A descoberta da gestação. A expectativa pela adoção. As experiências vivenciadas pela primeira vez. A bênção de uma casa cheia. A emoção de acompanhar o surgimento de mais uma geração. O desafio de encarar tudo em dobro. As experiências que permeiam a missão de ser pai podem ser as mais variadas. Independentemente do estilo ou modo de vida, o que se tem em comum é, acima de tudo, o carinho sentido pelos filhos. Neste Dia dos Pais o DIÁRIO foi em busca de diferentes perfis de pais para ouvir sobre suas relações com os filhos e o que a vivência da paternidade acrescentou às suas vidas. Em meio a relatos emocionantes, um sentimento fala mais alto, o amor.
Foi no dia de seu aniversário que o empresário Alexandre Cezne, 33 anos, descobriu que seria pai. O anúncio especial foi planejado pela esposa Aryane Cezne, 29 anos, em uma sexta-feira. Na segunda-feira após o anúncio, o casal descobriu que esperava por gêmeos. “Foram duas notícias bombásticas em menos de três dias”, brinca o pai.
Desde que os pequenos Arthur e Isabela de Oliveira Cezne chegaram, há três anos, foram muitas as transformações vivenciadas. “A vida mudou muito. Eu tinha um objetivo profissional e depois de saber que eram gêmeos, tivemos que buscar a melhor forma possível de conduzir essa jornada”, lembra. “Eu trabalhava em uma empresa em que viajávamos por várias cidades, então eu decidi sair e voltamos para Belém para que pudéssemos ter um suporte da família. No antigo trabalho eu teria que ficar muito mais longe deles”.
Apesar do desafio que é ser pai de gêmeos, Alexandre lembra que a recompensa também é em dobro. “Muda a forma como você pensa a vida, as suas prioridades. Quando você se torna pai é uma mistura de preocupação e euforia, não consigo descrever”, conta, ao lembrar que já na primeira noite de contato com os filhos, na maternidade, teve que aprender a trocar as fraldas dos pequenos. “Com os filhos a gente passa a entender melhor o sentido e a construção do amor. É uma construção diária. É uma experiência que me dá muita motivação, todos os dias”.
ENCONTRO MARCADO POR DEUS
O desejo de vivenciar todas as experiências que envolvem a paternidade sempre esteve presente na vida do servidor público e analista de sistemas Jorgyvan Lima, 41 anos. Após o casamento com a servidora pública e advogada Cilene Lima, 36, o desejo ficou mais forte e a realização do sonho se concretizou através da adoção da pequena Maria Luiza Lima, de 15 meses. Em meio ao processo que lhe fez pai, Jorgyvan não tem dúvidas de que o momento de maior emoção foi o dia em que encontrou com a filha e a levou para casa. “Senti como se todo o tempo de espera e todas as tribulações vividas fossem justificadas pelos olhos dela. Como se nosso encontro tivesse sido marcado por Deus”, relata. “Apesar de não haver previsão - a espera pode durar 9, 12, 20 ou vários meses -, a emoção é a mesma, trata-se de encontro de pai e filho. E quando chega nos teus braços, quando é entregue o ser que vai transformar sua vida, não existe nada que segure a emoção, são anos de espera para aquele momento mágico no qual você se torna pai”.

Já em casa, em meio à rotina do dia a dia, Jorgyvan e a esposa acompanharam as transformações causadas pela chegada de um filho. “Muda tudo. A vida, o clima, a casa, especialmente a minha noção de mundo”, descreve. “Nunca imaginei que este sentimento de ser pai seria tão transformador, hoje não existe mais nada que eu faça que não seja em prol da felicidade e do bem-estar da minha estrelinha. A minha filha me deu a maior alegria e felicidade que já senti na vida. É um sentimento tão grande que nunca diminui, só aumenta”.
Além do grande amor sentido pela filha, o servidor público conta que a paternidade gerou transformações nele próprio. “Ser pai me fez sentir mais amado, mais sorridente, mais brincalhão, mais responsável, justamente em razão da existência dela na minha vida. Existe uma energia, uma alegria dentro de mim que me faz mais forte”, aponta. “Ser pai da minha estrelinha é algo maravilhoso. Estou realizado com a minha filha, com a minha esposa. Ser a figura de pai da minha família é importante demais para mim. Preencheu um espaço vazio”.
AMOR RENOVADO
Os momentos de lazer vivenciados ao lado dos filhos Daniela Crispino Pujadas, Luigi Crispino e Camila Crispino de Souza hoje são renovados com a presença dos netos Lorenzo Crispino Pujadas, Enrico Crispino Pujadas e Antonella Crispino de Souza. Tanto na infância dos filhos, quanto agora, na dos netos, o engenheiro de telecomunicações Luiz Crispino, 69 anos, sempre fez questão de passear pelas áreas verdes da cidade. Os momentos alegres são parte dos que mais marcaram a experiência da paternidade e que marcam também a vivência como avô. “Eu sempre tive vontade de ter filhos, sempre gostamos muito de criança. Fui pai pela primeira vez aos 28 anos de idade, quando estava razoavelmente estabelecido. Eu já atuava como engenheiro de telecomunicações e a minha esposa, Mara Crispino, fazia o último ano de medicina, então veio na hora certa”, lembra. “Hoje eu consigo comparar com o fato de ser avô e é algo completamente diferente”.

Quando os filhos ainda eram crianças, Luiz lembra que não dispunha de muito tempo já que trabalhava o dia inteiro. Por isso mesmo, os finais de semana eram todos dedicados às crianças, com passeios nas praças, no Museu Paraense Emílio Goeldi e no Bosque Rodrigues Alves, cinemas e teatros, férias de julho e feriados prolongados em Salinas. Já no momento atual, com os netos, ele tem disponibilidade total e mantém a tradição dos passeios. “Quando a gente tem os filhos ainda jovem, tem aquele sentimento ainda de ‘imortalidade’, não pensa em coisas ruins. Já como avô, que é maravilhoso, sempre tem a preocupação de não durar tanto tempo”, considera. “Eu aproveito muito o tempo com os netos. Eu sempre fui de frequentar as praças com os meus filhos e hoje acontece a mesma coisa com os meus netos”.
ROTINA DE CUIDADOS
As vivências da paternidade foram experimentadas pelo jornalista aposentado Guilherme Barra, 78 anos, por oito vezes ao longo da vida. No primeiro casamento, ele foi pai do Márcio, 47 anos, do Flávio, 45, e da Hilda, 40. Depois veio a Gabriela, 32 anos, e o Mateus, 21 anos, Yasmim, 20 anos, Antônio José, 18 anos e a caçula Maria Clara, 13 anos. “A vontade de ser pai surgiu naturalmente a partir do casamento. Eu já estava certo de que eu seria pai”.
Foi no segundo casamento, porém, que Guilherme se viu diante da necessidade de acrescentar mais uma função além da de pai. “No segundo casamento foram quatro filhos. Quando a minha segunda esposa faleceu, eles ainda eram pequenos. A mais nova tinha quatro anos e eu fiquei com a missão de cuidar deles sozinho. Virei ‘pãe’ e há nove anos essa tarefa tem sido minha”, conta. “Além de pai, gosto muito dessa função também de ‘mãe’, que não deixa de ser”.

Em meio à rotina de cuidados com os filhos mais novos, o jornalista sempre se manteve próximo dos filhos mais velhos. Hoje, a satisfação de vê-los encaminhados faz parte da missão da paternidade. “Os três do primeiro casamento, após a separação, ficaram com a mãe e sempre tivemos contato mesmo agora. Hoje é mais tranquilo, vendo que cada um já tomou o seu caminho. A preocupação é mais com a saúde deles, em saber como eles estão”, conta, ao lembrar que já tem duas netas. “Do segundo casamento, o Mateus e a Yasmim já estão na faculdade. Eu tenho muito orgulho, mas sinto também pela mãe deles não poder ver isso. Espero vê-los formar, o que ela não viu. Mas ela, até onde ela viveu, cumpriu muito bem a missão dela”.
DOIS PAIS E MUITO AMOR
Juntos há 24 anos, o professor George Antonio Nascimento Souza, 47 anos, e o funcionário público João Carlos Fonseca Martins, 52 anos, viram crescer, aos poucos, o desejo de se tornarem pais. Quando tiveram certeza da missão que decidiram abraçar, deram início ao processo de habilitação à adoção, logo após o casamento em 2013. De lá para cá, o casal precisou encarar um período que demandou paciência, mas que culminou na chegada do pequeno João Gabriel, de 4 anos, e no imenso amor que nasce junto com a paternidade. “Mudou tudo. A vida se transformou. O João Gabriel trouxe uma nova forma de ver o mundo. Trouxe uma completude que nos faltava”, conta George. “O JG é a melhor coisa que nos aconteceu”.

Durante o processo de adoção, os pais contam que precisaram aguardar por um período de quase um ano até que tudo estivesse concretizado. “Todo o processo de adoção foi cheio de dúvidas e incertezas. Tínhamos a guarda, mas o processo de adoção se arrastava há quase um ano”, lembram os pais. “O momento mais feliz foi o quando o juiz nos deu a adoção. Naquele dia nossa vida se completou com a certeza de que ninguém o tiraria mais de nós”.
Dentre os muitos momentos felizes já vivenciados, George não esquece o que sentiu quando viu o filho pela primeira vez. “Sentimos amor, só amor! Foi um reencontro. Aquele amor guardado e que, naquele momento, poderíamos dar a ele”, descreve. “Pai é amor, entrega, cansaço (risos) e a certeza de querer criar um filho com valores éticos e de justiça”.
A MELHOR EXPERIÊNCIA
O personal trainer e empresário Tony Vieira, 32 anos, vivencia a força do vínculo entre um pai e o seu filho há quatro meses, desde que o pequeno Davi Vieira veio ao mundo. Ele não tem dúvidas que esta tem sido a melhor experiência que já pode vivenciar. “Sempre me imaginei sendo pai de um menino, mas quando meu filho chegou, superou todas as minhas expectativas”, descreve. “Eu tive a oportunidade de ficar integralmente com ele nos três primeiros meses e poder participar de todos os momentos desses meses iniciais fez muita diferença no nosso vínculo de pai e filho”.

Tony lembra que, quando o Davi nasceu, o Estado vivenciava o período mais intenso da quarentena decretada em decorrência da pandemia do coronavírus. Foi quando ele e a esposa Natasha Vieira perceberam que precisariam redobrar os cuidados. “O Davi chegou na época que a quarentena foi decretada por causa da pandemia, ele nasceu no dia que as visitas foram proibidas na maternidade”, conta o pai. “Tudo que pensamos para o bem-estar do Davi teve o cuidado redobrado para que ele estivesse sempre em segurança. Hoje tudo é pensando nele!”.
Descobrindo, a cada dia, o que significa a experiência de ser pai, ele não esquece um dos momentos de maior emoção já vivenciados até hoje, o dia em que viu o filho pela primeira vez. “Foi impossível segurar as lágrimas assim que ele nasceu e também quando veio para o meu colo. Sem dúvidas o dia mais feliz da minha vida”, conta. “Ser pai é a melhor missão da minha vida. Quero estar presente em tudo da vida dele, ensinar valores, dividir frustrações e que ele veja em mim a figura de um pai super amigo e parceiro”.
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