Entregadores que atendem via aplicativos realizaram uma manifestação ontem, em Belém, e paralisaram as entregas no período das 10h às 13h para pedir melhores condições de trabalho e maior assistência por parte das empresas. Chamado de #BrequeDosAPPs, o ato fez parte de uma movimentação nacional realizada em diversas cidades brasileiras. Na capital paraense, com concentração na esquina da avenida Doca de Souza Franco com a rua Antônio Barreto, os trabalhadores colecionavam queixas e demais relatos sobre as dificuldades de seguir do jeito que está, sem qualquer tipo de suporte por parte de empresas como iFood, Rappi e Uber Eats, e prometiam sair às ruas juntos para chamar a atenção da sociedade.
Entre as demandas está um aumento no valor recebido por quilômetro rodado em cada entrega, fim de bloqueios indevidos nos aplicativos, ocasionados por falhas na comunicação entre estabelecimentos e plataformas, de acordo com os trabalhadores, auxílio maior durante a pandemia de Covid-19, com entrega de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), e maior suporte em caso de acidentes durante a atividade profissional.
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A precariedade na relação de trabalho é uma das principais queixas. Muita demanda e remuneração abaixo do esperado são constantes entre motociclistas e ciclistas que reclamam de outros problemas que sempre caem na conta deles, gerando descontos no valor que deveriam receber e até mesmo expulsão das plataformas sem chance de defesa.
DRAMA
Jefferson dos Santos é motoboy e atua na entrega de comida via aplicativo há nove meses. Ele reclama da falta de diálogo entre estabelecimentos comerciais e as plataformas de aplicativos que fazem com que eles levem a culpa por problemas que estão fora de seu alcance. “Ontem eu vim no shopping próximo daqui e passei 50 minutos esperando (o pedido). Quando cheguei no cliente, ele brigou comigo achando que a culpa era minha. O ‘iFood’ não vê isso com o estabelecimento e acaba que a gente leva a culpa de tudo. Trabalhamos com pressão, mas se sair daqui ficamos desempregados. Os aplicativos não queremnem saber da gente”, disse.
Ele também apontou a falta de assistência por parte do suporte dos aplicativos em caso de acidentes ou problemas mecânicos nas motos, meio de transporte mais comum para este trabalho. Segundo Jefferson, todas as despesas ficam por conta dos trabalhadores. “Eu tive recentemente um acidente, a sorte é que não me machuquei e não foi nada grave. Se tivesse acontecido algo pior, todo o dinheiro teria de sair do meu bolso. Não podemos cobrar de ninguém e a qualquer momento podem nos banir e não poderemos trabalhar.”
Outro trabalhador que não quis se identificar reclamou da falta de espaços adequados para aguardar a entrega de pedidos por parte dos estabelecimentos comerciais, citando especificamente os shopping centers da capital, que não cedem espaço para eles guardarem os veículos, que precisam ser deixados do lado de fora, enquanto precisam ir até os estabelecimentos buscar as encomendas, geralmente localizadas nas praças de alimentação, nos últimos andares. “São mais de dez restaurantes e cada um recebe uma média de 30 pedidos por hora e temos de ficar esperando. Isso atrasa mais o pedido, mas ninguém quer saber ou entender”, relatou.
Segundo o presidente da Federação Nacional dos Motociclistas Profissionais no Pará (Fenamoto-Pará), Alessandro Félix, a falta de cuidado com os trabalhadores e a redução nos valores das corridas fazem com que não existam incentivos suficientes para permanecer como entregador de aplicativo. “São pais e mães de família que arriscam a vida e não têm os olhares mais atentos por parte das empresas. A gente sente falta de uma parceria e atenção maiores”, declarou.
NÚMEROS
15 mil - É o número de trabalhadores de aplicativos em todo o Pará.
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