Medo. Saudade. Preocupação. Sentimentos típicos das mães desde o momento que descobrem, no ventre, a existência dos filhos e que não passam mesmo quando eles se tornam adultos. Coragem. Fé. Esperança. São o alimento de suas almas para superar as dificuldades potencializadas em tempos de pandemia do novo coronavírus. No Pará, quatro mães comemoram a vida neste domingo e mesmo sem se conhecerem, o desejo delas é um só: ter saúde para cuidar dos filhos e vê-los também saudáveis protegidos da Covid-19.

Elinalma de Fátima Barbosa Lima, 63 anos, ganhou um presente especial: a recuperação da doença. A aposentada ficou 10 dias internada no Hospital Regional Dr. Abelardo Santos, em Icoaraci, para tratamento contra síndrome respiratória aguda grave. “É muito difícil, Jesus e o Espírito Santo me deram muita força. É uma guerra, mas junto com toda a equipe de saúde nós vencemos. Estou em casa para passar o dia das mães junto das minhas filhas, meu marido e meus netos. Só tenho a agradecer porque elas estavam em todos os momentos na porta daquele hospital para saber da minha saúde”, lembrou Elinalma.
No mesmo hospital, a enfermeira Geórgia Espíndola está na linha de frente, no setor de triagem, desde o dia 30 de abril, quando a urgência da Unidade passou a receber pacientes com os sintomas. “Está sendo muito bom poder dar esperança e alento para esse povo que está desesperado. Eles não tinham atendimento em outros lugares e agora todos saem atendidos e medicados. Sou muito feliz por ter oportunidade de contribuir para isso”, contou a profissional.

Mãe de três filhos, de 4, 13 e 20 anos, Geórgia precisa tomar todos os cuidados para mantê-los protegidos. “Eu amo ser mãe e eles são filhos maravilhosos que me apoiam. Os maiores cuidam do menorzinho para que eu possa trabalhar tranquila e entendem que é importante, muitas pessoas precisam do meu trabalho. Oramos sempre para Deus nos preservar a saúde e para que essa pandemia passe”, afirmou a enfermeira que, devido aos plantões anteriores, conseguirá passar o domingo em casa.
A soldado da Polícia Militar Maiara Silva é mãe de um menino de 9 anos e também está trabalhando na segurança pública durante a pandemia. “Esse ano está sendo totalmente diferente. Não vamos ter como de costume aquele almoço, aquele abraço, aquela reunião familiar que é uma característica dessa data. Eu espero que esse ano todos nós possamos sair fortalecidos. Uma provação para valorizarmos o carinho, o toque, o abraço...”, ponderou a militar.

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Para ela, ser policial militar e mãe, em meio a todo o caos, é uma missão árdua. “Vejo mães perdendo seus filhos, filhos perdendo suas mães de maneira tão precoce e, às vezes, eu me sinto um pouco de mãos atadas. Eu vejo que a gente é tão pequeno perto de tantas coisas que vem acontecendo. A única coisa que posso fazer é levar uma palavra de ajuda, uma orientação, auxiliar alguém que esteja precisando”, complementou a policial.
Carinho com os filhos e colegas de profissão
O cuidado com o outro é também uma característica de Jonhilda Cardoso, gerente de operação e fiscalização, função que ocupa há três anos no Departamento de Trânsito do Pará (Detran). “Graças a Deus estou com a minha família, meu marido está em casa, meu filho que é da Marinha Mercante, mas não está embarcado, e minha mãe, de 74 anos. Eu me sinto muito bem e tento transmitir isso para os meus outros filhos”, falou se referindo aos 200 agentes de trânsito que fazem parte de sua equipe.
“Este ano não poderei ir à casa da minha sogra, da minha madrinha, ficarei rezando que é o que podemos fazer. Todo dia ao chegar do trabalho faço uma oração em família pelo retorno. Também chamo o pessoal para pedir proteção nessa batalha que estamos todos os servidores, na segurança pública e principalmente na área da saúde”, afirmou.
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