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LEGADO

Comunidade lembra de ações de padre Bruno Sechi

Ainda em meados de 1970, em encontros de reflexão com os jovens após a celebração das missas na Escola Salesiana do Trabalho, o padre Bruno Sechi se preocupava em passar o ensinamento que veio permear todo o trabalho desenvolvido ao longo de mais de 50 an

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Imagem ilustrativa da notícia Comunidade lembra de ações de padre Bruno Sechi camera Padre Bruno Sechi, fundador do Movimento República de Emaús, faleceu na noite do dia 29 de maio de 2020. | Marco Santos/Arquivo

Ainda em meados de 1970, em encontros de reflexão com os jovens após a celebração das missas na Escola Salesiana do Trabalho, o padre Bruno Sechi se preocupava em passar o ensinamento que veio permear todo o trabalho desenvolvido ao longo de mais de 50 anos de sacerdócio. Em meio ao grupo de jovens com idades entre 17 e 18 anos e com a simplicidade que sempre lhe acompanhou, o religioso plantou a semente que resultou na fundação do Movimento República de Emaús: “Não basta fazer a reflexão, também é preciso ir para a ação”.

O ensinamento destacado pelo sacerdote ainda nos anos 70 é lembrado por quem, à época, esteve presente nas reuniões promovidas pelo padre Bruno. Uma entre os tantos jovens que iniciaram o trabalho junto com ele no chamado Movimento de Jovens Idealistas e Conscientizados (MOJICO), a pedagoga Georgina Kalif Cordeiro, 68 anos, é testemunha da transformação proporcionada pela visão de mundo e pelo trabalho desenvolvido pelo padre.

Georgina Kalif Cordeiro, pedagoga
📷 Georgina Kalif Cordeiro, pedagoga |Irene Almeida

Georgina lembra que durante a atuação dos jovens com a comunidade, percebeu-se a presença de muitos meninos que dormiam pelas ruas de Belém. A situação foi colocada em discussão entre o grupo e daí surgiu a ideia inicial do movimento, o Restaurante do Pequeno Vendedor. “O padre Bruno fazia uma reflexão que trabalhar com a situação dos adultos seria uma atuação curativa e que, portanto, seria melhor trabalhar no âmbito da prevenção através do trabalho com os jovens e as crianças”, lembra Georgina. “Foi feita uma adaptação atrás do Forte do Presépio para instalar o restaurante, inaugurado em 12 de outubro de 1970. A ideia era atrair os meninos que trabalhavam no mercado vendendo sacos, que eram engraxates, jornaleiros”.

Através da oferta de refeições e de práticas recreativas, o grupo liderado por padre Bruno adotou como missão entender melhor as necessidades daquelas crianças e enfrentar os desafios que a realidade demonstrava pouco a pouco. Foi quando o padre deu início a mais um marco do projeto. “Durante esse processo, aprendemos que era necessário muito mais que nossas ações para mudar a situação de pobreza e abandono daquelas crianças, pois não bastava orientá-las, dar-lhes comida e educação se a situação de miséria de suas famílias era permanente”, lembra. “Era preciso lutar para transformar e isso chamava por mais pessoas, é quando se inicia o projeto da Campanha de Emaús na perspectiva de envolver e sensibilizar toda a sociedade para um compromisso coletivo”.

Sempre com a colaboração da sociedade para o desenvolvimento das ações, o projeto foi crescendo e se espalhando pela cidade, especialmente em áreas próximas às feiras. Do Ver-o-Peso, a instalação definitiva do restaurante passou para a Padre Eutíquio. “Nós percebemos que as crianças que trabalhavam nas ruas não tinham tempo para ir para a escola. Como trabalhavam à noite, tinham sono pela manhã. Então, começamos a idealizar uma escola aberta para que eles pudessem ir à hora que quisessem, sem um currículo fechado”.

A escola, financiada com recursos do Ministério da Educação, foi a primeira construção do espaço que, até hoje, abriga a sede do Movimento República de Emaús, no bairro do Bengui. O grupo percorreu as ruas no bairro para conversar com a comunidade e identificar de que forma eles gostariam que fosse a escola. Hoje, as atividades desenvolvidas no espaço são as mais diversas e passam pela arte, profissionalização, pela socialização. Ações que já transformaram as vidas de muitos jovens. “O movimento sempre foi uma experiência democrática. Até hoje temos uma coordenação formada por membros efetivos”, conta. “Eu me formei em pedagogia, passei em um concurso, mas eu consegui adequar o meu tempo livre para continuar no projeto e aqui deixo um apelo ao voluntariado”.

"Nunca perdemos de vista que o nosso objetivo principal era que os meninos e meninas fossem os protagonistas de suas próprias histórias e esse homem, o padre Bruno, era o que nos dava à luz para seguir nesse caminho”, Lúcia Barreira,
educadora social
📷 "Nunca perdemos de vista que o nosso objetivo principal era que os meninos e meninas fossem os protagonistas de suas próprias histórias e esse homem, o padre Bruno, era o que nos dava à luz para seguir nesse caminho”, Lúcia Barreira, educadora social |Irene Almeida

Quem também ajuda a manter vivo o legado deixado por padre Bruno é a educadora social Lúcia Barreira, 62. Ela lembra que, ao completar 18 anos de idade, uma das primeiras medidas tomadas foi a inscrição para ser voluntária na campanha de Emaús. Desde então, ela permanece contribuindo com a oportunização de novas perspectivas de vida aos mais jovens. Durante a atuação como educadora, no convívio direto com as crianças e jovens, Lúcia conta que outra necessidade foi identificada pelo projeto. “Começamos a identificar a presença de meninas no Ver-o-Peso à noite e percebemos a necessidade do combate à exploração sexual infantil”.

MOVIMENTO

Durante os encontros e reuniões promovidos entre os jovens, Lúcia lembra que viu nascer um braço do Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua em Belém e, posteriormente, em 1986, a realização do 1º Encontro Nacional para Meninos e Meninas de Rua. Entre tantos projetos, surgiu também o Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (Cedeca).

Com o olhar voltado para a educação e para a arte, Lúcia conta que a ideia central do trabalho desenvolvido era a perspectiva de que a oportunidade de acesso possibilita a transformação da realidade por dentro. “Os meninos e meninas organizados podem contribuir muito com a mudança da realidade”, aponta a educadora social. “Nunca perdemos de vista que o nosso objetivo principal era que os meninos e meninas fossem os protagonistas de suas próprias histórias e esse homem, o padre Bruno, era o que nos dava à luz para seguir nesse caminho”.

A perspectiva do protagonismo e da força da comunidade organizada foi apresentada ao jovem João Gabriel Farias, 18, assim que ele começou a fazer parte do Movimento República de Emaús, já na sede do Bengui. A porta de entrada foi através da arte, nas aulas de teatro, seguida pelo convite para a aprendizagem.

"Ele ensinou o que é solidariedade e como é importante ter o olhar atento a quem está do seu lado”, João Gabriel Farias, integrante do Comunidade Ativa
📷 "Ele ensinou o que é solidariedade e como é importante ter o olhar atento a quem está do seu lado”, João Gabriel Farias, integrante do Comunidade Ativa |Irene Almeida

Integrando, hoje, o projeto Comunidade Ativa, ele conta o que teve a oportunidade de aprender com os ensinamentos do padre Bruno. “Ele ensinou o que é solidariedade e como é importante ter o olhar atento a quem está do seu lado. Hoje eu me sinto mais responsável e consciente de mim mesmo enquanto cidadão e do quanto eu preciso ser vigilante”, aponta.

“Dentro do âmbito em que se encontra, em uma região onde muitos jovens vivem em situação de risco, o contato com o Emaús faz com que as pessoas entendam mais o conceito de comunidade e que sigam para a vida como adultos empoderados”.

Padre Bruno

- No dia 29 de maio de 2020, o mundo se despediu do padre Bruno Sechi, que partiu aos 80 anos de idade.

- De origem italiana, o padre nasceu em 31 de julho de 1939, na Sardenha, e foi ordenado padre em 29 de junho 1968, vindo ainda jovem para o Brasil como missionário.

- Em 1970 fundou o Movimento República de Emaús, organização que atende cerca de 800 crianças e adolescentes.

- Nos anos 80, aplicou-se a liderar a causa da criança através de movimentos nacionais, se tornando o primeiro coordenador do Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua, cargo que exerceu de 1985 a 1988, interferindo em favor das crianças na Assembleia Constituinte que elaborou a Constituição de 1988 e contribuiu para a criação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em 1990.

Fonte: Arquidiocese de Belém.

Serviço

- Para que o trabalho desenvolvido pelo Emaús siga transformando vidas, o projeto conta com a contribuição da sociedade.

Uma das formas de contribuir é através da campanha de financiamento coletivo pela plataforma Kickante.

- As doações podem ser feitas até 07 de julho.

- Outra maneira de contribuir é através do Sócio Solidário, em que se pode contribuir mensalmente com valores de R$30 ou mais. Para saber mais, ligue (91) 98938-3797.

“Eu vi no Emaús o apoio de uma família”

Foi também pelo caminho do teatro e da arte que a estudante Rosicleia Pereira, 20, teve o primeiro contato com o Emaús. Após enfrentar uma situação de violência no interior do Maranhão, de onde é natural, a jovem mudou-se para Belém para viver com a tia Antônia Ferreira, 32. Muito fechada, a jovem encontrou no teatro a oportunidade de se expressar. “Eu era muito tímida e não tinha quase uma comunicação. Com o teatro eu fui me desenvolvendo e depois disso entrei no programa de aprendizagem no Emaús. Hoje eu estudo para ser técnica de enfermagem”, conta.

Antônia Ferreira e Rosicleia Pereira, estudante
📷 Antônia Ferreira e Rosicleia Pereira, estudante |Irene Almeida

Acompanhando a distância o trabalho desenvolvido pelo Emaús, Antônia não teve dúvidas ao escolher a quem recorrer para ajudar a sobrinha. Ela conta que, ao participar do projeto, Rosicleia acabou realizando um sonho que também era dela, Antônia. “Quando ela veio morar comigo o primeiro lugar que eu pensei em pedir ajuda foi no Emaús”, lembra. “Aqui ela foi se desenvolvendo e, quando ela foi convidada a participar do programa de aprendizagem, eu percebi que o Emaús tinha capacitado ela para a vida. O trabalho que o padre Bruno deixou foi realmente maravilhoso”.

O sentimento de gratidão de Antônia é tanto que ela não hesita em reverberar a importância do trabalho do Emaús por onde ela vai. Quando viu a própria vizinha necessitar do apoio que um dia ela teve, logo indicou o projeto instalado ali mesmo no bairro onde moram. Hoje, a auxiliar de escritório Cristiane Travassos, 34, é mais uma a alimentar um enorme sentimento de gratidão ao Emaús. “Eu passei por um momento muito difícil, em que eu me senti sem chão. Eu vi no Emaús o apoio de uma família para mim e para a minha filha. Ela começou participando do esporte, depois fez o curso de violino e não parou mais”, emociona-se. “Por ter que trabalhar para nos sustentar, eu ficava muito preocupada em como ia ajudar a minha filha a seguir pelo caminho certo e eu encontrei esse suporte no Emaús”.

Cristiane Travassos, auxiliar de escritório
📷 Cristiane Travassos, auxiliar de escritório |Irene Almeida

Ao lembrar a transformação proporcionada pelo Emaús em sua vida, a costureira Dione Nascimento, 36, também vai às lágrimas. Toda a formação educacional da jovem se deu no Emaús, onde ela também teve a oportunidade do primeiro acesso ao mercado de trabalho como aprendiz, se tornando, na ocasião, a primeira da família a ter uma renda fixa. Já dentre os cursos profissionalizantes que fez, o de corte e costura garantiu a sua profissão. “Hoje eu tenho uma empresa que faço uniformes profissionais para várias empresas e que, graças a Deus e ao Emaús, só está crescendo”, conta. “Aqui eles costumavam perguntar para a gente qual era a nossa perspectiva de vida. Hoje eu tenho certeza de que tudo teria sido mais difícil para mim sem essa formação do Emaús”.

Dione Nascimento,  costureira
📷 Dione Nascimento, costureira |Irene Almeida

Além do ensino, acesso à arte e à capacitação, Dione lembra outra característica do projeto, a relação direta e próxima com a comunidade. “Se eu aprontava alguma coisa na escola, sempre ia alguém do Emaús na minha casa conversar com o meu pai”, lembra, sorrindo. “O meu pai era quem sempre me acompanhava, ele tinha que estar sempre presente nas reuniões, encontros”.

PROGRAMA

Da aproximação com o Emaús em decorrência da participação da filha, a costureira Luiza Serrão da Costa, 54, também se tornou integrante do programa. “A minha filha começou no teatro, depois fez canto, informática, foi do programa aprendiz e hoje ela já tem um trabalho e estuda. Já pensaste a pessoa sair daqui com uma profissão? Muda a vida da pessoa mesmo”.

Luiza Serrão, costureira
📷 Luiza Serrão, costureira |Irene Almeida

Acompanhando a trajetória da filha ao longo dos seis anos em que fez parte do projeto, Luiza se tornou, também, uma integrante do Emaús. Dos muitos cursos já realizados, ela passou pelo de cabeleireira, costura e hoje participa da manutenção da horta do projeto. Função para a qual ela fez questão de arranjar um tempo entre a rotina do trabalho como costureira. “Quando eu comecei no projeto, não entendia nada de plantar. Mas a Embrapa veio e ensinou muita coisa para gente”, conta. “Eu venho para cá porque gosto de estar aqui e de ajudar”.

Quem convidou Luiza para o projeto da horta foi a dona de casa e artesã Antônia Marques da Silva, 54. Assim como muitas outras mães, a primeira relação dela com o Emaús também foi através da filha, que estudou no local. Há cerca de um ano, a oportunidade surgiu para ela mesma. “Eu estava em uma fase difícil da menopausa, já com uma depressão, quando surgiu o convite pra eu vir participar da horta”, lembra. “Quando eu vim, encontrei a minha saúde. Esse é um projeto que muda mesmo a vida das pessoas”.

 Antônia Marques,  artesã
📷 Antônia Marques, artesã |Irene Almeida

Manifestação de gratidão também na Paróquia São João Paulo II

O enorme legado deixado pelo padre Bruno Sechi pode ser facilmente identificado também em outro endereço. Na fachada da Paróquia São João Paulo II, no bairro do Marco, duas grandes faixas afixadas nos portões demonstram todo o carinho conquistado pelo sacerdote na comunidade na qual ele era pároco.

Não apenas na manifestação de gratidão da comunidade, a presença do padre também se dá em cada detalhe do espaço. Logo que se adentra o terreno da igreja, o jardim cuidadosamente arrumado é uma das marcas da presença do religioso. “Eu falei que iria usar esse espaço para fazer uma garagem para colocar o carro quando ele chegasse”, lembra o diácono João Bosco. “Ele logo disse que não. Que era para fazermos uma pracinha para que as pessoas pudessem vir, sentar e conversar”.

O diácono João Bosco e a coordenadora dos Ministros Extraordinários da Comunhão Eucarística da Paróquia São João Paulo II, Fátima Pedrosa, na fachada da Paróquia São João Paulo II
📷 O diácono João Bosco e a coordenadora dos Ministros Extraordinários da Comunhão Eucarística da Paróquia São João Paulo II, Fátima Pedrosa, na fachada da Paróquia São João Paulo II |Irene Almeida

A simplicidade com que o religioso encarava a vida é um dos grandes ensinamentos deixados por ele, na opinião do diácono que trabalhou diretamente com o padre Bruno Sechi. “Ele era muito querido. Todo mundo ficou muito abalado com a partida dele”, conta. “O que ele deixa de ensinamento é a humildade, a fraternidade, a justiça, que era uma missão que ele sempre gostou muito”.

Ainda com lágrimas nos olhos, a coordenadora dos Ministros Extraordinários da Comunhão Eucarística da Paróquia São João Paulo II, Fátima Pedrosa, 64, resume em palavras toda a saudade deixada pelo padre Bruno. “Ele foi um pai acolhedor e que só deixou mensagens de fraternidade. Temos a certeza de que ele está em um lugar privilegiado”.

EDUCAÇÃO E MAPEAMENTO

- Seja através dos cursos profissionalizantes, da arte, da aprendizagem ou da relação de proximidade e empoderamento da comunidade, a visão traçada pelo padre Bruno Sechi à frente do Movimento República de Emaús marca, até hoje, as histórias de tantas pessoas que tiveram a oportunidade de acompanhar, em algum momento, a sua trajetória.

Michel Pinho, historiador
📷 Michel Pinho, historiador |Irene Almeida

Ainda na década de 90, o padre já enxergava a importância de se oportunizar o acesso dos trabalhadores ao ensino superior. Em meados de 1993, ele criou um cursinho pré-vestibular no bairro do Bengui voltado para a formação de adultos. Entre os professores que ministravam aulas para as turmas à época, estava o historiador Michel Pinho, que lembra com muito carinho da experiência.

“Foi a minha primeira experiência na docência, com 18 anos de idade, e foi muito intenso”, lembra. “Ano passado eu tive a oportunidade de encontrar com o padre Bruno e ele disse que queria me dar um abraço, que muita gente teve a vida transformada por aquele cursinho. Em 1993 ele já tinha essa percepção de que a educação é capaz de transformar”.

- Entre profissionais de diversas áreas não é difícil encontrar quem tenha tido parte da vida tocada pela obra do padre Bruno. No caso do fotógrafo Miguel Chikaoka, o primeiro contato com a obra do sacerdote se deu ainda em 1980, quando Miguel chegou a Belém. Em visita à República do Pequeno Vendedor, ainda na Padre Eutíquio, ele pode conhecer o trabalho com as comunidades, crianças e jovens.

Miguel Chikaoka, fotógrafo
📷 Miguel Chikaoka, fotógrafo |Irene Almeida

“Nessa época ainda não tinha tido um contato direto, a não ser em 1991 quando ele nos procurou, nós que tínhamos acabado de fundar a agência Kamara Kó, para desenvolver um trabalho de mapeamento da situação da criança e do adolescente na Amazônia. Um mapeamento bastante amplo do ponto de vista geográfico, abordando crianças e jovens em situação de risco no que se refere ao trabalho, educação, ciência, saúde”.

Antes que cada fotógrafo integrante do grupo viajasse para uma área do Estado para fazer o mapeamento, Chikaoka conta que participaram de um treinamento inicial, com leituras do ponto de vista sociológico e político. “Tendo mais contato com ele, a partir desse projeto, acabei tomando conhecimento da amplitude e da profundidade do seu trabalho, sempre na perspectiva do trabalho em equipe, do acolhimento no sentido de uma proatividade, de colocar as pessoas em cena”, lembra. “Na questão da infância e juventude, ele sempre teve uma importância vital para a minha compreensão da problemática. É um trabalho de longo fôlego e que é o legado que ele deixou e que continua com todos nós, com todas as pessoas que conviveram com ele”.

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