Após 29 professores do cursinho pré-vestibular da Prefeitura de Belém serem demitidos em plena pandemia do coronavírus, um abaixo-assinado está sendo realizado em protesto contra a atitude do prefeito Zenaldo Coutinho. Divulgado pelo Sindicato dos Trabalhadores e das Trabalhadoras em Educação Pública do Pará (Sintepp) e pela própria categoria, o abaixo-assinado busca 5 mil assinaturas e, até ás 14h deste sábado (06), já tinham 4.994. O caso já tinha sido denunciado pelo DOL esta semana.
Os professores foram demitidos em dois dias diferentes: 13 deles no dia 30 de abril e os outros 16 no dia 27 de maio. Eles, junto com o Sintepp, buscam uma reunião com o Prefeito de Belém. "Queremos marcar com o prefeito para falar realmente o que aconteceu e não só ele saber a visão da diretoria, que nos difama falando não produzimos, que não nos adequamos as vídeos aulas. O Sintepp quer a reintegração dos professores no cargo", diz um dos profissionais que foi demitido, mas que pediu para não ser identificado.
No texto de apoio divulgado junto com o abaixo-assinado, a categoria informa que a rescisão de contrato foi “unilateral e sem qualquer comunicação prévia, realizada pela instituição educacional Pré-Vestibular Municipal de Belém (PVMB), na qual a FUNBOSQUE se faz mantenedora”.
Eles denunciam, ainda, que rescisão contratual foi informada a alguns professores por ligação e a outros via mensagem pelo aplicativo Whatsapp, sendo que a instituição alegou, em resumo, a incapacidade dos profissionais da educação, de atuar na referida instituição. “O mundo em que vivemos está passando por um período de quarentena e desde o início do contrato de trabalho, para alguns de nós, não foi possível a realização de nenhuma aula presencial. Contudo, a gestão do PVMB/FUNBOSQUE solicitou que nós fizéssemos slides com áudios de nossas aulas e materiais em PDF, com regras específicas, com intuito de suprir a necessidade dos alunos neste período tão caótico, mas houve grande dificuldade nessa produção, pois não houve sequer uma capacitação para que os professores se adequassem a situação atual. Ainda assim, os professores cumpriram com o estabelecido e apesar das dificuldades produziram o material solicitado”, diz o texto do abaixo-assinado.
Que completa dizendo: “Em momento algum a instituição nos ofereceu recursos tecnológicos e didáticos para que pudéssemos produzir e isso fere a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional”.
Outra denúncia da categoria é em relação aos professores que testaram positivo para a COVID-19, tendo ficado afastados de suas atividades, ainda que em home office, ainda assim tiveram seus atestados RECUSADOS pela instituição.
O texto do abaixo-assinado finaliza dizendo que “repudiamos totalmente esse tipo de atitude, pois muitos de nós possuímos anos de trabalhos escolares, fomos aprovados neste processo seletivo por nossos próprios méritos, ensinamos pessoas que hoje são e outros serão médicos, engenheiros, cientistas entre outros que fazem a diferença na nossa sociedade hodierna e acreditamos que esse é nosso maior legado como profissionais da Educação e, assim como qualquer outro profissional, exigimos respeito ao que somos e respeito ao que fazemos”.
O DOL entrou em contato com a Prefeitura de Belém e aguarda retorno.
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