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PARÁ QUE ORGULHA E TRANSFORMA

Voluntários e agricultores em Belém e Santa Bárbara mostram como fazer agricultura sustentável

A série Pará que Orgulha e Transforma, do DIÁRIO, apresenta exemplos de indivíduos e comunidades que tomam para si a missão de desenvolver iniciativas voltadas para melhorar a vida das pessoas. Para esta semana, o tema é “Fome Zero e Agricultura Sustentáv

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Imagem ilustrativa da notícia Voluntários e agricultores em Belém e Santa Bárbara mostram como fazer agricultura sustentável camera Fazer uma agricultura sustentável é uma preocupação dos agricultores que compõem a Associação | Divulgação

A série Pará que Orgulha e Transforma, do DIÁRIO, apresenta exemplos de indivíduos e comunidades que tomam para si a missão de desenvolver iniciativas voltadas para melhorar a vida das pessoas. Para esta semana, o tema é “Fome Zero e Agricultura Sustentável”, que mostra o trabalho feito pelo Grupo Ação Solidária Belém, que visa levar comida para pessoas em situação de vulnerabilidade econômica e social.

Além disso, vai apresentar o trabalho desenvolvido pela Associação dos Trabalhadores Rurais Agroecológico Expedito Ribeiro, localizada no município de Santa Bárbara, na Região Metropolitana de Belém, que produz alimentos de forma sustentável, sem o uso de produtos químicos, dando preferência pelo método da compostagem e o uso de defensivos naturais.

Na década de 1990, o sociólogo Herbert de Souza, conhecido como Betinho, tornou-se símbolo de cidadania no Brasil ao liderar a Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida, conhecida como a Campanha Contra a Fome. É dele a frase “Quem tem fome tem pressa”.

É essa a compreensão de uma das coordenadoras do Grupo Ação Solidária Belém, a neuropedagoga clínica Francisca Moraes, conhecida como Fran. “Quem tem fome não tem como esperar”, diz. O grupo com cerca de 100 integrantes se reúne há oito anos guiado pelo desejo de levar às pessoas em situação de vulnerabilidade econômica e social itens como alimentos e materiais de higiene.

Um dos públicos alvo do grupo é formado por pessoas em situação de rua, mas a ajuda também chega a asilo e ambulantes.

Uma das frentes de atuação do Ação Solidária Belém é responsável por arrecadar alimentos, transformá-los em refeições e distribuí-las para pessoas em situação de rua e ambulantes. “Estamos conseguindo atender a cerca de 200 pessoas em cada ação. Nosso objetivo é ultrapassar essa marca porque, a cada ação, percebemos um aumento na demanda, um crescimento no número de pessoas vivendo nas ruas”, diz. Tudo o que é arrecadado e produzido é distribuído em pontos da cidade.

Cada integrante do grupo contribui com o que pode e todos entram na campanha para arrecadar alimentos e materiais de higiene. “Temos aqueles que doam, ajudam a arrecadar, ajudam nas entregas, que cedem as cozinhas de suas casas para prepararmos as refeições. Enfim, há várias formas de colaborar”.

Mais recentemente, por conta da pandemia causada pelo novo coronavírus, além dos alimentos e do material básico de higiene, outros itens foram incluídos nas ações. “Estamos colocando também um pouco de álcool em gel e uma máscara de proteção para que eles possam ter alguma proteção”, explica.

DOAÇÕES

A pandemia levou a uma queda no número de doações. “Estamos tentando fazer essa ação pelo menos uma vez ao mês. Mas está mais difícil conseguir doações, porque é muito grande o número de pessoas necessitadas e nem sempre o que conseguimos é suficiente. Mas estamos trabalhando no sentido de aumentar as doações”.

Para Fran, ajudar as pessoas a terem acesso às suas necessidades mais urgentes é algo essencial. “A fome dói e dói muito. Vejo isso nos olhos das pessoas que recebem as refeições, um desespero e ao mesmo tempo uma gratidão imensa por aquilo que estamos fazendo. Amo esse trabalho de rua, esse trabalho social”, diz ela, que integra o grupo há seis anos.

SÉRIE

O ‘Pará que Orgulha e Transforma’ abordará vários exemplos de agentes transformadores. Ao longo das próximas matérias, será possível conhecer soluções criadas para transformar a vida da sociedade no que diz respeito ao uso consciente da água potável e ações de saneamento; à promoção de uma energia limpa e acessível; ao campo da indústria, da inovação e da infraestrutura; ao que se refere ao consumo e a produção responsáveis; e à promoção de cidades e comunidades sustentáveis.

Associação incentiva a agricultura sustentável

O sociólogo Betinho, que faleceu em 1997, vítima de complicações causadas pela Aids, analisou também a relação da agricultura com a fome. Para ele, “na luta contra a miséria, a agricultura é fundamental”. E a agricultura sustentável proporciona segurança alimentar, pelo fato de não deixar de cumprir seu papel econômico, mas com a preocupação de gerar um alimento de qualidade, com baixo impacto ambiental.

Desde quando foi fundada em 2007, a agricultura sustentável foi uma preocupação dos 38 agricultores que compõem a Associação dos Trabalhadores Rurais Agroecológico Expedito Ribeiro, localizada em Santa Bárbara.

O presidente da entidade, Adinael Barradas, vem de uma família de agricultores e há 15 anos desenvolve trabalho com a agricultura familiar no município. “Cada agricultor aqui da nossa comunidade tem a sua área individual e, além disso, temos uma área coletiva de cerca de um hectare onde são plantadas diversas culturas”, afirma.

Produção se dá sobretudo pelo método da compostagem e o uso de defensivos naturais
📷 Produção se dá sobretudo pelo método da compostagem e o uso de defensivos naturais |Divulgação

“Nesses espaços, tanto individuais como coletivos, fazemos de tudo para não usar nenhum produto químico, dando preferência pelo método da compostagem e o uso de defensivos naturais. Desde que começamos a associação adotamos a agroecologia por acreditar que ela é a forma mais correta de produzir alimentos saudáveis sem gerar danos ao meio ambiente”, diz.

CULTURAS

Dessa forma, são produzidas diversas culturas como hortaliças, que vão do coentro, alface, couve, chicória, cebolinha, passando pelo jambu e outros. Tudo sem agrotóxicos. Nas propriedades, o cultivo de frutas também é intenso. “Plantamos açaí, cupuaçu, pupunha, cacau, mangostão e biribá, entre outros”.

Tudo o que é produzido pela associação tem destino certo. Além de alimentar as famílias associadas, abastecem as feiras e mercados do município e parte da produção de hortaliças é encaminhada para compor a merenda escolar oferecida em escolas públicas municipais. A produção também é escoada para abastecer mercados de outras cidades como Belém, Ananindeua e Marituba.

Todas as deliberações e orientações sobre a produção da associação são discutidas e repassadas por meio de assembleias periódicas, que também servem para orientar as 138 famílias que vivem na comunidade de Expedito Ribeiro, onde a entidade fica localizada. Essa forma de gerenciar a produção, segundo ele, vem dando certo.

“Ela foi essencial para o nosso desenvolvimento aqui dentro da comunidade. Procuramos ter muita transparência com o uso dos recursos quando eles entram e, com isso, ganhamos a confiança dos associados, das pessoas da comunidade e de nossos parceiros. E isso desenvolveu muito nossa comunidade. Conseguimos construir nossa sede própria e adquirimos um veículo que nos ajuda na distribuição da produção. Não estaríamos onde conseguimos chegar hoje se não trabalhássemos com esses princípios”.

READAPTAÇÃO

A organização e o trabalho baseado na sustentabilidade são pilares que ajudam a associação a passar por esse momento causado pela pandemia. “Como as escolas estão sem aulas e tivemos uma redução nos pedidos de produtos que eram vendidos para as feiras e mercados de outros municípios, nossa produção atualmente tem sido voltada para abastecer apenas o mercado local e as nossas famílias e aos animais que criamos. Até agora nada foi perdido e tudo está sendo reaproveitado de alguma forma e acreditamos que, com isso, vamos conseguir passar por esse momento tão complicado para todos”.

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