O cenário de abandono, que inclui o mau odor de fezes e urina, pichações, depredação do patrimônio, mato e muita sujeira, incomoda quem transita pelo entorno da Praça Waldemar Henrique e dos passageiros que utilizam a parada de ônibus do local. A presença de moradores em situação de rua também chama a atenção no espaço público, situado no bairro do Reduto, em Belém.
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Com localização privilegiada, já que é perto do Complexo Ver-o-Peso, da Baía do Guajará e do centro comercial, outrora, foi um dos principais pontos turísticos da capital. Era opção de lazer para as famílias, assim como um espaço cultural, que já recebeu exposições e até concursos de quadrilha. Mas isso tudo ficou para trás, apenas nas lembranças de quem viveu esse tempo.
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Hoje a praça é abrigo para quem não tem onde morar e até usuários de drogas. Quem precisa passar por ali se sente totalmente inseguro. É o caso do artista plástico Antônio Araújo, 48, que frequentou o local em tempos melhores. “Conheci a praça quando ainda era bonita, um atrativo turístico excepcional. Cheguei a fazer exposição aqui. Agora não dá para chamar de praça. É um abandono completo do poder público. Acredito que o nosso município merece mais respeito e dignidade. Não dá para trazer um familiar aqui, porque pode ser vitimado por meliantes. É uma tristeza”, disse.

Morador do conjunto Cordeiro de Farias, o auxiliar de serviços gerais Jairo Alves, 43, utiliza aquele ponto de ônibus diariamente. Na semana passada, ele chegou a sofrer uma tentativa de assalto no local. Foi “salvo” pelo ônibus, que chegou no mesmo momento. “Está precária e com fedor de urina. Nesse horário da tarde, semana passada, tentaram me assaltar aqui, mas consegui pegar o ônibus, que apareceu na hora. Estavam cheirando cola e tentaram me abordar. A prefeitura poderia reformar, colocar guardas para tomar conta da praça, igual fazem na Batista Campos e na República. Aqui é esquecido”, afirmou.
PRAÇA DA LEITURA
Outros pontos da cidade que também viraram abrigos para moradores de rua são a Praça da Leitura, situada no cruzamento das avenidas Almirante Barroso com a Governador José Malcher, em São Brás, e as estações do Sistema BRT existentes no local.
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Não é incomum flagrar moradores de rua ocupando esses espaços a qualquer hora do dia. Na praça o que mais chama a atenção são as condições do monumento histórico que homenageia Joaquim de Magalhães Barata, ex-governador do Pará. Conhecido como Memorial Magalhães Barata, o monumento foi inaugurado em 1989 e hoje serve de moradia para sem-teto. No local há acúmulo de fezes, urina e sujeira. Na tarde de ontem, não havia guardas municipais na área.
Para o aposentado Lázaro Souza 67, a Prefeitura poderia fazer uma espécie de abrigo para acolher essas pessoas que não possuem moradia, evitando que elas ocupassem os espaços públicos. “Antigamente tinha uma segurança terceirizada do outro lado, depois saíram e não vi mais. É um local histórico e o dinheiro para fazer saiu do nosso bolso. Não tem guarda municipal nem ninguém para zelar. É tudo sujo, abandonado. As pessoas fazem de dormitório, fazem suas necessidades fisiológicas. Poderia até ter um banheiro público. É um problema social”, pontuou o belenense.
A reportagem procurou a Prefeitura de Belém, mas não obteve respostas até o fechamento desta edição.
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