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SOLIDARIEDADE

Ações ajudam na saúde e bem-estar

O projeto Pará que Orgulha e Transforma, do DIÁRIO, mostra esta semana iniciativas desenvolvidas por paraenses voltadas para as áreas do bem-estar e saúde.Dar os braços, mesmo que a distância. Foi com esse pensamento que o psicólogo paraense Rafael Mendes

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Imagem ilustrativa da notícia Ações ajudam na saúde e bem-estar camera "Somente no Pará temos 49 profissionais atuantes”, Rafael Mendes | Acervo Pessoal

O projeto Pará que Orgulha e Transforma, do DIÁRIO, mostra esta semana iniciativas desenvolvidas por paraenses voltadas para as áreas do bem-estar e saúde.

Dar os braços, mesmo que a distância. Foi com esse pensamento que o psicólogo paraense Rafael Mendes, residente há cerca de um ano em São Paulo, criou a Liga Nacional de Atendimento Psicológico Social On-line, um projeto nacional voltado para conectar profissionais da psicologia às pessoas necessitadas de atendimentos nessa área, afetadas psicologicamente por questões relacionadas à pandemia causada pelo novo coronavírus, como ansiedade, medo e depressão.

“Foi cerca de uma semana depois da chegada da pandemia no Brasil que tive a ideia de juntar forças com outros profissionais de psicologia para atuar de forma voluntária, junto aquelas pessoas que, por exemplo, já tinham algum tipo de adoecimento antes do início do isolamento e que acabou se intensificando com ele e também aqueles que não tinham nenhum tipo de adoecimento antes dele”, lembra.

Desde o início, mesmo morando no sudeste, a ideia era a de que o projeto pudesse beneficiar pessoas de todas as regiões do Brasil, especialmente o Norte, onde estão as origens do profissional.

Em pouco tempo, a Liga conseguiu reunir cerca de 500 psicólogos de todas as regiões do Brasil para atuar junto a pacientes de forma on-line durante o período de quarentena. “Somente no Pará temos 49 profissionais atuantes”, destaca.

Os atendimentos funcionam de forma bem dinâmica. “Contamos com estagiários de psicologia que disponibilizam seus números de telefone para que as pessoas possam entrar em contato. A partir daí, eles, que também atuam de forma voluntária, localizam um profissional de acordo com a região e repassam o contato do profissional para que o paciente entre em contato e possa agendar seu atendimento psicoterapêutico”.

Para integrar o grupo de profissionais é preciso preencher a alguns critérios. “Ele deve estar inscrito no Conselho Federal de Psicologia para prestar esse tipo de serviço on-line, de acordo com as diretrizes do órgão e já ter experiência no atendimento clínico”, diz.

Rafael conta que acabou surpreendido com o resultado obtido pelo Liga, que hoje tem mais de 1.275 encaminhamentos realizados. “Somente na Região Norte já foram mais de 382. Acabamos tendo um feedback muito positivo desse trabalho, por parte das pessoas que estão procurando por atendimento. Mas com o aumento da demanda estamos necessitando de uma adesão maior por parte dos profissionais”, ressalta.

Demandas

As demandas recebidas são variadas. “Temos desde aquelas pessoas que estão passando pelo luto por uma pessoa querida que morreu por conta da pandemia, aquelas que precisam enfrentar a saudade por não poder ver as pessoas que amam e até aquelas que desenvolveram sintomas depressivos, medo pelas perdas financeiras, ansiedades pelo futuro, enfim, são demandas bem variadas”, diz o psicólogo.

Para ele, cada encaminhamento e cada adesão voluntária feita por profissionais dispostos a doar um pouco do seu tempo para aliviar o sofrimento durante esse período de pandemia, fortalece sua vontade de continuar com o projeto.

Rafael diz não ter imaginado, quando criou o projeto, as proporções que ele tomaria. “Quando vejo tantos profissionais dispostos a colaborar, a fazer um verdadeiro jogo de cintura para conseguir fazer os atendimentos voluntários, dividindo seu tempo entre as suas atividades, o atendimento de seus pacientes, ou as aulas, como é o meu caso, que sou professor também, me sinto renovado profissionalmente”.

Atendimento voltado para a população ribeirinha

Projeto “Sorrisos dos Rios” atende a população ribeirinha
📷 Projeto “Sorrisos dos Rios” atende a população ribeirinha |Wagner Santana

Foi da inquietação da então estudante de odontologia Roberta Ruffeil que nasceu, em 2016, uma iniciativa na área da saúde, batiza de “Sorrisos dos Rios”, com o objetivo de beneficiar a população ribeirinha que vive tão perto da capital e, ao mesmo tempo, tão afastada de direitos como a atenção à saúde básica.

“Na minha faculdade não havia projetos de extensão voltados para essa questão, mas eu sempre tive um desejo intenso de trabalhar com as populações que vivem nas regiões das ilhas próximas a Belém, por isso decidi começar com uns contatos de comunidade que o meu avô já tinha e iniciar esse projeto de promoção e prevenção voltado para a área da saúde, que consiste em atendimentos e palestras de informações e orientação”, conta a odontopediatra.

O projeto logo começou a contar com o apoio de outros voluntários. “A primeira a ajudar foi minha amiga Cláudia Monteiro, que passou a coordenador o projeto comigo, depois fomos conseguindo contar com a ajuda de acadêmicos e profissionais das áreas de medicina, odontologia, nutrição, enfermagem, psicologia e educação física”.

Um sábado por mês, antes da pandemia, esses profissionais e acadêmicos de faculdades públicas e privadas juntavam tudo aquilo que conseguiam arrecadar, entre remédios e matérias de higiene, por meio de campanhas nas redes sociais, e rumavam em direção a alguma comunidade ribeirinha. “Normalmente chegamos aos locais, dependendo da distância, por volta das 7h e permanecemos até às 14h”.

Durante esse período eram feitos atendimentos médicos, orientações em saúde bucal, avaliações físicas, palestras, além da distribuição do material arrecadado e a entrega de medicamentos, entre outras ações. “Tudo isso é feito graças às doações que recebemos e ao esforço de cada um dos participantes, que também contribui com um fundo de R$ 5 para despesas do projeto”, ressalta.

Entre as comunidades que já foram beneficiadas estão a de Boa Vista, no Baixo Acará; e Santo Antônio, na região das Ilhas de Belém. A odontóloga calcula que cerca de 1.500 pessoas, em 12 comunidades, já tenham sido beneficiadas desde o início das ações.

CESTAS

Nos últimos meses, por conta da pandemia, o projeto teve que dar uma pausa e encontrar uma nova forma de ajudar as comunidades. “Desde que a pandemia começou passei a receber muitos pedidos de ajuda dessas comunidades, especialmente com relação a alimentos, por isso passamos a fazer uma arrecadação para formar cestas básicas para serem levadas até essas comunidades. Já conseguimos montar um total de 100 que foram entregues por um grupo menor de voluntários em duas comunidades, juntamente com máscaras, cercado de todo o cuidado”.

Nesse formato, de entrega de cestas, Roberta diz estar entrando em contato com novas comunidades e famílias que vivem em áreas próximas a Belém. “Tem sido um choque de realidade muito grande para mim saber que existem famílias que vivem tão afastadas de tudo para as quais tudo é muito difícil, muito precário”, diz ela, explicando que conta com a ajuda de uma pessoa dessas comunidades na orientação da entrega das cestas e que o projeto já prepara uma nova entrega – a terceira - para este mês.

“Sinto-me realizada com esse trabalho que mudou a minha vida completamente. Enquanto profissional trabalho muito dentro do consultório, e para mim é importante sair da zona de conforto e poder ver essa realidade tão distante da minha, mas que me proporciona um crescimento enorme como pessoa e profissional”. Ela chegou a ser premiada com um trabalho acadêmico sobre o projeto, apresentado no Congresso Nacional de Odonto Pediatria, em Maceió, em 2019.

Serviço

Quem quiser saber mais sobre o projeto basta entrar no Facebook ou na página do projeto no Facebook @projetosorrisosdosrios.

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