A pandemia do novo Coronavírus e o isolamento social mudaram a rotina dos principais balneários e da região das ilhas de Belém. A crise atingiu em cheio ambulantes e os donos de restaurantes e barracas de venda de comidas e bebidas, que tiram seu sustento integral da atividade.
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Os microempresários já dão como perdido o mês de julho, o de maior movimento do ano e que garante o sustento de centenas de famílias por uma parte do segundo semestre. Os comerciantes reclamam da demora na liberação de recursos de programas assistenciais e, principalmente, da falta de apoio da Prefeitura de Belém, que até o momento não implementou nenhum programa de apoio e incentivo para esses segmentos.

Na Praia Grande, a maior e mais movimentada do distrito de Outeiro, com 80 mil moradores, o cenário é desolador: barracas fechadas, mesas e cadeiras amontoadas e ninguém circulando. “O setor está parado há 2 meses e meio, sem previsão de retorno. Não sabemos que dia e que horas vamos voltar a trabalhar”, ressalta Elizângela Santos, presidente da Associação dos Comerciantes de Outeiro.
Hoje 86 barracas na Praia Grande e outras 15 na Praia do Amor estão fechadas e 500 pessoas estão sem trabalho. Mais de 400 ambulantes dependem do movimento da praia e também estão parados. “Cada barraca dessas é uma família que depende das vendas. Serão pelos menos uns 3 meses de julho para a gente poder se recuperar. A situação é desesperadora... Tinham garçons que moravam dentro das barracas e que tiveram que ser despejados”, revela.
A situação ficou ainda pior depois que uma maré alta agravada pela chuva invadiu 16 barracas na Praia Grande dia 23 de abril passado. A única ajuda que os donos de barraca estão recebendo são cestas básicas da prefeitura o que, segundo ela, ainda é muito pouco. “Esperamos sinceramente que ainda em julho possamos começar a funcionar, nem que seja parcialmente. As contas não param de chegar. Há colegas com dívidas de compra de cerveja de R$ 2 mil, R$ 3 mil. Precisamos pelo menos do movimento dos finais de semana para sobreviver durante a semana”, aponta.
MOSQUEIRO
Paulo Lima, proprietário da barraca Banana Boat, na praia do Farol, em Mosqueiro lamenta a situação dos estabelecimentos comerciais da ilha, especialmente os barraqueiros situados na orla das praias. “Antes da pandemia já vínhamos sofrendo a falta do apoio da Agência Distrital, no que se refere a insensibilidade quanto a políticas públicas, educação ambiental, falta de estrutura para receber turistas, higiene, etc. Agora estamos em completo abandono e em completo desamparo nestes tempos de pandemia Covid-19.

O comerciante diz que não há manifestação da prefeitura. “Há falta total de ações físicas, estruturais e financeiras. Nossas atividades comerciais estão totalmente paradas há mais de 60 dias. Estamos completamente sem renda num colapso. Os colaboradores, cozinheiras e garçons estão afastados, com contratos suspensos”.
Ele relata que a situação gera desespero. “O mês de julho se aproxima. É um mês onde poderíamos obter uma renda que nos desafogaria, mas infelizmente vemos que não há apoio, incentivo ou projetos para o mês das férias. Simplesmente o poder público está silente e não faz nada, nem mesmo a conscientização da população nesta pandemia”, coloca.

No Combu, incertezas diante das mesas vazias
Wagner Conceição, proprietário do Chalé da Ilha, no Combu, conta que as atividades no restaurante estão paradas desde o terceiro final de semana de março quando os restaurantes da ilha não foram mais autorizados a abrir. “Fomos pegos de surpresa e tivemos que doar todo o nosso estoque para os nossos funcionários. Transformei tudo em cesta básica e doei”. Ele emprega 20 pessoas com carteira assinada e todos residentes no Combu. “Consegui pagar o mês de março integral, me virei para pagar o mês de abril e suspendi por 2 meses os contratos de trabalhos de todos”, conta. Wagner conseguiu ainda R$ 11 mil do governo do Estado através do “Fundo Esperança” e espera outro financiamento do Banpará para capital de giro. “Os boletos de impostos e contas continuam chegando e temos que pagar. A partir de julho não sei como vai ficar a minha situação. Cheguei no meu limite...”
A esperança de Wagner é que o movimento nos restaurantes seja liberado a partir de julho, ainda que de maneira controlada e reduzida. “É um mês muito importante para todos nós que trabalhamos no ramo de alimentação. As pessoas aqui estão vendendo o almoço para comprar a janta. Tá complicado...”
Rita Pantoja Moia, diz que o restaurante Flor do Combu, que administra, vai completar 3 meses fechado. ”Tínhamos 12 pessoas que dependiam diretamente do restaurante. Não temos qualquer reserva para segurar tanto tempo essa situação”, diz. A empresária conseguiu segurar a situação por 2 meses. “Infelizmente ainda estamos sem perspectiva de retorno. Nos encontramos em situação muito difícil”.
Ela conta com as resoluções e proposta de retorno pelo poder público. “Como se não bastassem as dificuldades atuais, vamos precisar nos adequar às novas normas, para podermos receber nossos clientes. Vamos precisar de ajuda para esse retorno, já que o mês de julho, o que mais temos movimento no ano, já foi prejudicado pela pandemia”.
Apesar de estarmos a menos de um mês do início das férias de julho, a Secretaria Municipal de Economia (Secon) informou em nota que ainda não foi definido em decreto como será a comercialização e os serviços durante o veraneio nos distritos de Belém. A Secon informou em nota apenas que “durante este momento de pandemia, os trabalhadores informais da ilha de Mosqueiro estão isentos das taxas que liberam a comercialização em vias públicas”.
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