Uma das questões que mais tem assustado a população em geral quando o assunto é a Covid-19, é o fato dos sintomas serem semelhantes aos de outras doenças. Esse é o caso da gripe comum, do resfriado e das alergias respiratórias, além de outras, como a dengue, a chikungunya e a Zika, que têm como vetores o mosquito Aedes aegypti. Por isso, nesse caso, o que vai determinar a condução de cada caso não são os sintomas em si, mas a intensidade com que eles afetam cada pessoa.
Essa é a orientação da infectologista Deborah Crespo. “É humano querer saber o que se tem. Mas, nesse momento, infelizmente, não há como se fazer o exame em massa na população como seria o ideal, até porque se trata de um exame novo e caro e que, por isso, acaba sendo reservado para casos bem específicos, aqueles mais graves”.
De modo geral, segundo a médica, os sintomas se iniciam de modo muito semelhante. “Em relação à alergia, pode haver a coriza, o espirro, a tosse, mas dificilmente ocorre a febre. No caso da dengue tem febre, mas não tem tosse. Já na chinkungunya, as dores no corpo costumam ser muito intensas”, resume.
Por outro lado, quem está com Covid-19 pode apresentar também dores pelo corpo. “Mas, nesse caso, a dor pode se espalhar pelo tórax, abdômen, costas, peito, garganta e, em algumas outras áreas, porque o coronavírus acaba formando pequenos trombos, que provocam essas dores. O vírus também pode chegar ao intestino causando diarreia”, diz.
Entre os sintomas mais comuns da Covid-19 estão “febre alta, tosse seca, dores pelo corpo, mas que vão variar de intensidade de acordo com o organismo de cada”, afirma.
DIFERENCIAIS
Segundo ela, um dos grandes diferenciais da Covid-19 em relação às outras doenças é a ausência do olfato e paladar, além da falta de ar. “É importante deixar claro que não é uma falta de ar qualquer. É aquela que a pessoa sente um cansaço intenso ao levantar da cama, por exemplo, para ir ao banheiro. É uma falta de ar mesmo e não apenas uma dificuldade para respirar, a ponto de não conseguir fazer coisas simples como andar e falar”, destaca.
“Nesse caso, a pessoa deve procurar um serviço médico e, provavelmente, o exame da Covid-19 será solicitado, assim como outros, como a tomografia e a radiografia, que pode atestar uma pneumonia, condição que tem aparecido na Covid-19”, detalha.
O que tem ocorrido nos serviços de saúde é a pessoa chegar alegando falta de ar e um aperto no peito, muitas vezes causado pela ansiedade. “Estamos vivendo uma situação muito complicada por conta dessa pandemia, algo nunca vivido antes e, nessas condições, é comum que ocorram crises de ansiedade, por isso, o ideal nessa situação é que a pessoa consulte primeiramente o seu médico, pode ser até por telemedicina, para que não precise se expor em um hospital ou emergência sem necessidade”.
A médica chama atenção ainda que, em um mesmo núcleo familiar o vírus pode ocorrer com manifestações diferenciadas. “Dependendo da condição de cada um, há aquele que pode apresentar sintomas de uma gripe, aquele que pode ser assintomático e aquele que pode ter seu quadro agravado e necessitar de atendimento hospitalar. Uma vez constatado em uma pessoa da casa, que fez o exame, não necessariamente as outras pessoas devem fazer também. O que elas precisam é fazer a quarentena em casa”, afirma.
Mas como se trata de um vírus novo, a infectologista aconselha que as pessoas fiquem atentas aos sintomas. “Qualquer mudança no organismo como coriza, febre, tosse, ou seja, manifestações brandas, o aconselhável é se manter em casa, mantendo aqueles cuidados de isolamento para evitar o contágio”, diz.
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