, disse.

Com a capela de portas fechadas, os únicos que tiveram a oportunidade de acompanhar o sermão foram os colaboradores da igreja católica, como os guarda de Nazaré. Entre eles estava Manuel Jorge. “É algo novo e muito triste porque esse é um lugar que sempre estava cheio de gente e sentimos tristeza por vê-lo completamente vazio, apesar de entender a situação em que nos encontramos”, declarou.

PEREGRINAÇÕES

A tradicional Procissão do Senhor dos Passos e de Nossa Senhora das Dores, que marca o encontro de mãe e filho, também não ocorreu. Mas apesar da chuva rápida e intensa que caiu em parte da manhã de ontem, algumas pessoas ainda mantiveram a peregrinação por sete igrejas da cidade. Alguns seguiram a pé, como manda a tradição. Outros preferiam passar de carro na frente das igrejas, mas sem descer.

Algumas poucas igrejas permaneceram com as portas abertas, mas com controle para que entrassem no máximo três pessoas por vez. Quem não entrava por opção ou porque os templos estavam fechados, fazia suas orações e acendiam suas velas na porta mesmo.

A Igreja de Nossa Senhora das Mercês, onde ocorreria, em frente, o encontro das imagens do Senhor dos Passos, que sairia da Basílica Santuário de Nazaré com a Imagem de Nossa Senhora das Dores, que sairia da Igreja de São João Batista (Cidade Velha), amanheceu de portas fechadas.

Poucas pessoas passaram em frente à igreja. Uma delas foi a pedagoga Conceição Oliveira, que a pé percorreu algumas igrejas acompanhada pelos dois filhos. “Sou cristã e minha família sempre teve o hábito de fazer a peregrinação por igrejas na Sexta-Feira Santa. Começamos às 7h pela Basílica e viemos andando até aqui, a Igreja das Mercês.”

Segundo ela, a peregrinação é um hábito praticado pela família há décadas. “Desde muito pequena eu sempre vinha. Depois passei a vir com meus filhos. E hoje (ontem) estamos aqui para rezar o terço”, disse.

Já a Igreja da Sé amanheceu com as portas parcialmente abertas. E poucas pessoas entravam para fazer suas orações, como o pedagogo Ronaldo Lobato, que já havia passado pela Igreja de Santa Luzia, Conceição, Carmo, São João Batista, Sé e estava em frente à Igreja de Santo Alexandre, para seguir rumo à Igreja das Mercês. “Estamos precisando muito de orações nesse momento”, justificou ele, que estava todo vestido de branco e é praticante de religião de matriz africana.

Ele explicou que há muitos anos segue esse ritual de percorrer sete igrejas andando. “Cumpro esse compromisso sempre só, e agora por conta de evitar aglomeração de pessoas, mais ainda”, disse, se protegendo da chuva com guarda-chuva.

A Igreja do Carmo, assim como a das Mercês permaneceu de portas fechadas. Já as igrejas de São João Batista e a Basílica de Nazaré estiveram de portas abertas, mas com o controle de entrada para evitar aglomeração.

Tradicional malhação de Judas também é suspensa

Há 49 anos, o Sábado de Aleluia era marcado pela tradicional Malhação de Judas na rua Conceição, esquina com a travessa 14 de Março, no bairro da Cremação, em Belém. O evento reunia cerca de cinco mil pessoas, mas neste cinquentenário está suspenso devido aos efeitos provocados pelo novo coronavírus que impede a aglomeração de pessoas. Em pelo menos dez endereços na capital paraense que também realizam o mesmo evento, a manifestação segue suspensa, assim como outras programações religiosas da época.

Segundo Alberto de Jesus, conhecido como Careca, 71, presidente da Associação de ‘Malhadores de Judas’ da rua Conceição, os preparativos já estavam sendo organizados assim que o carnaval acabou. No entanto, às vésperas de entregar junto à Prefeitura de Belém a documentação que libera a realização da festa, veio a notícia. “Disseram que não teria o evento. A gente que gosta, que planeja, se sente triste, mas conformados. Deus sabe o que faz. Também entendemos que é necessária essa suspensão, inclusive tudo que envolve a cultura foi cancelado. Mas temos fé que ano que vem vamos fazer”, afirmou.

A Malhação de Judas é uma festa tradicional que leva para as ruas, bonecos feitos de miriti, papel reciclado e goma, devidamente vestidos e calçados, com gravata e até perucas, para serem “malhados” pela população. A ideia é criticar, protestar ou repudiar a realidade ou personagem do atual cenário do país que tem gerado grande repercussão. O tema deste ano ainda não havia sido definido.

A Associação de Malhadores de Judas da rua Conceição com a travessa 14 de Março é a segunda mais antiga nesse mesmo ramo, criada a partir de uma brincadeira de 12 amigos que imitaram a ideia da Associação da Fernando Guilhon com a avenida Alcindo Cacela, que tem 67 anos. Da mesma Associação onde Alberto é um dos fundadores, surgiu a Associação Carnavalesca Xodó da Nega, que já existe há 28 anos.

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