Unidades de pronto atendimento fechadas, reclamações sobre a falta de médicos, e o desespero de pacientes e acompanhantes que buscavam atendimento hospitalar. Era essa a cena vista durante toda à tarde de ontem (26), em frente às principais Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Belém. Mesmo sem o grande fluxo de pessoas e aglomerações nas portas de hospitais como ocorria em dias anteriores, a demora para conseguir atendimento continuava. Isso porque, quando as portas das unidades não estavam fechadas, haviam poucos ou nenhum médico para atender.
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A equipe de reportagem do DIÁRIO retornou mais uma vez nas unidades para verificar a situação nos atendimentos. E constatou que das UPAs visitadas na capital, apenas uma estava realizando novos atendimentos. Na UPA de Icoaraci, no início da tarde, a recepção estava praticamente vazia. Com sorte, as pessoas que estavam passando mal e chegavam ao local, eram logo atendidas.

Já na unidade da Sacramenta, a cena tranquila era porque as portas estavam fechadas. Ali, ninguém foi atendido durante todo o dia. Apenas um, dos poucos funcionários que apareceram para trabalhar, conversou rapidamente com a equipe de reportagem. Segundo ele, nenhum médico compareceu ao plantão deste domingo.
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Nossa equipe chegou em frente à UPA da Marambaia, que apresentava a mesma situação. Na frente dessa unidade, apenas familiares de uma senhora de 44 anos aguardavam um posicionamento para que ela fosse transferida para outro hospital mais equipado. Mas quem também chegava para tentar o atendimento, era informado que não havia possibilidade de receber a todos. Somente estados mais graves eram atendidos, informou a portaria do local.
Na UPA da Terra Firme, a procura no final da tarde foi bem pequena. Mas segundo uma pessoa que aguardava informações sobre o estado de saúde de uma parente que estava sendo atendida no lado de dentro, a situação foi totalmente diferente pela manhã. “Mais cedo, as pessoas chegavam quase desmaiando, mas não eram atendidas”, contou sem querer se identificar.
PEREGRINAÇÃO
Na UPA da Cidade Nova, em Ananindeua, o atendimento era feito de forma controlada, o que gerava preocupação de familiares e pacientes por conta da demora. “Meu primo chegou aqui com muita falta de ar, e não queriam atender. Só depois de muita insistência foi que ele entrou e o colocaram em isolamento”, disse Diane Souza, 29 anos, que estava acompanhando seu parente desde às 11h e só conseguiram ser atendidos horas depois.
“O que mais está matando, além do coronavírus, é a falta de atendimento nessas unidades de saúde”, foi o que disse Nazaré Sales, 55. Ela e a mãe, uma idosa de 80 anos, fizeram uma peregrinação em várias unidades de saúde, em busca de atendimento médico. Segundo a filha, a idosa começou a apresentar dificuldades para respirar, um dos principais sintomas da Covid-19. Em frente, ao Pronto Socorro Mário Pinotti, localizado na travessa 14 de março, a angustia tomava conta dela, e de outras pessoas que chegavam para tentar o atendimento, mas davam de cara com as portas fechadas.

Marco Aurélio, 25, estava desde as 12h aguardando por uma resposta sobre o estado de saúde de sua mãe que deu entrada no pronto-socorro na última sexta-feira (24), após sofrer um AVC. O jovem relatou como está o atendimento dentro da unidade que mantinha as portas fechadas nesse domingo. “Aqui está um caos. Lá dentro tem aglomeração de pacientes com Covid, no meio de quem não tem a doença. Os profissionais estão com medo de trabalhar e há falta de equipamentos de segurança para eles”, conta.
Segundo o acompanhante, os próprios médicos disseram a ele que estão trabalhando apenas com 20% do quadro de funcionários do PSM da 14. No Hospital de Pronto Socorro Humberto Maradei, do Guamá, um aviso na porta deixava claro a todos que não havia atendimento por conta da falta de médicos.
RESPOSTA - PREFEITURA
Em nota, a Prefeitura Municipal de Belém disse que, mesmo com o aumento do valor de plantões, EPIs completo e condições de atendimento, não está conseguindo o número ideal de profissionais para suprir as escalas nos Hospitais de Prontos-Socorros. E por conta disso, estão garantido apenas o atendimento dos pacientes que já estão no interior destes estabelecimentos de saúde, mas não há, por enquanto, possibilidade de receber novos pacientes.
O texto informou também que, “as UPAs em funcionamento em Belém, quando atingem a capacidade máxima de atendimento, suspendem temporariamente o recebimento de novos pacientes e retomam quando há possibilidade de receber novos usuários”.
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