O pajé Pangra Kaiapó, 71 anos, morreu, na terça-feira (11), vítima de covid-19 em Redenção, sudeste paraense. O indígena, que era da Aldeia Krãnhãpari, se recusou a ser atendido em um hospital, mesmo com o agravamento dos sintomas da doença. O caso foi confirmado pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), nesta sexta-feira (14).
Através de nota, a Sesai, que é ligada ao Ministério da Saúde, informou que durante campanha de testagem (teste rápido) para COVID-19, realizada no dia 30 de julho pela Equipe Multidisciplinar de Saúde Indígena (EMSI), o pajé, apesar de ter testado negativo, apresentava sintomas condizentes com a COVID-19: tosse, febre, dor de garganta, coriza, fraqueza, cefaleia e mialgia. "Após o atendimento domiciliar, a equipe solicitou a remoção do indígena para uma unidade hospitalar, por meio de transporte aéreo. Com a chegada do transporte, o paciente recusou a remoção e assinou termo de responsabilidade. Entretanto, após negociação, foi acordada sua remoção, via terrestre, no dia 31 de julho. O DSEI deslocou um veículo para o transporte do paciente, porém, quando da chegada do veículo na aldeia, o paciente, novamente, se negou a ser removido", explica a nota.
A Sesai informou, ainda, que durante o período subsequente, um membro da EMSI, do Polo Base Redenção, residente da aldeia, acompanhou o estado de saúde do pajé, realizando o monitoramento diário do paciente. Na última terça-feira (11), quando o indígena apresentou piora em seu quadro clínico, a EMSI foi acionada por seus familiares e o paciente foi removido, por transporte aéreo, para Redenção para direcionamento ao centro de referência. Contudo, na chegada, mais uma vez, recusou o encaminhamento, e insistiu em ser levado para sua residência, localizada neste mesmo município. Após insistência da Equipe de Saúde, os familiares aceitaram a admissão do paciente na CASAI, onde foram realizados testes e feita a triagem, que confirmou o resultado positivo para o novo coronavírus. Todavia, pelo fato de a CASAI não fornecer suporte clínico suficiente para o tratamento de casos graves de COVID-19, e diante da recusa do indígena em ser transferido para o hospital, mesmo com a evolução de seu estado saúde, o pajé veio a falecer nesta mesma data. A declaração de óbito consta como causas da morte: parada cardiorrespiratória, pneumonia e COVID-19".
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