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SEGURANÇA

Covid-19 já mata mais que crimes violentos no Estado

Desde que o primeiro caso foi registrado no Pará, em 18 de março, a soma do número de mortos em decorrência da Covid-19 chega ao total de 3.835 pessoas, segundo o boletim divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), no início da noite de

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Imagem ilustrativa da notícia Covid-19 já mata mais que crimes violentos no Estado camera Até maio deste ano, 1.001 pessoas perderam a vida pela violência, enquanto que, pelo coronavírus, já são 3.835 óbitos confirmados até ontem. | Marcelo Seabra/Ag. Pará

Desde que o primeiro caso foi registrado no Pará, em 18 de março, a soma do número de mortos em decorrência da Covid-19 chega ao total de 3.835 pessoas, segundo o boletim divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), no início da noite de ontem (8). Um número que revela a força com a qual o coronavírus se espalha por todo o território. Para se ter ideia, este índice de óbitos por Covid-19, em apenas dois meses, já é três vezes maior que o total de mortes violentas registrado pela Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social nos cinco primeiros meses deste ano. Entre 1 de janeiro de 2020 e 31 de maio de 2020, 1.001 pessoas perderam a vida por homicídios, feminicídios, latrocínios e lesão corporal seguida de morte, segundo a Segup.

Ainda comparando índices de mortes violentas com as que são provocadas pelo coronavírus, vale ressaltar que este total de óbitos por Covid-19 é 20% maior que o número de assassinatos registrados ao longo de todo o ano passado, no Pará. Em 2019, a Segup registrou 2.702 crimes violentos.

O secretário de Estado de Segurança Pública e Defesa Social, Ualame Machado, diz que as mortes são provocadas por razões e motivos diferentes. “Estamos numa fase de pandemia”, destacou. “Mas chama atenção que, no Estado, a Covid-19 já matou três vezes mais que a criminalidade e num intervalo de tempo pequeno”, disse.

FISCALIZAÇÃO

Ele pontuou também que os projetos e medidas de Segurança Pública adotados pela atual gestão – que inclui reforço policial, controle das casas penais pelo Estado, combate a organizações criminosas (facções), integração entre as polícias Civil e Militar e investimentos no setor de Inteligência – não foram interrompidos durante este período de pandemia. “A Segup também está na linha de frente do enfrentamento a pandemia”, reforçou Machado. “Os nossos agentes estão nas atividades de fiscalização e também prevenção”, comentou.

O secretário de Segurança Pública também listou que o total de mortes por Covid-19 nestes dois meses e meio também é maior que o número de assassinatos registrados nos cinco primeiros meses de 2019, quando 1.311 pessoas perderam a vida vítimas da violência. “É importante destacar que essa pandemia de Covid-19 não se combate somente com fiscalização e repressão de quem descumpre com os decretos e medidas de isolamento social, e sim com a conscientização da população. É importante que as pessoas estejam conscientes dos riscos e sigam as recomendações do governo e das autoridades de Saúde. O comportamento delas reflete nos números da doença do coronavírus”, desfechou Machado.

BALANÇO ATUAL

SESPA

l Nos boletins divulgados ontem (8), a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), confirmou mais 36 novos casos de Covid-19 e 10 mortes causadas nas últimas 24 horas. Os óbitos ocorreram nos municípios de Castanhal, com 2 mortes, Anapu, Belém, Irituia, Terra Alta, Cametá, Gurupá, Terra Santa e Vigia, com uma ocorrência fatal cada.

l Em relação à subnotificação das prefeituras, o órgão registrou mais 2.736 infectados pela doença e 111 mortes ocorridas em outros dias, mas só informados até esta segunda-feira (8).

l Agora, o Estado tem, no total, 57.570 registros de infecções pela doença e 3.835 óbitos no total. Os recuperados já são 44.244 e há 146 exames em análise. Outros 6.251 casos suspeitos foram descartados. Belém tem 14.506 doentes registrados e 1.632 mortos, com taxa de morbidade de 11,25%.

Estado tem redução de crimes contra as mulheres

Uma pesquisa feita pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública verificou índices da violência contra a mulher durante o período da pandemia de Covid-19 em seis estados brasileiros, incluindo o Pará. O estudo levou em consideração dados registrados em março e abril deste ano - os dois primeiros meses de pandemia – e comparou com o mesmo período do ano passado, quando não havia proliferação do coronavírus, portanto, não estava em isolamento social.

O levantamento apontou que no mês de março deste ano 527 boletins de ocorrência por agressão foram registrados no Estado do Pará. Uma diferença para menos de 13,2% em relação a março de 2019, quando 607 boletins foram registrados. Também no mês de março de 2020, 133 queixas sobre violência contra a mulher foram feitas por telefone ao 180 (que recebe denúncias de violência contra a mulher), enquanto que em março do ano passado este índice foi 219. Uma redução de 39,3%.

Os registros de feminicídios se mantiveram iguais. Tanto em março de 2019 quanto de 2020, quatro ocorrências foram registradas. O que aumentou no mês de março, segundo a pesquisa, foi o número de medidas protetivas concedidas pelo Tribunal de Justiça. Este ano, 689 medidas foram concedidas no mês de março, enquanto que no mesmo período do ano passado, foram 628 ordens judiciais do tipo. Um aumento de 8,9%.

Já no mês de abril, as medidas protetivas apresentam uma redução no número de expedições. Em abril de 2020, 214 medidas protetivas foram concedidas, enquanto que em abril de 2019 foram 319. Uma queda de 32,9% do número de ordens judiciais.

De acordo com o Fórum, apesar da aparente redução, os números podem não refletir a realidade em alguns Estados, mas sim a dificuldade de realizar a denúncia durante o isolamento.

No Pará, a Polícia Civil até ampliou o serviço de registro de ocorrência pela Delegacia Virtual para facilitar o atendimento durante a pandemia. “A polícia possibilitou que a mulher vítima da violência pudesse registrar as agressões também pela internet”, reforçou Ualame Machado, titular da Segup. “Elas e qualquer pessoa que esteja presenciando a agressão a mulher pode ligar para 190, que recebe informações sobre qualquer crime, ou para o 181 (Disque Denúncia) que também ajuda nas investigações dos casos”, citou o secretário.

Ele acrescentou que a Segup tem agora um perfil no aplicativo WhatsApp que recebe denúncias de todos tipos, inclusive de violência contra a mulher e violência doméstica. O número é o (91) 98115.9181. “O governo do Estado também trabalha com o ‘Patrulha Maria da Penha’ em que mulheres que receberam medidas protetivas podem acionar nossos agentes a qualquer momento em caso de ameaça ou agressão”, concluiu.

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