Até pouco tempo, um pequeno comércio de bairro cujo atendimento era somente através de grades indicava o medo da violência. Hoje, essa medida de segurança não visa somente minimizar os riscos de assalto, como tem sido uma das estratégias que pequenos comerciantes adotaram como forma de também diminuir os riscos de contágio e proliferação do coronavírus – evitando, inclusive, pequenas aglomerações no interior das populares mercearias.
Suzi Gomes, por exemplo, é uma das comerciantes do bairro do Entroncamento que, desde o início da pandemia, passou a atender seus clientes à distância. No balcão, o álcool em gel é usado toda vez que manipula dinheiro e pega nas mercadorias. A máscara é um item que também foi incorporado à sua rotina e cobra dos clientes também que usem o item de segurança quando forem até o estabelecimento. “Acho que manter o portão fechado foi a parte mais difícil porque os clientes gostam de pegar a mercadoria, tocar nos produtos antes de comprar”, diz. “Meus clientes são amigos do bairro que, em poucos dias, se acostumaram a vir aqui, entrar e comprar. Causou estranheza ter de atender pela grade, de uma forma me senti distante deles”, descreve.
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“No início parecia que estava vendendo para pessoas estranhas, mas que são todas amigas, na verdade”, acrescentou. Ela reitera ainda que a grade permite que ela mantenha uma certa distância das pessoas e evita as aglomerações no interior da loja. Questionada se depois da pandemia pretende voltar a abrir as grades e permitir a entrada dos clientes, ela responde que já pensou nessa possibilidade. “Talvez abrir pelo horário da manhã, que é o de maior movimento, mas por enquanto tenho de pensar na saúde das pessoas e na minha também”, frisa.
AGENDAMENTO
Na barbearia do Daniel Moura, no bairro de Souza, em Belém, as novas recomendações de higienização e sanitização vieram para ficar, segundo ele. “A maioria das normas eu já seguia, tinha todo esse cuidado. Mas algumas permanecerão mesmo depois que esse cenário de pandemia passe”, diz o barbeiro.

O estabelecimento dele é do tipo em que o funcionamento – no caso o atendimento – só pode ser feito mediante horário marcado e evitando aglomerações no interior do recinto. “Isto já era algo que eu fazia desde que abri a barbearia em 2014. Sempre tive o cuidado de não manter muita gente dentro do espaço por uma questão de controle, atenção e, agora, de cuidado com a saúde”, comenta o profissional que trabalha com luvas e máscara.
Até mesmo a equipe de reportagem teve restrições para entrar na barbearia. Primeiro entrou o repórter, fez a entrevista e posteriormente o repórter fotográfico para fazer as imagens. Os dois jornalistas tiveram de higienizar as mãos na entrada e manter o distanciamento social. “Espero que entendam. Mas as determinações têm de ser cumpridas igualmente por todos”, explica Daniel.
Quanto ao uso de máscara, o barbeiro não tira nem quando atende ao telefone. “Aqui só quem tira é o cliente e na hora que vou fazer o procedimento de corte de cabelo ou na barba. Nessa hora somente eu fico de máscara e é uma segurança tanto para mim quanto para ele”, pontua Daniel.
As toalhas que usa para alguns procedimentos são aquecidas durante um minuto. “O avental também é trocado a cada cliente e coloco o usado imediatamente para lavar”, justifica por não usar o avental descartável. Os instrumentos de trabalho passam por esterilização e as lâminas são descartáveis. O comportamento que agora rege o funcionamento da barbearia não tem tido nenhum tipo de resistência por parte dos clientes, segundo Daniel. “Talvez seja porque reforço o que deve ser feito quando o cliente agenda horário”, garante.
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