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Quarentena pode ser ótimo momento para estimular a relação entre as crianças e os livros

Abril pode considerado o mês da literatura porque reúne diversas datas comemorativas: Dia Internacional do Livro Infantil (celebrado no dia 2), Dia Nacional do Livro Infantil (hoje) e Dia Mundial do Livro (no próximo dia 23). Diferente dos anos anteriores

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Imagem ilustrativa da notícia Quarentena pode ser ótimo momento para estimular a relação entre as crianças e os livros camera Freepik/Divulgação

Abril pode considerado o mês da literatura porque reúne diversas datas comemorativas: Dia Internacional do Livro Infantil (celebrado no dia 2), Dia Nacional do Livro Infantil (hoje) e Dia Mundial do Livro (no próximo dia 23). Diferente dos anos anteriores, o mês está com clima diferente por causa do momento que vivemos com a pandemia do coronavírus, mas no caso da nossa relação com a leitura isso pode até ser uma vantagem pois, com mais tempo em casa, podemos ler mais e inclusive ler para o pequenos.

É o que tá fazendo a administradora Samara Lorena Salgado, que passou a ler mais para o filho Bernardo Gabriel Freitas Salgado, 3 anos, a partir desse momento de isolamento social. “Ele sempre amou ler livros, sempre ficou empolgado. Confesso que não é uma rotina nossa, mas líamos com ele sempre que era possível e ele adorava. Com essa quarentena estamos aproveitando para ler juntos, ele interage com a gente e pede para ficar com o livro mesmo depois que já leu”, orgulha-se Samara.

“Qual é a Cor do Amor”, “Meus Cinco Sentidos”, “O Ursinho Apavorado” e “Todas as Coisas têm Nome” foram alguns dos livros que ela já leu para Bernardo. Samara espera que esse momento seja importante para a construção da memória afetiva do pequeno e que ele possa se tornar uma pessoa esclarecida a partir do conhecimento adquirido através da leitura - e que seja um apaixonado pelos livros, é claro.

“É muito satisfatório ter esse momento com ele, estamos criando essa memória afetiva que antes da quarentena não era possível, pois tenho meu trabalho, meu marido é professor, líamos com ele quando era possível. Agora é superdivertido escolher o que vamos ler e interagir nesse mundo da leitura”, diz a mãe. “Essa quarentena está servindo para criarmos esse hábito que vamos levar adiante, fará parte de fato da nossa rotina”, deseja Samara.

A escritora Cléo Busatto, Mestre em Teoria Literária pela UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina, autora de mais de 25 obras, entre literatura para crianças e jovens, teóricos sobre oralidade e mídias, acredita que a leitura pode ajudar a criança proporcionando distração e diversão nesse momento de isolamento social.

“Através da literatura, ela pode elaborar questões íntimas decorrentes do isolamento social, como a saudade dos amiguinhos da escola, que é um espaço socializador por excelência. Nesse momento em que a realidade se torna insustentável, quando o tédio toma conta da vida, a desesperança começa a bater na porta, os dias não passam, as ruas continuam desertas, mas não se pode descer para andar de bicicleta ou brincar, essa é a melhor hora de ler ou ouvir um texto literário inteligente e envolvente, daqueles que propagam a esperança”, orienta Cléo.

Literatura forma seres mais humanos, diz escritora

A escritora Cléo Busatto chama de “história com alma” os textos que trazem alívio e conforto. Geralmente são contos que apresentam temas universais, como os valores humanos, e são ideais para serem lidos em tempos de pandemia, quando o mundo precisará se ressignificar.

“A boa literatura torna o mundo mais habitável, nos desliga das preocupações e nos coloca num outro mundo, o da ficção, e é neste espaço imaginário que a criança poderá resolver seus conflitos internos. As boas histórias nos conectam com nossa essência, o que é de grande valia nesses tempos difíceis, e nos ajudam a manter a serenidade e o equilíbrio. Assim como o brincar, ler e contar histórias favorecem a presentificação do sujeito, o que pressupõe estar inteiro na experiência literária e se encontrar a partir dela. A literatura nos ensina a habitar poeticamente o mundo, condição essencial para viver, porque ela nos torna mais humanos, solidários, tolerantes e amorosos”, pontua.

Ela ressalta que a literatura tem um papel importante não só nesse momento de pandemia, mas também na formação da criança como um todo, pois através da ficção ela passa a ser e a viver o personagem, mas sem correr os riscos que ele corre.

“A literatura é formativa. Quando eu leio ou narro uma história, estou promovendo diversas experiências. Uma delas é o exercício da alteridade, ou seja, a possibilidade de viver o que o outro vive, ainda que ‘de mentira’. Essa criança que lê experimenta situações singulares sem sair da cadeira, por exemplo percorre florestas escuras, voa nas asas de um pássaro gigante, vive afetos nunca ou pouco vividos, como coragem ao enfrentar uma situação de risco, ou a tristeza provocada pela perda de alguém ou algo que está próximo dela. Essa condição de imaginar e experimentar situações no plano simbólico vai dotar a criança de recursos internos para enfrentar situações do dia a dia. Por isso a importância de ler e contar histórias às crianças. Com isso, nós as preparamos para a vida”, finaliza a escritora, que disponibilizou uma série narrativa com vídeos das suas histórias como um presente a todas as crianças que se encontram em casa.

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