O mês de junho chegou e com ele o período de festas juninas também. Porém, com os constantes pedidos de isolamento social durante a pandemia do novo coronavírus, o sentimento dos comerciantes que costumavam lucrar nesta época do ano é de preocupação com prováveis prejuízos e queda no número de fregueses. No Mercado do Ver-o-Peso, o movimento entre as barracas aumentou, mas ainda longe doideal para os trabalhadores.
Mais precisamente no ponto onde ficam localizadas as erveiras, com seus famosos banhos de cheiro, o movimento era fraco ontem e mesmo com a proximidade do Dia dos Namorados, poucas pessoas ainda iam nas barracas em busca das ervas tradicionais.

Dona Coló já é conhecida pelos diferentes produtos vendidos que prometem verdadeiros milagres. Com a proximidade do Dia dos Namorados, ela sempre costumava receber diversos clientes em busca de banhos e ervas que fossem capazes de conquistar a pessoa amada. Porém, com a pandemia de Covid-19, o movimento caiu bastante. “Numa época dessa que vem chegando o Dia dos Namorados e as festas juninas eu estou achando muito devagar. Vamos confiar em Deus de que essa tempestade vai passar e vá para bem longe, e nossa tradição continue por um bom tempo”, disse, otimista.
Dona Coló fez questão de frisar também que tem preparado banhos para afastar as más energias de casa, com ervas que possam deixar o ambiente com boas energias que, na época com tantas situações ruins acontecendo ao mesmo tempo, poderão ser muito bem-vindos. Sem deixar de seguir as recomendações dos profissionais, como o uso de álcool em gel nas mãos e máscara no rosto, claro. “Os meus banhos especiais não deixarão de existir. O que seria da gente sem a nossa fé? Isso aqui é a nossa cultura, nosso cheiro, e peço a Deus para que acabe com isso e continue vendendo o ‘Pega e Não me Larga’, ‘Chora nos Meus Pés’, ‘Agarradinho’, ‘Carrapatinho’, ‘Busca Longe’ e ‘Chega-te a Mim’”, completou sem deixar de citar as ervas que mais saem no período do mês de junho.
DRAMA
Com a suspensão de serviços no comércio no período do lockdown, Dona Coló disse que chegou a ficar quase dois meses com seu ponto fechado no Ver-o-Peso e buscou fazer novas atividades para passar o tempo, mas reconheceu que se sente bem mesmo é no mercado, com os clientes. “Eu aprendi a fazer crochê, fiz paninho por cima de paninho para o tempo passar e só ontem que voltei para cá. Eu não via a hora, contava as horas pedindo para voltar porque sem o Ver-o-Peso eu não sou ninguém”, finalizou.
Ao caminhar pelos demais espaços do Mercado do Ver-o-Peso, o clima ainda era de aparente calmaria entre as barracas, na manhã de ontem, não apenas de ervas como as de demais produtos também. Em uma pequena barraca, nos fundos do Ver-o-Peso, André Felipe prepara as castanhas-do-pará que embalaria para venda e disse que o movimento tem aumentado timidamente. “O movimento ainda está abaixo do que era, mas do que jeito que estava antes, com tudo fechado, até que melhorou bastante”, comentou.
O movimento maior ficava na frente do mercado, com diversas pessoas nos pontos de ônibus e transitando nas calçadas ao ir ou voltar do centro comercial, e isso preocupava o vendedor de verduras, Marinaldo dos Santos Dias. “Está melhorando, mas o pessoal não pode aglomerar e sair apenas para o necessário. Tem de ter consciência e sair com cuidado para não voltar o lockdown porque com ele a gente sente muito o prejuízo e fica difícil sobreviver”, ressaltou.
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