Com a queda de movimento na cidade durante a pandemia do novo coronavírus, taxistas têm sofrido com queda do lucro na profissão e falta da renda mensal que ajuda no sustento. Além disso, profissionais sofrem com a angústia de estarem expostos à Covid-19, já que precisam se manter no trabalho para sobreviver e, mesmo adotando todas as medidas de precaução, os relatos de motoristas que contraíram a doença são grandes.
Covid-19: Pará tem 2.586 casos confirmados e 156 óbitos
Ambulantes vivem drama com decreto em Belém
O número de corridas diminuiu drasticamente, profissionais com idade mais avançada foram obrigados a parar de trabalhar para evitar o contágio e, aqueles que ainda continuam nas ruas, foram atrás do auxílio emergencial paragarantir um complemento na renda.
Entre eles está o taxista Anselmo Soares, que já até recebeu a primeira parcela de R$ 600, mas se viu obrigado a continuar trabalhando, uma vez que o valor não é capaz de garantir o sustento da família. “Eu já recebi o auxílio do Governo Federal. Também solicitei empréstimo do Governo Estadual e estou aguardando me chamarem. Muito colegas já pegaram e até ajuda, mas não substitui a renda que a gente tinha no trabalho”, afirma.
No ponto de táxi onde Anselmo trabalho, uma fila de veículos tomava conta com motoristas aguardando por clientes. “Caíram pelo menos 90% as corridas. Antes tirávamos de R$ 150 a R$ 200 por dia. Agora mal conseguimos chegar a R$ 30. Infelizmente não tem o que fazer”, lamentou.
O diretor do Sindicato dos Taxistas de Belém, Francisco das Chagas Neto, afirmou que além do risco de contágio com a Covid-19, muitos motoristas têm ficado deprimidos com a queda no faturamento em uma crise que ele, com 25 anos atuando na área, nunca tinha presenciado. “Essa é a crise mais grave que eu peguei. Nunca pensei que teríamos algo do tipo. Diminuímos o número de carros, de corridas. A autoestima da categoria está baixa, antes tínhamos cerca de mil corridas por mês, agora mal chega a cem corridas”, declarou.
Ele confirmou que taxistas já perderam a vida devido à doença e afirma que muitos não sabem o que fazer, já que estão expostos com os clientes atendidos, sem saber se estão com Covid-19 ou não. “Eu mesmo na última sexta-feira peguei apenas três corridas. Todas foram para o hospital. Semana passada perdemos um amigo taxista. Saímos para trabalhar e não sabemos se voltaremos”, completou.
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar