Com a perda de renda por parte de muitas pessoas por causa da pandemia - trabalhadores tiveram salários e jornadas de trabalho reduzidos e autônomos seguem com dificuldades para manter a renda familiar- a tendência é de que as dívidas aumentem, já que há pessoas que não estão conseguindo arcar com seus compromissos.
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Para quem tem uma reserva financeira ou quem fez o saque do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e pode utilizar os valores, sem comprometer o orçamento nos próximos meses, a orientação é tentar renegociar essas dívidas. Mas, de acordo com a educadora financeira Ana Ferrari, antes de tudo, a pessoa precisa ter conhecimento da atual receita familiar. Ou seja, se diminuiu, para quanto diminuiu e quanto se tem disponível para os pagamentos de dívidas.
Para que cada um consiga arcar com as despesas mensais, é importante ressaltar que as dívidas não podem comprometer mais que 30% do orçamento familiar. Ou seja, se a pessoa já sabe o que tem em caixa e quanto poderá comprometer com o pagamento de dívidas, chegou o momento de colocar na ponta do lápis todos as despesas fixas e variáveis. Outra dica é acessas os sites da Serasa e SPC que lista as dívidas contidas no CPF.
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PLANEJAMENTO
“O ideal é que esse planejamento descreva todos os gastos de janeiro a dezembro para se ter uma visão ampla do que compromete o orçamento. Tem de saber qual a atual situação do orçamento, para somente depois entrar numa negociação que caiba nesse orçamento”, explicouAna Ferrari.
As dívidas que devem ser priorizadas são aquelas mais essenciais, tais como água, energia elétrica e o aluguel. A mensalidade escolar dos filhos é outro item importante, além de telefone, internet, financiamentos e o cartão de crédito.

“Todas essas dívidas você consegue entrar no site de cada empresa para negociar. Mas a primeira pergunta é se o valor das dívidas está dentro do limite do orçamento que pode ser comprometido. Pessoas que tinham uma reserva acabam tendo um valor para negociar à vista. Mas só vale a pena se for um desconto significativo. Se não, é preferível manter a reserva e pagar parcelado”, pontuou a especialista.
Em casos de financiamentos e dívidas com cartão de crédito/cheque especial, as instituições bancárias estão suspendendo esses pagamentos, por exemplo por 60 a 90 dias, e colocando as parcelas para o final das prestações.
O mesmo ocorre com o cartão de crédito. Mas Ana Ferrari lembra que, se for possível, o ideal é que esses pagamentos sejam feitos dentro do prazo. “A pessoa pode renegociar para pagar logo. Quitar esse tipo de dívida a longo prazo é uma alternativa somente para quem teve uma redução de receita significativa”, disse.
SAIBA COMO RENEGOCIAR DÍVIDAS
- Se você teve o salário e jornada de trabalho reduzidos ou é informal e não está conseguindo honrar com seus compromissos, a primeira medida é fazer uma avaliação e colocar na ponta do lápis a atual renda familiar. Em seguida, liste as dívidas que possui no momento e também no prazo de um ano, para ter uma visão ampla da situação financeira.
- Para saber quais dívidas constam no CPF e renegociar, é valido acessar os sites : Serasa atendimento ; Serasa limpa nome; SPC Brasil.
- Priorize quitar o que for essencial, como despesas com água, energia elétrica, alimentação, telefone, internet e aluguel.
- No caso da energia elétrica e conta de água, é possível renegociar as dívidas também acessando o site das concessionárias.
- Já a mensalidade escolar pode ser renegociada entrando em contato direto com a instituição de ensino.
- Internet e telefone: Se você está utilizando esses recursos para fazer o trabalho home office, ou seja, são essenciais para adquirir receita, tente renegociar com as operadoras, considerando como um serviço essencial. Caso contrário, é possível negociar pacotes de internet e de telefone mais em conta com as operadoras.
- Se o cidadão possui dívidas com instituições bancárias, por exemplo, com cartão de crédito e financiamentos, o ideal é procurar a instituição para tentar renegociar as dívidas.
- Aluguel: o inquilino precisa conversar com o proprietário do imóvel, avaliando duas situações. É preciso saber se ele tem condições de reduzir o aluguel ou se não pode. A negociação precisa atender as necessidades de ambas as partes.
- Financiamento de imóveis: quando a pessoa tem imóvel e tem uma queda de juros, você consegue fazer uma espécie de portabilidade. Para solicitar o abatimento e ter parâmetros para isso, faça uma simulação da sua dívida em outras três instituições bancárias e leve ao seu banco para ter embasamento de quanto pode renegociar para pagar as parcelas.
- Cartão de crédito e cheque especial: são dívidas que também precisam ser renegociadas diretamente com a instituição bancária.
- Controle: é crucial cortar gastos com despesas que não são essenciais. E, além disso, é preciso fazer um consumo consciente de recursos como energia elétrica, água, gás e de alimentos, evitando desperdícios.
- Se for ao supermercado, faça uma listinha para não levar pra casa itens desnecessários. Em casa, reúna a família para estabelecer medidas de economia de água e luz.
- Sobre gastos com TV por assinatura, por exemplo. Se é um momento para contenção de gastos, avalie suspender essa despesa temporariamente.
Fonte: educadora financeira Ana Ferrari
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