Uma semana após o fim das restrições nas lojas localizadas no centro comercial de Belém, o movimento continuava nas ruas, calçadas e lojas, na manhã de ontem. O cenário contava inclusive com trânsito pesado nas ruas do entorno com a passagem intensa de veículos. Mesmo com o rodízio de comerciantes no local, com o trabalho realizado alternadamente, a ausência de trabalhadores era compensada pela grande passagem de consumidores pelas ruas, o que causava aglomeração em diversos pontos. Nem mesmo a fiscalização de funcionários da Prefeitura era capaz de evitar tantas pessoas no local.
Na avenida Boulevard Castilhos França, em frente ao Complexo do Ver-o-Peso, diversas pessoas dividiam espaço no ponto de ônibus à espera do transporte. Sem fiscalização, o distanciamento social era praticamente inexistente no lugar, com todos buscando entrar nos veículos de forma desordenada.
Ao entrar no comércio a situação era ainda pior. Como se não houvesse uma pandemia, pessoas caminhavam tranquilamente entre as ruas e lojas da área comercial. Funcionários tinham trabalho para conter os consumidores, mas preocupavam-se em orientar os clientes. Na rua 15 de Novembro, carros e pessoas misturavam-se e deixavam o movimento intenso por lá.
Na rua João Alfredo o movimento também era grande, mas algo chamava a atenção dos clientes. O revezamento entre os ambulantes que passaram a trabalhar em dias alternados. De um lado da via, barracas vazias, e do outro, comerciantes trabalhando normalmente em seus locais. Esse cenário muda a cada dia com comerciários de cada lado da pista trabalhando um dia sim e outro não.
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Ontem foi o dia de trabalho de Braz Leal, 71, vendedor ambulante que trabalha vendendo cintos e outros acessórios. Mesmo com a aglomeração em diversos locais, ele garantiu que o movimento ainda é abaixo do normal. Ele passou dois meses sem trabalhar e disse que o tempo longe do trabalho foi difícil. “Minha aposentadoria me segurou junto com meus netinhos e esposa. Como eu sou do grupo de risco pela idade, eu fiquei em casa, mas graças a Deus não peguei esse coronavírus. Fiz teste para saber e me proteger. Amanhã eu fico em casa e quem faltou hoje vem trabalhar amanhã”, disse.
Já a travessa Padre Eutíquio estava completamente tomada de pessoas. É uma das vias que mais têm concentrado consumidores e vendedores ambulantes nesse retorno gradual das atividades econômicas e tem sido um verdadeiro desafio evitar aglomeração. Famílias inteiras dividiam o mesmo espaço, sendo possível identificar inclusive idosos e crianças no comércio.

O período tem sido bom para a venda de máscaras. Diversas barracas vendendo o produto foram identificadas, e entre eles estava Edilson Miranda Barbosa, que vendia o produto personalizado. Desde máscaras com desenhos de super-heróis até outros com temática religiosa, tudo para se destacar diante da concorrência. “A gente tem de apelar para tudo, sempre realizando um bom atendimento e contando com a sorte também. Tem dias que a gente vende bastante, mas tem outros que não conseguimos nem um real. Apesar disso, a gente segue aqui e torcendo para isso acabar. Tem de ter fé”, declarou.
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