Em julho deste ano, 72,4% das famílias paraenses estavam endividadas, o que representa um aumento significativo em relação ao mês de julho de 2019, cuja taxa foi de 55,6%. Os dados são do estudo realizado pela Fecomércio Pará, com base na Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor - PEIC (Fecomércio PA/ CNC). Do total de famílias, a pesquisa apontou que a maioria, 71,4%, contraiu dívidas com o cartão de crédito.
Outros 22,2% se endividaram com carnês; 10,2% com o crédito consignado; 9,5% contraíram dívidas em financiamentos de carros e 7,1% com financiamentos de casas. E para famílias com renda acima de 10 salários mínimos o endividamento subiu de 77% em junho 2020 para 83% em julho 2020, de acordo com o levantamento.
Em janeiro deste ano, o percentual de famílias endividadas era de 62,7%. Contudo, em junho esse dado saltou para 73,4%. Entre aqueles que possuem renda superior a 10 salários mínimos, o percentual era 60,2% em janeiro. A Fecomércio Pará avalia que o fato do endividamento ser maior na faixa acima de 10 salários mínimos se deve, em parte, por essa faixa ter mais facilidade e opções de crédito. “Esta alta pode indicar maior procura por crédito para financiar as condições de consumo ou para pagar as dívidas e despesas correntes, mediante os impactos da pandemia que têm afetado o desempenho das atividades econômicas e os reflexos sobre o emprego e renda dos consumidores”, diz o estudo da entidade.
MOTIVO
A pesquisa mostra que o principal motivo do endividamento das famílias é a utilização inadequada do cartão de crédito. Mas é possível sim fazer o uso dessa opção de crédito de forma controlada. Basta que o consumidor estabeleça um limite de valor de compras e controle os gastos para que a despesa não pese no orçamento mensal.
A vendedora Rafaela Vilhena, 29 anos, aderiu a essa prática há cerca de três anos, quando aprendeu a utilizar o único cartão de crédito que possui com equilíbrio. “Uso mais para fazer uma compra no supermercado ou alimentação quando saio no final de semana. Roupas e sapatos prefiro comprar à vista. Já fiquei endividada, principalmente quando comecei a trabalhar e queria tirar cartão. A gente não entende de nada e se endivida”, disse ela. “Hoje uso de forma controlada. Sei tudo o que vou pagar e o valor que posso gastar. Aprendi com meus erros”, acrescentou.
Quem também procura usar o cartão de forma consciente é a dona de casa Maria Lima, 49. A consumidora chegou a contrair uma dívida ano passado. Após esse episódio, ela passou a se policiar mais para não cair nessa armadilha. “Não compro mais que R$ 300 por mês. Já vou anotando no caderno tudo o que gasto. Geralmente, compro mais alimentação no cartão. Também nunca pago o mínimo (valor da fatura), porque as vezes a gente pensa que não vai atrasar, mas vai gerando juros”, observou.
Já o vendedor Raimundo Coutinho, 46, possui uma dívida no cartão de crédito há mais de cinco anos. Ele ainda não conseguiu pagar e teve de se desfazer do cartão. “Na época eram uns R$ 4.300. E hoje nem sei em quanto está, porque nunca mais mandaram proposta de renegociação. Não compro mais nada parcelado, só à vista”, afirmou.
DICAS
Não se enrole com o cartão de crédito
1) Antes de comprar, pesquise bastante os preços e veja se outras formas de pagamento podem ser mais vantajosas.
2) Ter uma lista de compras ajuda a controlar a vontade de sair comprando tudo no impulso.
3) Anotar em uma tabelinha o que gastou e as datas que comprou pode ser uma forma de não tomar aquele susto com a fatura.
4) Vai parcelar? Não se esqueça de incluir no orçamento dos meses seguintes. O valor também será reduzido do seu limite até o pagamento.
5) Está usando o cartão de crédito como complemento de renda? Na hora de pagar você pode acabar comprometendo outra despesa.
6) Pague sempre o valor total da fatura. Aconteceu uma emergência e vai ter que pagar só o mínimo ou rotativo? Cuidado para que não vire uma bola de neve.
7) Fique ligado no vencimento! Pagando em dia, você mantém o crédito e evita os juros e demais encargos financeiros.
8) Usou o limite todo? Conforme você for pagando as faturas, o crédito voltará ao normal.
9) Tem mais de um cartão? Cuidado redobrado para não se enrolar.
10) Se tiver que negociar a fatura, faça um planejamento colocando todas as contas no papel e estudando um valor de parcela. Assim você vai saber direitinho quanto pode comprometer do seu orçamento sem se enrolar novamente.
Fonte: Portal ‘Meu Bolso em Dia”
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