Reuniões virtuais, atendimento remoto, home office. A necessidade de distanciamento social em decorrência da pandemia do coronavírus trouxe à tona um cenário que, segundo especialistas, deverá se estabelecer no mercado de trabalho para além do período da pandemia. Independentemente da área de atuação, o momento é o de profissionais repensarem o seu papel e se reinventar para atender às novas perspectivas profissionais que estão por vir.
Professora do Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade da Amazônia (Unama), Regina Cleide Teixeira não tem dúvidas de que parte das transformações provocadas pela pandemia nas relações de trabalho será permanente. “A tendência é esse cenário se consolidar, com novas concepções de profissões e cenários de trabalho. As empresas vão se tornar mais virtuais do que já são hoje”.
Dentre as mudanças previstas e iniciadas, Regina destaca o home office, dentro da concepção de teletrabalho, e ainda o trabalho remoto, que não necessariamente é realizado em casa, mas também dentro da empresa em reuniões com clientes, por exemplo.
A consolidação de tais práticas no mercado pode gerar mudanças no próprio contrato de trabalho, no caso de profissionais que já estejam inseridos no mercado. “O contrato pode ser modificado para atender ao home office. Vários fatores vão ter que ser analisados nesse contrato, desde a adequação de mobiliário e equipamento, se a empresa vai ceder ou não, tudo isso vai ter que estar dentro do contrato”, aponta. “Começamos um processo de concepção de mudança do conceito de trabalho que vai desde o operacional até o executivo”.
Diante da necessidade de um distanciamento mínimo entre as pessoas, Regina destaca que a possibilidade de implantação de um conceito híbrido também pode demandar readequações na carreira de certos profissionais. “Existe perspectiva de que vamos ter aproximadamente um retorno de 40% da mão de obra para as empresas. O restante vai fazer home office, vai trabalhar remoto? Aí surge o conceito do híbrido e com isso vamos ter que nos qualificar”, destaca. “Vão ser cobradas mudanças em nossas competências, habilidades e atitudes”.
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A professora aponta que cada trabalhador deve iniciar um processo de busca por conhecimento de novas competências, habilidades, atitudes e até mesmo de novas motivações para que ele consiga acompanhar a tendência. “Não estávamos acostumados a participar de reuniões por videoconferência, trabalhar oito horas direto na frente de um computador, os e-mails estão mais presentes do que nunca. Então tudo isso traz a necessidade de absorção de conceitos de novas tecnologias”.
Cabe ao profissional, neste momento, parar e refletir sobre qual domínio da tecnologia ele possui e se este nível é suficiente para atender às necessidades do mercado. A especialista aponta que este é o primeiro passo diante da reestruturação da carreira. “Cada profissional que já tem a sua formação precisa entender quais são as tendências do seu mercado”, aponta. “Se eu sou um contador, devo perceber que o contador tradicional não se adequa mais a essa realidade de trabalho, então que competências eu vou ter que buscar? O administrador que eu sou hoje sabe trabalhar com empreendedorismo digital, mentoring? A função de consultor de vendas tradicional que ia até a empresa para fazer relacionamento vai ter que mudar a sua postura porque a população mundial está mudando os seus hábitos de consumo, esse relacionamento passa a ser virtual”.
TENDÊNCIAS
Estimulada pelos novos hábitos impostos pela pandemia, a demanda por profissionais de tecnologia da informação deve colocar a função, mais do que nunca, no topo do mercado de trabalho, porém, com o diferencial da atenção à questão da inovação. “As pessoas vão ter mais medo de sair de casa e, com base nisso, as empresas vão ter que se reinventar”, aponta. “Estamos migrando para uma sociedade 5.0, que vai se preocupar com o fator humano e a necessidade da tecnologia para isso”.
Outra tendência está na função de cuidador, mas, com a necessidade de adequação à nova realidade. “Temos muitos idosos precisando de cuidadores, mas o mercado precisa de profissionais que tenham um curso técnico de enfermagem, um curso superior de enfermeiro, ou seja, que tenham algum conhecimento na área da saúde e que se especialize no cuidado com o idoso”.

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