A pandemia provocou o fechamento de postos de trabalho, redução de salários, queda na renda mensal familiar e acendeu o sinal de alerta diante de dívidas e compromissos financeiros que não deixaram de chegar a milhões de pessoas. Para evitar que as contas virem uma “bola de neve”, sem ter condições de pagá-las, cada vez mais consumidores têm aderido a uma economia forçada, comprando apenas o essencial para o mês, sem correr riscos de ficar com o nome sujo e cair no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) ou Serasa.
Todos esses fatores causaram um recuo na economia devido à diminuição do poder aquisitivo de famílias que, a partir de agora, precisam ter um reequilíbrio financeiro para saber o que é essencial neste momento de incertezas causadas pelo novo coronavírus.
A cozinheira Ana Patrícia, 42, mora no município de Breves, no arquipélago do Marajó, mas estava em Belém para uma consulta médica da filha. A pandemia fez com que ela destinasse o dinheiro do mês apenas para coisas consideradas prioridades, o que acabou ajudando na economia. “Nessa pandemia a gente deu uma boa economizada porque alguns gastos supérfluos não fazemos mais, como passeios e cinema quando estamos em Belém. A gente priorizou o cuidado com a alimentação e medicamentos. Como sou cozinheira, faço uma pizza em casa e evito de chamar o delivery também”, detalhou.
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ESCOLHAS
Saber destinar o dinheiro para atividades prioritárias que realmente surtam efeito na vida é a principal medida a ser tomada neste momento, de acordo com a educadora financeira Patrícia Godoy. Ela explica que essa mudança de comportamento vai auxiliar na hora de evitar o surgimento de novas dívidas no futuro. “O comportamento vai nesse viés, destinar o dinheiro para atividades essenciais, como alimentação, escola dos filhos e outros que surtam efeito. Não adianta contrair uma dívida e não saber se vai ter como continuar a pagar depois”, alertou.
Suzana de Macedo é uma dessas pessoas que diante da pandemia optou por ficar em casa e isso fez com que a economia de dinheiro fosse maior. Apesar da saudade de sair para fazer compras e ir a restaurantes, sobretudo sorveterias que disse ser seu ponto fraco, ela destacou que este momento é importante para ter maior responsabilidade com o dinheiro gasto. “Eu tenho ficado mais em casa, até mesmo porque o tempo não é o ideal para ficar saindo. Com isso, até que tem dado para economizar um dinheiro e usá-lo com responsabilidade, porque as consequências podem ser ruins para muitas pessoas. Você tem de saber que é preciso pagar suas contas e ter um planejamento para isso, porque ela pode acabar virando uma bola de neve”, comentou.
Outra dica importante para economizar passa pela mudança comportamental, segundo Patrícia Godoy. “É preciso saber quanto você ganha e quanto você gasta antes de pensar em montar um planejamento financeiro. Para ter um reequilíbrio precioso é preciso reunir a família e saber o que é essencial, deixando de lado aquilo que pode ser feito depois. Tudo isso prevê uma reorganização financeira que o brasileiro está aprendendo agora”, explicou.
Paulo de Macedo disse que, além de comprar apenas o necessário para sua casa, tem tomado cuidado com compras feitas a prazo, evitando deixá-las em atraso. “Eu tenho saído apenas para comprar o essencial. Sempre com cuidado para fazer compras que posso pagar, principalmente quando eu faço com cartão de crédito porque vira uma conta absurda, com juros altíssimos e não tem quem aguente. Eu não entendo esse negócio de gastos e cobranças muito bem, mas pelo menos a pandemia tem ensinado muitos brasileiros a economizar”, afirmou.
Pagar contas em dia e evitar aquelas onde os juros são grandes deve ser encarado como prioridade, segundo a educadora financeira. “A pessoa que percebe um risco na hora de economizar dinheiro precisa passar a limpo toda a vida financeira. Evitar dívidas com juros altos e, caso as possua, dar prioridade para o pagamento delas porque essa será uma forma de refazer seu equilíbrio financeiro”, ressaltou.
Patrícia Godoy finaliza dizendo que a pandemia pode ser uma forma da população aprender que não precisa de muito para alcançar a satisfação pessoal, evitando gastar dinheiro de forma desorganizada. “Que nesse momento de pandemia nós brasileiros possamos identificar que às vezes não precisamos de muito para ser feliz. O que a gente precisa é saber equilibrar a situação financeira para estar bem e feliz, sem depressão. E caso a gente esteja em situação financeira complicada, ter noção de que muitas das coisas que passamos na vida servem de aprendizado”, concluiu.
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