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Audiovisual paraense quer protocolo de retomada do setor

Os sindicatos da indústria cinematográfica e do audiovisual com representantes no Pará se uniram para gerar um protocolo de retomada das atividades do setor, para que isto, quando ocorra, seja com maior segurança para a saúde dos profissionais. Em Belém,

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Imagem ilustrativa da notícia Audiovisual paraense quer protocolo de retomada do setor camera Pesquisa realizada em todo Brasil , promovida pelo setor, aferiu que 75% dos entrevistados veem o cinema como prioridade na volta de atividades de entretenimento após a flexibilização do isolamento social. | (Divulgação)

Os sindicatos da indústria cinematográfica e do audiovisual com representantes no Pará se uniram para gerar um protocolo de retomada das atividades do setor, para que isto, quando ocorra, seja com maior segurança para a saúde dos profissionais. Em Belém, o documento foi encaminhado para a prefeitura municipal e Fundação Cultural do Município de Belém (Fumbel), e Secretaria Estadual de Cultura do Pará (Secult), propondo que os gestores municipais e estaduais validem isso junto a suas ações de retorno e restrições na pandemia.

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“Na verdade é um movimento maior. Estamos em mobilização para discutir piso salarial, acesso ao registro profissional, liberação de recursos para o audiovisual. Com a pandemia, as produções pararam no Brasil inteiro, muitos técnicos que sobrevivem deste trabalho ficaram sem seu ganha-pão. Então está ocorrendo também um esforço do setor, dos sindicatos, de criar um protocolo de retorno gradativo das produções audiovisuais, dentro das recomendações da Organização Mundial da Saúde, para que os profissionais possam voltar a trabalhar e se sustentar”, diz Afonso Gallindo, diretor do Sindicato Interestadual dos Trabalhadores na Indústria Cinematográfica e do Audiovisual (STIC).

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Ele ressalta que o audiovisual foi o único setor que apresentou uma proposta concreta de retorno, preocupado especialmente com os técnicos. O sindicato não sabe apontar ao certo o número de profissionais que estão sem trabalho e sem uma política pública de amparo, mas garante que é um bom número de pessoas. “Você vê apenas o artista no foco, mas por trás tem uma série de técnicos que desenvolvem um trabalho importante e precisam ter essa visibilidade. Só se fala que os profissionais da Cultura vão ser os últimos a voltar, mas a gente precisa de um projeto de retomada. Que tipo de debate está sendo feito para que isso ocorra de forma respeitosa e com segurança para os técnicos?”, questiona.

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A primeira versão do protocolo, disponível nas redes sociais do STIC , traz orientações de segurança e sugestões de como organizar o ambiente de trabalho para todos os profissionais envolvidos na produção audiovisual. Entre elas, a definição de áreas de maior a menor risco, equipamentos de proteção individual indicados para cada setor, processos a ser adotados no caso de um profissional apresentar sintomas ou suspeitas de Covid-19. Ainda sugere três etapas graduais de retomada das atividades, levando em consideração as condições de cada cidade.

DOCUMENTO VIVO

O presidente do STIC, Luís Chacra, destaca que o protocolo sugerido é um documento vivo, em constante transformação e que tomou como ponto de partida exemplos de protocolos já utilizados em países como França, Espanha e Inglaterra. “Importante explicar que a gente não quer obrigar ninguém a filmar, até recomendamos que não. Mas, ao mesmo tempo, tem que oferecer um documento com parâmetros de segurança porque sabemos que não vamos conseguir segurar. Nós já soubemos de produções clandestinas. E essa retomada precisa ser pensada coletivamente”.

Em uma primeira reunião de reavaliação do protocolo, já houve diversas colaborações realizadas por fornecedores de alimentação para filmagem, por exemplo. “Ele é um documento muito mais sanitário do que técnico. E continuamos dialogando com fornecedores de equipamentos, como refletor, tripé, câmera; assim como o pessoal de arte tem que tomar cuidado porque nem todo produto pode ser usado para higienizar uma roupa, um móvel que entre em cena. Isso é uma coisa em constante evolução, um ponto de partida”, completa.

CLASSE UNIDA

O bragantino San Marcelo, que trabalha em parceria com a esposa Cecília Nascimento na Sapucaia Filmes, conta que tudo foi paralisado com a pandemia, incluindo um registro que eles fariam da Marujada. “Sem a manifestação, não tem também o filme”, diz ele. Pensando em como retomar outros projetos que possam substituir os perdidos, ele conta que já está em busca dos protocolos de trabalho, que ajudem a fazer a retomada com segurança. “O que a gente vê é que a proposta tem que surgir da classe, a gente já esperou demais do governo”.

O profissional destaca ainda a formação de grupos para mobilizar o setor, como o Cria - Coletivo de Realizadores Independentes de Audiovisual da Amazônia, que surgiu em 2018, em repúdio à extinção do Ministério da Cultura; e agora a AMCAP - Associação de Maquiadores e Cabeleireiros do Audiovisual no Pará, nascida durante a pandemia. “Acredito que o audiovisual paraense já deu um salto grande na organização como classe, o que é importante para fortalecer o setor não só em Belém, mas Santarém, Marabá, Bragança e outras regiões do Pará”.

Com diferentes frentes de atuação, eles também têm se mobilizado na busca por cestas básicas que ajudem profissionais que estão sem qualquer forma de renda. “A gente pediu à Fumbel e Funpapa apoio com cesta para o pessoal do maquinário, cenografia, maquiagem, que estão desempregados. Fiz uma primeira lista com nome, endereço e telefone de 50 profissionais. Enviei essa lista já vai fazer 25 dias, e ainda aguardo retorno”, diz Gallindo. Os documentos sobre o protocolo de retomada das atividades, no momento do fechamento desta reportagem tinham sido entregues há uma semana e permaneciam sem respostas dos órgãos públicos.

Pesquisa realizada em todo Brasil , promovida pelo setor, aferiu que 75% dos entrevistados veem o cinema como prioridade na volta de atividades de entretenimento após a flexibilização do isolamento social.

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