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CRISE

Tempos difíceis: aparelhagens padecem sem festas no Pará

Caixas de sons cobertas e guardadas em caminhões baús, aparelhos eletrônicos e peças de som sendo desmontadas para salvar o máximo possível de componentes, assim estão atualmente as estruturas do “Rubi Light” e “Rubi Saudade”, duas das famosas aparelhagen

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Imagem ilustrativa da notícia Tempos difíceis: aparelhagens padecem sem festas no Pará camera DJ Gilmar, do Rubi, relata as dificuldades causadas pela pandemia e incertezas sobre a retomada das aparelhagens | WAGNER ALMEIDA

Caixas de sons cobertas e guardadas em caminhões baús, aparelhos eletrônicos e peças de som sendo desmontadas para salvar o máximo possível de componentes, assim estão atualmente as estruturas do “Rubi Light” e “Rubi Saudade”, duas das famosas aparelhagens do Pará que atraiam milhares de pessoas para as noites de entretenimento em Belém, e também pelas cidades do interior. A incerteza para que aconteça o retorno das atividades no setor de eventos, por causa da pandemia, tem afligido dia após dia quem depende direta ou indiretamente das festas que eram realizadas.

Já se passaram quatro meses desde que Gilmar Santos, o DJ Gilmar, como é conhecido pelo público que frequenta as festas do Rubi, decolou na nave do som para animar uma multidão. “Eu nunca imaginei ter que ficar tanto tempo parado. E, ainda por cima, vendo toda a estrutura da aparelhagem sendo perdida devido à ação do tempo”, desabafa o DJ e proprietário da aparelhagem.

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O setor de eventos certamente foi um dos mais atingidos pela crise sanitária e econômica que se espalhou pelo mundo inteiro. As festas de aparelhagem também contribuem para a economia local e com a renda de dezenas de profissionais que se encontram sem ter como trabalhar nesse momento. É o caso de DJs, técnicos de áudio e iluminação, produtores, promotores de eventos, carregadores, seguranças entre outros.

Segundo Gilmar, mesmo que as aparelhagens fossem imediatamente autorizadas a retomar as suas atividades, ainda assim, outros desafios teriam que ser enfrentados para recuperar os prejuízos do tempo parado. “Ainda não temos previsão de retorno. E mesmo que isso ocorresse nos dias de hoje, ninguém saberia como conduzir a situação. Muitos seriam os gastos, que não temos como bancar rapidamente, para recuperar 100% as estruturas”, afirma Gilmar.

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O DJ reclama da decisão das autoridades de manterem os empreendimentos das aparelhagens fora do universo da retomada de atividades não essenciais e de lazer, como ocorreu com clubes sociais, praias e restaurantes. “Sempre alegam a questão da aglomeração de pessoas, mas e agora, nas praias? Como é que fica? Os balneários estão lotados de pessoas com DJs tocando no som da própria casa. Então, nós queremos saber o motivo dessa diferença de uns terem privilégio e outros não?”, questiona.

DIFICULDADES

Ao lado do seu irmão Edielson, o DJ Edilson que também comanda o som do Príncipe Negro, conta que a cada dia que passa fica mais difícil manter as contas em dia e bancar as despesas do empreendimento. “É uma situação bastante complicada pela qual estamos passando e ainda sem previsão de quando vamos voltar ao normal. Já estamos até tendo dificuldades para garantir alguns pagamentos”, diz.

Edilson lembra que parte dos valores cobrados em festas por onde tocaram antes da pandemia, eram destinadas às despesas com equipamentos, transportes e também para os pagamentos de 19 funcionários que trabalham diretamente com a empresa Príncipe Negro. “Para se ter uma ideia, entre R$ 5 mil e R$ 8 mil eram os gastos diversos que a aparelhagem tinha para que pudesse tocar. Agora, com tudo parado, muita gente que também dependia das festas e desse trabalho não está tendo sua fonte de renda”, lembra.

Djs Edilson e Edielson comandam as lives pelo Príncipe Negro, numa solução temporária
📷 Djs Edilson e Edielson comandam as lives pelo Príncipe Negro, numa solução temporária |WAGNER ALMEIDA

As lives patrocinadas também não puderam ser feitas pelas aparelhagens. Edilson explica que “por causa das medidas de segurança e do que é necessário para fazer uma transmissão, os gastos seriam grandes para o momento e pouco seria o retorno”.

Até o momento, Edilson lembra que nenhum auxílio foi garantido para que as empresas de aparelhagens pudessem ser mantidas neste período de pandemia, até que as festas voltem a ser liberadas.

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