Ainda era noite de ontem (3), em pleno domingo, mais de 12 horas para abertura das agências da Caixa Econômica Federal (CEF), mas já concentravam um bom número de pessoas, em Belém. O motivo era marcar lugar para garantir o saque do auxílio emergencial no valor de R$ 600, concedido pelo governo federal aos autônomos nesse período da pandemia do novo coronavírus, devido a aglomeração de pessoas em filas quilométricas nos horários comerciais, que desrespeitam o distanciamento mínimo de 1,5 metros, tão logo que as agências abram, que está previsto o atendimento de 8h às 14h.
A equipe do DIÁRIO do Pará percorreu as ruas de Belém e encontrou algumas agências da CEF, já com pessoas aglomeradas que tiveram o cadastro aprovado para o recebimento do auxílio. A agência localizada na avenida Pedro Miranda, no bairro da Pedreira, foi uma das registradas, onde já existia pessoas ainda pela manhã. “Teve gente que chegou umas 10 horas da manhã. Passou as horas e foi chegando mais pessoas e agora (ontem) a noite, a fila já está se aproximando da Barão (travessa). Coitado quem vir amanhã (hoje) de manhã, vai pegar uma fila não sei onde”, disse Paulo Ramos, 43 anos, autônomo.
Independente do horário, quem já marcava seu lugar na fila em frente à agencia da CEF da Pedreira estava preparado para passar a madrugada. Uns já deitados sobre papelões e embrulhados em lençóis, outros em cadeira de descanso, todos com o mesmo objetivo de garantirem o recebimento do auxílio emergencial. “A gente sabe como está a situação pra sacar esse auxílio, são muitas filas. Então, todo mundo que está aqui está com o mesmo objetivo e estão dispostos a passar a noite todinha, seja dormindo ou não, para receber esse dinheiro”, declarou Paulo Assunção, 51 anos, autônomo.
A equipe do DIÁRIO flagrou a mesma situação na CEF localizada na avenida José Malcher, no bairro de São Brás. No local, entre os que estavam na fila, tinham pessoas até de Mosqueiro, Distrito de Belém, já que não possui agência do banco. “Como lá não tem Caixa, saí de casa umas 16h pra chegar aqui em São Brás pra me garantir amanhã quando o banco abrir e já tinha essa fila que já está grande”, disse Rogério Sousa, beneficiado pelo auxílio emergencial.
A tentativa de chegar cedo como forma de garantir os primeiros lugares não evitou a aglomeração de pessoas, já que filas quilométricas já estavam formadas que ilustra como será no decorrer do dia. Mas, as pessoas que estavam desde ontem nas filas foram unânimes em dizer que passaram esse risco devido a necessidade vivida, que piorou durante a pandemia. “Ninguém aqui gostaria de estar passando por isso. Temos nossas necessidades, contas a pagar e sustentar nossas famílias, além da necessidade de comprar remédio se a gente contrair essa doença. Infelizmente não disponibilizaram um sistema do banco pra evitar essa situação. Então, estamos passando por isso”, concluiu Nazareno Raiol, 44 anos, autônomo.
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