Crianças e jovens que moram ao longo da avenida Tucunduba, no bairro da Terra Firme, em Belém, esqueceram a recomendação do isolamento social e foram para fora de suas casas brincar de empinar pipas e papagaios. Ontem, sob um forte calor, a rua parecia cenário de uma tarde de férias escolares. Todos aglomerados e despreocupados com qualquer risco de contrair a Covid-19. E o pior: muitos brincavam sob a falsa vigilância de pais e responsáveis, que da frente das residências, observavam tudo.
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Enquanto isso, comerciantes e lojistas já começaram a ajustar o horário de funcionamento dos estabelecimentos conforme as novas regras determinadas pelo decreto nº 609/2020 do governo do Estado. As novas medidas reajustaram os horários em que diversos setores econômicos podem funcionar, principalmente o do comércio, como uma das estratégias de conter a proliferação do novo coronavírus. Nos últimos dias, o que era perceptível nas ruas e em todos os bairros da cidade é que as lojas e feiras representavam os principais prontos de aglomerações e movimento de pessoas que desrespeitavam a recomendação de ficar em casa. Este cenário mudou nestes últimos dias, talvez por conta do feriado.
O fato é que, segundo os comerciantes, com o aumento de casos confirmados de Covid-19 no Pará e também com a determinação de medidas mais rígidas sobre o que pode funcionar, o movimento no setor do comércio tem reduzido.
Paulo Pires, 54, que tem uma loja de roupas no Entroncamento, contabilizava apenas uma venda de R$ 12, ontem. “Caiu. Caiu muito. Antes eu vendia cerca de R$ 500. O movimento está tão fraco que nem abro totalmente a loja. Atendo através das grades para evitar assaltos”, lamentou. O lojista não tem funcionários, o negócio dele é familiar. “Se tivesse funcionários não teria como pagá-los este mês”, disse.
Ele fechou as portas por volta das 17h, ontem, devido ao movimento fraco. “O decreto permite que o setor varejista funcione até às 20h e abra às 10h, mas estou reduzindo o horário mais que isso”, ressaltou Paulo. “Antes havia uma recomendação do Sindilojas (Sindicato do Comércio Varejista e dos Lojistas de Belém) para a gente funcionar até às 17h”, lembrou.
NOVA ROTINA
De máscara no rosto, a lojista Valdirene Silva, 42, observava o pouco fluxo de pessoas passando pelo local. “A gente trabalha se prevenindo. Usa máscara, álcool em gel. Abrimos para tentar vender algo, mas está difícil”, comentou. Para ela, a atualização do decreto foi importante para que todos os setores possam se organizar diante da pandemia. “Não pode funcionar tudo ao mesmo tempo, é verdade, mas não posso deixar de dizer que pandemia impactou no nosso trabalho. O faturamento caiu”, projetou.
O pouco movimento de pessoas no comércio foi bem diferente do observado em outras áreas da cidade. Principalmente nas comunidades mais populosas, como a periferia. Na Terra Firme, por exemplo, a molecada nas ruas era a principal preocupação para esse período de pandemia e isolamento social.
Eles, alegres, brincando com as pipas, é até uma cena bonita, mas totalmente inadequada para esses tempos. “Já cortei duas. Vou já subir essa outra (pipa) para dar mais um laço”, disse um garoto. Questionado se não estava com medo do coronavírus, respondeu que não. “Quando chegar em casa, eu vou tomar banho, tio”, completou.
A presença da reportagem não inibiu a brincadeira deles, mas gerou alguns olhares desconfiados e até irritados. “Está difícil segurar eles em casa. São crianças”, tentou justificar uma senhora. “Meu filho e meu neto estão ali”, apontou, depois disse que estava preocupada com a Covid-19, mas não acreditava que a brincadeira de rua pudesse ser perigosa. Os garotos ficaram até o entardecer na rua.
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