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SAÚDE

Fique atento! Isolamento social pode aumentar vícios

Tabagismo, consumo de bebida alcoólica, internet, jogos eletrônicos, compras e comida. Esses são alguns dos vícios mais comuns que atingem a população e que podem ser desencadeados durante o distanciamento social pelo estado de privação. De acordo com esp

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Imagem ilustrativa da notícia Fique atento! Isolamento social pode aumentar vícios camera Um dos vícios que podem aumentar é o de comprar mais pela internet | MARCELLO CASAL JR / AGÊNCIA BRASIL

Tabagismo, consumo de bebida alcoólica, internet, jogos eletrônicos, compras e comida. Esses são alguns dos vícios mais comuns que atingem a população e que podem ser desencadeados durante o distanciamento social pelo estado de privação. De acordo com especialista, costumes como esses são automáticas e já fazem parte da sobrevivência de muitas pessoas, mas precisam ser controladas mesmo durante a pandemia para não se tornarem exageradas e causarem problemas.

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“Todos nós precisamos de rituais para desenvolver nossas tarefas diárias, de higiene, de exercício físico, de produção do nosso alimento, lazer e etc... Isso é aprendido desde a infância, muitas vezes, executado de forma automática. Mas quando oferece danos ao indivíduo, levando mais tempo que o ‘normal’ ou maior gasto de energia para executá-lo, de forma exagerada, podemos pensar em vício. E quando o indivíduo não consegue controlar seus impulsos, poderemos pensar em algo mais sério, como as compulsões”, explica Manoel Alberto Borges, psicólogo clínico.

De acordo com o especialista, estudar, trabalhar e fazer atividades físicas são outros costumes, mas considerados normais. Ele afirma que com a quarentena e o avanço da tecnologia, é possível desenvolver tudo pela internet, como compras por aplicativos, seja de objetos ou comida, bebida, jogos eletrônicos, consumo de conteúdos pornográficos, site de relacionamentos, entre outros. “No entanto, quando o ser humano se encontra em estado de privação, tudo fica mais intenso, podemos agir por instinto”, diz.

Alberto afirma que embora o desenvolvimento dos vícios também esteja associado com a criação oferecida a cada pessoa, eles estão ligados à busca do prazer. Por isso, a maioria das pessoas estão suscetíveis. “Geralmente se dá quando, de certa forma, não alcançamos algo esperado e de forma inconsciente procuramos compensar ou fugir desta ‘frustração’. Até uma forma de não encarar a realidade, desenvolvemos vícios “prazerosos” e permanecemos neles”, detalha.

CONSCIÊNCIA

Para controlar os impulsos e não tornar os hábitos como vícios, o psicólogo explica que o primeiro passo é tomar consciência deste exagero (vício), que pode ser sinalizado por pessoas próximas, amigos, família e cônjuge. “Segundo é reconhecer sua impotência diante desta situação. Nada de: eu paro quando eu quero, só desta vez e etc...”, destaca.

Terceiro passo é buscar mudar o foco, saber que não necessita deste comportamento para sobreviver e buscar desenvolver outra tarefa. “Se for física, melhor ainda, pois a atividade física libera hormônios importantes para o equilíbrio emocional do indivíduo, como por exemplo a endorfina, que é responsável pela sensação de bem-estar, o hormônio do prazer”, descreve Alberto.

Ainda segundo ele, também é necessário manter uma rotina, colocando no papel e deixa-lo visível e procurar fazer o checklist diário. O objetivo é manter o cérebro em uma rotina semelhante aos dias normais, de forma automática e obrigatória. A alimentação saudável é aliada nesse processo, com a ingestão de verduras, frutas e legumes que darão a saciedade sem o “peso” que pode impedir de executar as tarefas. Além disso, o psicólogo orienta a prática do exercício de respiração e meditação, pois ele aumenta a produção de endorfina, serotonina e dopamina, hormônios responsáveis pela felicidade.

Com relação às crianças que, por conta da suspensão das aulas, também passaram a ficar mais tempo dentro de casa, Alberto recomenda repassar a elas comportamentos de tranquilidade e equilíbrio. Ele diz que é importante interagir com as crianças. “Somos responsáveis pelo que causamos ao próximo e de certa forma, pela lei do retorno que volta pra gente. Então vamos procurar, na quarentena, nos estudar e evoluir para podermos oferecer o nosso melhor a humanidade”, diz Alberto.

Profissionais que não podem seguir isolamento precisam cuidar da saúde mental

Desde o dia 20 de março o Estado do Pará segue sob o decreto de isolamento social, como medida necessária ao combate à pandemia de Covid-19. A medida afetou a rotina de muita gente: escolas públicas suspenderam atividades; shoppings foram fechados, assim como outros estabelecimentos que poderiam gerar aglomeração de pessoas.

A permanência em reclusão tem favorecido o abalo da saúde mental de pessoas com algumas pré-disposições, pela dificuldade de adaptação à nova rotina. A psiquiatra Daniele Boulhosa explica como isso acontece: “A pandemia pode gerar transtornos de ansiedade e depressão em pessoas vulneráveis, por exemplo, as já naturalmente ansiosas ou pessimistas, e está gerando descompensação dos sintomas de pacientes que faziam tratamento, mesmo aqueles que estavam estabilizados”.

Mas não são apenas as pessoas que passam mais tempo dentro de casa que são afetadas. Muita gente ainda precisa sair com frequência, principalmente profissionais que não puderam aderir ao formato de trabalho home office, como médicos, policiais, jornalistas, bombeiros. Estes continuam tendo que conviver com o risco de exposição à doença, além da preocupação de ser um transmissor do vírus para os familiares com os quais mora.

Para essas pessoas, o risco de ter a saúde mental afetada também é grande. “Infelizmente, muitos profissionais ficam com o controle emocional abalado, então se impressionam mais facilmente e isto pode gerar algum adoecimento mental e físico”, avalia a psiquiatra. Por isso, o autocuidado dessas pessoas precisa ir além do uso de equipamentos de proteção individual para evitar a contaminação: é preciso cuidar da mente também.

Nestes casos, Daniele indica alguns cuidados gerais que podem ser aplicados para prevenir o desenvolvimento desses problemas: “é bom evitar a superexposição às notícias diárias, separar algum tempo para atividade lúdica, exercício físico, e mesmo fortalecer a espiritualidade, do modo mais conveniente”.

Para aqueles que podem estar com alguma condição mental desfavorável, a especialista orienta a procura por auxílio profissional: “tenho visto grupos de apoios voluntários de psicólogos e psiquiatras para profissionais de saúde e poderia ser estendido pra os outros profissionais também”.

Por isso é preciso ficar atento a alguns sintomas, quando eles forem persistentes e começarem a interferir na rotina pessoal, social ou familiar do indivíduo. “Por vezes não conseguimos perceber nossos comportamentos, mas pessoas próximas podem dar um feedback de atitudes que antes não existiam, como a irritação, e termos consciência que isto não é normal”, orienta Daniele.

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