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PREOCUPAÇÃO

Trabalhadores do Mercado de São Brás temem pelo futuro

Eles reclamam que não participaram do processo de concessão à iniciativa privada e que não sabem qual será o destino deles após a privatização

sábado, 11/07/2020, 07:17 - Atualizado em 11/07/2020, 08:26 - Autor: Tiago Furtado


Situação de abandono do local, há anos sem uma reforma, é outro problema enfrentado pelos permissionários
Situação de abandono do local, há anos sem uma reforma, é outro problema enfrentado pelos permissionários | Mauro Ângelo

Preocupação e angústia voltaram a tomar conta dos permissionários que atuam dentro do Mercado de São Brás, em Belém. Eles denunciam que, com a pandemia, os diálogos junto ao poder público municipal para o processo de concessão do espaço à iniciativa privada foram interrompidos e que foram surpreendidos com a divulgação de um edital de chamamento público para empresas interessadas em administrar o local. Tudo isso sem aviso prévio aos trabalhadores, que temem pelo seu destino durante a obra e após a efetiva administração do Mercado passar à iniciativa privada.

Rosana Martins é integrante da Comissão de Feirantes de São Brás e afirma que a última reunião com a prefeitura foi antes da pandemia. Ela achava que todo o processo de concessão do Mercado de São Brás estava parado devido ao novo coronavírus, mas não foi isso o que aconteceu.

“Foi uma surpresa muito grande para nós porque estamos passando por uma pandemia, todos preocupados com os clientes e a família e no dia 27 de maio lançaram um edital para chamar as empresas interessadas. Fiz um documento no início de junho solicitando uma conversa com o presidente da Codem (Companhia de Desenvolvimento e Administração da Área Metropolitana de Belém) e até agora não fomos contemplados. A preocupação é grande e o assunto é o mesmo: onde é que vamos ficar? Onde seremos alojados e de que maneira? Não podemos esperar que uma empresa de fora sele nossos destinos. Quem devia fazer isso era a prefeitura”, desabafa.

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TRANSPARÊNCIA

Ela também afirma que os trabalhadores não são contra a revitalização do espaço. Pelo contrário, esperam pelas obras ansiosamente, mas pedem maior transparência por parte do poder público. “Queremos que seja revitalizado e tenha uma história linda, mas um projeto desse não é com poucas conversas que vamos resolver e em nenhuma delas a gente foi ouvida. Ficamos preocupados porque não sabemos para quem será realmente esse projeto. Eu sempre digo que fomos sucateados para que chegasse nesse estado, tem muitas infiltrações, chove e molha tudo aqui dentro”, completou.

ABANDONO

Infiltrações e fiação elétrica exposta, além da sujeira e pichação por todo o prédio. Estes são apenas alguns dos problemas encontrados no Mercado de São Brás, que há tempos não passa por uma grande reforma, segundo os trabalhadores.

Infiltrações e fiação elétrica exposta, além da sujeira e pichação por todo o prédio. Estes são apenas alguns dos problemas encontrados no Mercado de São Brás, que há tempos não passa por uma grande reforma.
Infiltrações e fiação elétrica exposta, além da sujeira e pichação por todo o prédio. Estes são apenas alguns dos problemas encontrados no Mercado de São Brás, que há tempos não passa por uma grande reforma. | Mauro Ângelo
 

Walmir Santos, permissionário há 20 anos, denuncia que o mercado hoje está completamente deteriorado. “O mercado está em completo estado de abandono pelo poder público. Parece que eles deixam sucatear para só assim fazer alguma coisa, quando deveria ser feito antes. Abriram um processo licitatório para fazer melhorias, mas disseram que isso seria feito junto com os trabalhadores e o que aconteceu é que acabaram tomando decisões sem consultar a gente. Parece que agora dia 13 vão abrir os envelopes com as empresas ganhadoras. Tudo isso pelos bastidores e a gente não sabia de nada disso”, reclama.

A falta de manutenção do espaço acaba afetando não apenas quem trabalha no local como também os clientes que frequentam o mercado. A dona Celina Cunha, de 73 anos, disse que o trabalho de revitalização deveria ser feito há muito tempo. “Está muito malconservado. Isso aqui é um ambiente turístico, aí quem vem de fora vê isso tudo quebrado e pichado, fica feio para todos nós”, lamenta.

Procurada pelo DIÁRIO, a Prefeitura de Belém não se pronunciou até o fechamento desta edição.

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