No segundo dia de fechamento do comércio em Belém, os vendedores ambulantes mantiveram as atividades em vários pontos da cidade. A maioria justificava que não terão como deixar de trabalhar por causa do sustento da família. Nas ruas do centro comercial, na tarde de ontem, foi possível encontrar lojas de confecções e departamentos de portas abertas, mesmo cenário observado em outros pontos da cidade. As novas normas do decreto municipal nº 95.955, atualizado e publicado no início desta semana, suspendem o funcionamento do comércio e das atividades não essenciais na capital paraense por tempo indeterminado. A medida visa combater a proliferação do novo coronavírus.
Covid-19: Pará tem 2.586 casos confirmados e 156 óbitos
“Não está fácil. Tive de vir trabalhar, do contrário minha família passará necessidade”, disse Thomé Rodrigues. “Eu sei que estou me expondo ao risco de contágio, mas é meio único meio de sobrevivência e sustento”, prosseguiu. Ele mantém uma banca onde vende água mineral, na rua Santo Antônio. Ontem encerrou o expediente mais cedo. Às 15h, já se preparava para voltar para casa. “Hoje não vendi quase nada”, disse sorrindo, acreditando que dias melhores estão próximos. “É ter fé”, frisou.
ROTINA
Thomé fazia parte de um vasto grupo de trabalhadores informais – vendedores ambulantes e camelôs – que continuou com as atividades no centro comercial de Belém, contrariando o decreto. Questionado sobre o auxílio emergencial, respondeu que o processo dele ainda está em análise e deixou de acreditar que irá receber. “O jeito é trabalhar, amigo”, ressaltou. Ele também reforçou que durante a manhã guardas municipais passaram pelo local fiscalizando se havia alguma loja de portas abertas.
O jeito bem-humorado de Thomé chamava a atenção de quem passava pelo local. Inclusive, foi o único que topou conversar com a equipe de reportagem. Os colegas de trabalho dele estavam incomodados com a presença dos jornalistas no local. Faziam piadas e gritavam “lá vem cagueta”, diziam em tom ríspido.
À tarde, duas lojas na rua Conselheiro João Alfredo funcionavam normalmente, apesar de não ter clientes dentro. Uma das lojas era a ‘Studio Z’, onde ninguém quis dar entrevistas.
Ao longo da avenida Presidente Vargas também era grande o número de vendedores ambulantes. Eles também se mostravam incomodados com a presença da equipe de reportagem do DIÁRIO. O mesmo cenário foi observado no bairro da Pedreira.
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar