A circulação de um vírus para o qual ainda não se tem uma vacina disponível exige mudanças de comportamento, sobretudo a manutenção de uma distância mínima de segurança entre as pessoas. Nas feiras livres de bairros como o Guamá e Terra Firme, porém, a recomendação ainda está longe de ser cumprida. Durante a manhã de ontem (14), as ruas do entorno das feiras seguiam tão lotadas que era praticamente impossível circular por entre as bancas de frutas e legumes sem esbarrar nas demais pessoas.
Para além da escolha dos itens que comporiam o almoço de domingo, muita gente destinava a atenção às vendas de roupas que se estendiam ao longo das calçadas na Feira da Terra Firme. Em busca de roupas jeans expostas sobre um carro de mão, um grupo de pessoas se amontoava. Nos açougues onde as carnes seguiam penduradas, clientes tocavam nos produtos antes de escolher o que levar para casa. Ao longo da avenida Celso Malcher a quantidade de clientes circulando com sacolas era tanta que ultrapassava o limite da calçada e era preciso andar pela beirada da pista por onde os carros tentavam circular. A disputa entre veículos e pedestres por espaço só intensificava a aglomeração de pessoas.
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Movimentação muito parecida também pode ser vista na Feira do Guamá, bairro vizinho. Da mesma forma, as vendas de verduras e legumes se misturavam às bancas que ofereciam roupas, calçados, livros usados. Em cada uma delas, a característica em comum era a presença de grupos de pessoas que se aglomeravam para escolher o que comprar.

Apesar das recomendações de ainda se manter o distanciamento social, evitar aglomerações e permanecer em casa o máximo possível, nos dois bairros era possível ver grupos de pessoas circulando, inclusive com crianças pequenas. Apesar de a maioria das pessoas respeitar o uso obrigatório da máscara, não era difícil encontrar gente circulando sem a proteção, mesmo em meio à aglomeração.
Circulação
Durante a manhã de ontem (14), as ruas do entorno das feiras seguiam tão lotadas que era praticamente impossível circular por entre as bancas de frutas e legumes sem esbarrar nas demais pessoas.
Movimento também intenso na orla de Icoaraci
O domingo do feriadão de Corpus Christi registrou grande movimento de pessoas na orla de Icoaraci. No final da tarde, o fluxo já era intenso, embora bares e restaurante não estivessem funcionando. Já no calçadão, onde encontram-se inúmeros vendedores, equipamentos esportivos e quiosques, o movimento não parava.
Um ambulante, que não quis se identificar, disse que, embora o lockdown tenha encerrado, o movimento não é suficiente para repor a renda obtida antes do início da pandemia do coronavírus. “Num domingo como este, eu vendia 700 reais. No domingo passado fiz 70”, lamenta o ambulante.
Outro detalhe que chama a atenção é o uso das máscaras e o distanciamento social que são medidas obrigatórias. Muita gente respeita a exigência. No entanto, boa parcela insiste em ignorar o item obrigatório, colocando em risco a sua saúde e a de outras pessoas. O movimento de pessoas só reduziu por conta da leve chuva que começou a cair por volta das 20 horas.
Já no distrito de Outeiro, poucas pessoas decidiram ir para a Praia Grande
Poucos banhistas passaram pela Praia Grande, no distrito de Outeiro, na tarde de ontem (14). Um cenário bem diferente do que costumava ser observado em outros feriadões antes da pandemia do novo coronavírus. Agentes da Guarda Municipal de Belém e da Polícia Militar (PM) faziam rondas pelo local. O fechamento das praias e balneários foi mais uma medida adotada pelas autoridades para conter o avanço da Covid-19.

Os bares e restaurantes da área permaneciam fechados e os comerciantes dizem que contabilizam os prejuízos, a exemplo de Nelma Noeli, 48, moradora do local e proprietária de um bar naquela praia há 15 anos. Fechado desde março, o estabelecimento já soma uma dívida de mais de R$ 2 mil devido ao atraso de pagamento das tarifas de energia elétrica,segundo a comerciante.
“A primeira praia a fechar foi a nossa. É minha única fonte de renda. Consegui receber o auxílio (do governo federal), mas só a energia do bar veio R$ 632. O auxílio não conseguiu pagar nem a minha energia. Eu pagava ou comprava comida. Preferi comer. A hora que reabrir já vou estar com uma dívida de R$ 2.100 só de energia. Fora a mercadoria que tivede vender”, lamentou.
FOLGA
Moradora de Outeiro, a estudante Daniele de Sousa, 33, foi passear na praia com o esposo, o comerciante Luís Carlos Monteiro, 32, e o filho Caio, de seis anos. “Tá sendo complicado. Meu esposo trabalha e eu faço faculdade, hoje (ontem) que demos uma fugida pra sair um pouco de casa. Não adoecemos, graças a Deus”, disse ela. Dono de um mercadinho, Luís lamenta estar com o estabelecimento fechado durante quase todo o período de quarentena. “Não estamos abrindo quase, porque caiu muito o movimento. A gente só sai quando não aguenta mais ficar dentro de casa. É até estranho ver a praia desse jeito”, comentou.
Fazendo somente o trajeto casa/trabalho desde o início da pandemia, a auxiliar administrativa Kelly Silva, 34, também resolveu ir até a praia ontem à tarde. “Trabalho em hospital. Já peguei Covid e fiquei em isolamento por 14 dias. Já voltei a trabalhar. Sou a favor do isolamento, vim hoje (ontem) aqui porque precisava dar uma espairecida, sem aglomeração. E por aqui ser um local aberto. Todos pegaram Covid no setor em que eu trabalho”, pontuou.
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