A pandemia causada pelo novo coronavírus tem produzido uma verdadeira corrida às farmácias em busca de vitamina C. Por causa disso, em alguns estabelecimentos esse produto está zerado no estoque. Mas vale lembrar, que não há nenhuma comprovação que essa vitamina possa proteger de alguma forma o organismo contra a Covid-19.
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A equipe de reportagem do DIÁRIO percorreu várias redes de farmácias de Belém para saber como estava a procura e o estoque dessa vitamina e o resultado é que a maioria já está sem o produto, principalmente para adultos.
Na Drogasil, localizada na avenida Almirante Barroso, próximo à Av. Júlio César, o estoque de vitamina C está zerado. “Estamos apenas com aquelas com ácido ascórbico”, informou a atendente na porta da farmácia. Na Extrafarma localizada também na Almirante, com a travessa Angustura, é possível comprar apenas a vitamina C infantil. No local, a equipe foi informada que o produto terminou há cerca de quatro dias e um novo lote deve chegar em breve.
Na Max Popular, localizada na avenida Pedro Miranda com a Angustura, no bairro da Pedreira, também não há o produto para compra, apenas os chamados complexos vitamínicos, que além da vitamina C possuem outros componentes, por isso têm um preço bem mais elevado que a embalagem que contem apenas a vitamina C. Já na mesma rede, mas na loja localizada na Gentil Bittencourt, no bairro de Nazaré, o produto está disponível apenas na forma de gotas, indicado para crianças e nos polivitamínicos.
LIMITAÇÃO
O mesmo ocorre na farmácia Ultrapopular, localizada na Pedro Miranda com a travessa Vileta, também no bairro da Pedreira, onde estão disponíveis apenas os polivitamínicos. Na Reinafarma, que fica na avenida José Bonifácio esquina com a Gentil Bittencourt, no bairro de São Brás, havia apenas um frasco de um miligrama de vitamina C, o restante disponível era na formulação infantil em gotas.
Na Formosa Farma, que fica entre avenida Humaitá, entre a Almirante Barroso e Rômulo Maiorana, o produto está disponível, sendo limitado a apenas três frascos por pessoas. Lá é possível comprar tanto na formulação para adultos quanto para crianças. Na Drogaria Globo, localizada na avenida Duque de Caixas, o produto está disponível na forma efervescente para adultos, em comprimido apenas na combinação com ácido ascórbico e em gotas para crianças. Na Farmácia Pague Menos também localizada na Duque de Caixas o produto está indisponível e sem previsão de chegada. Há somente polivitamínicos.
Orientações - Fiocruz
De acordo com informações da página da Fundação Fiocruz, uma das instituições de ensino e pesquisa mais respeitadas no país, “não há nenhuma evidência de que a utilização de vitamina C ou outra substância protejam contra o novo coronavírus. Portanto uma alimentação saudável é muito mais recomendável”, afirma a página da Fundação na internet. Apesar das pessoas terem acesso a essa vitamina sem receita médica, o que facilita a aquisição, o ideal de acordo com a orientação da página, é que o produto seja consumido sob a orientação de um profissional de saúde.
Vitaminas trazem benefícios, mas exigem cuidados
“Ativadoras de enzimas e que trabalham no combate aos radicais livres, as vitaminas funcionam como os soldadinhos de uma guerra, que levam nutrientes de um lugar para o outro no corpo”, diz Karina Hatano, professora de endocrinologia da Afya Educacional. E para que esse mecanismo funcione corretamente, é preciso consumir as doses certas de cada uma delas. Uma alimentação correta já seria o suficiente para que uma pessoa saudável garantisse todas as vitaminas necessárias para o bom funcionamento do corpo. Mas médicos e nutricionistas explicam o quanto isso pode variar, pela idade, pela região que a pessoa vive, por suas condições socioeconômicas ou por seus hábitos.
“A dieta equilibrada já seria suficiente para obter todos os micronutrientes de um corpo saudável, como os carboidratos, proteínas, gorduras e sais minerais. No Brasil, porém, cerca de 60% da população não consegue se alimentar de forma completa”, afirma Hatano. Isso ocorre por questões socioeconômicas e também geográficas. “A vitamina A, por exemplo, é muito consumida no Norte e Nordeste, porque há abundância de batata, de mandioca. Já quem mora no Sul tem deficiência de vitamina D, por falta de sol”, explica a médica.
Os sintomas de falta de vitaminas no organismo são muito variados porque dependem da vitamina que falta, por isso os multivitamínicos entraram na moda. Para Matheus Sanrromão, endocrinologista da Central Nacional Unimed, o solo brasileiro não entrega todos os nutrientes aos alimentos e, por isso, a suplementação é bem-vinda. “Por exemplo, a rocha vulcânica dá ao solo magnésio e o manganês. É bom porque não temos vulcão, mas isso deixa os alimentos pobres em alguns quesitos.”
O ideal é fazer check-ups anuais para saber como estão as dosagens de vitaminas no corpo e fazer essa análise de acordo com a idade e os hábitos do paciente. Se houver carência importante de alguma delas, o médico saberá dizer o quanto é preciso repor. Ingerir vitaminas e outros micronutrientes sem necessidade, prescrição ou acompanhamento profissional podem, sim, trazer malefícios, segundos os especialistas ouvidos pela reportagem.
“A vitamina D entrou na moda, e as pessoas tomam doses altas e passam do limite necessário do corpo. Descobriu-se que o déficit dela pode prejudicar a perda de peso, pode ter relação com a osteoporose, mas sua superdosagem pode gerar um processo inflamatório no organismo”, afirma Hatano.
O endocrinologista Renato Zilli lembra que as vitaminas em cápsulas não têm o mesmo efeito da vitamina que é consumida com as frutas e outros alimentos e que o excesso pode gerar sintomas simples até a morte. “É um processo demorado por ter dezenas de sintomas diferentes, mas é preciso tomar cuidado com o consumo exagerado.”
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