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ENTREVISTA

DIÁRIO: comunicação que segue para o futuro. “Nossa resposta foi o jornalismo sério”

Diretor-presidente do Grupo RBA, Jader Filho usa o conhecimento na gestão do DIÁRIO para acelerar a integração dos meios de comunicação em direção ao futuro

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Imagem ilustrativa da notícia DIÁRIO: comunicação que segue para o futuro. “Nossa resposta foi o jornalismo sério” camera Jader Flho é diretor-presidente do Grupo RBA. | Ricardo Amanajás

Não importa o meio, mas sim a qualidade da informação. Essa premissa básica do jornalismo de sucesso e de credibilidade é que norteia a linha editorial dos veículos de comunicação do Grupo RBA, comandados há 25 anos pelo empresário Jader Barbalho Filho, 44 anos, que defende a integração cada vez maior entre as plataformas como forma de fazer o jornalismo em nosso Estado.

Administrador formado na Universidade da Amazônia e pós-graduado em Administração Pública na Fundação Getúlio Vargas, Jader começou a trabalhar no jornal em 1994 ainda na gestão do seu avô, Laércio Barbalho, fundador do DIÁRIO DO PARÁ.

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Ele iniciou na área de circulação, na época um dos gargalos da publicação. Em seguida passou pelos setores gráfico, comercial, financeiro e até atuou na redação, onde passou a conhecer de perto como o jornal é feito cotidianamente até chegar à rua. Hoje é diretor-presidente do Grupo RBA, que é formado pelo jornal DIÁRIO DO PARÁ, RBATV, Portal Diário On Line (DOL) e as Rádios 99 FM, Rádio Clube e Diário FM.

Segundo ele, o DIÁRIO DO PARÁ chega aos seus 38 anos amadurecido e consolidado nas plataformas impressa e digital. “Isso ampliou muito a nossa audiência e a abrangência e a democratização da informação que é veiculada. Mas não adianta apenas ter tecnologia. A credibilidade é fundamental e ela nos levou ao patamar que estamos hoje junto ao público leitor e aos anunciantes. Nosso desafio é cada vez mais focar no nosso público local, nas notícias do Pará, com um olhar especial para as notícias do Brasil e do mundo e, acima de tudo, entender sempre o que o nosso leitor está querendo”, diz Jader, nesta entrevista.

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P Quais os principais desafios do jornalismo atual na era das mídias sociais? Como se reinventar e manter o interesse dos leitores em um jornal impresso?

R Precisamos entender, em primeiro lugar e acima de tudo, que os processos são complementares. Só assim você vai poder saber o que quer fazer, onde pretende chegar e de que forma vai levar a informação até o leitor, ao telespectador e ao ouvinte. As plataformas são diversas, mas ao final o que importa mesmo é a notícia com credibilidade. É óbvio que os meios digitais cresceram muito nos últimos anos, mas temos aqui no Pará muitos leitores que só consomem informação no meio impresso. Temos que entender a realidade do mercado e estar preparado para ela, sempre levando ao público bons textos, boas imagens e bons áudios. Ou seja, é o jornalismo de qualidade que irá determinar o seu sucesso, independente do meio.

P O crescimento do consumo de meios digitais, de alguma forma, modifica a forma do jornal contar histórias e fazer negócios?

R O mercado de anunciantes continua forte tanto no meio digital quanto no meio impresso. O que ocorreu foi uma espécie de compensação: se em algum momento perdemos anunciantes no meio impresso, essa perda foi fortemente compensada no meio digital. Esse processo de compensação ocorre a todo momento, mas ainda está se dando de maneira bastante lenta e isso mostra que o mercado de impressos ainda é muito forte e dá resultados publicitários. O meio digital mostrou a todo mundo que os mercados estão cada vez mais compartimentados e os veículos de comunicação terão que se adaptar a essa realidade se quiserem continuar existindo e crescer.

P Há 10 anos o DOL foi criado para ser o braço digital do DIÁRIO DO PARÁ. Hoje o portal cresceu e se transformou num veículo autônomo e independente, sendo o maior e mais acessado portal de notícias do Estado e da região Norte. Quais os próximos capítulos?

R Foi exatamente esse fenômeno que ocorreu. Criamos o portal para ser o Diário On Line, como o próprio nome já diz, mas o tempo passou, o portal cresceu demais e essa realidade mudou. O portal era para funcionar como uma extensão da notícia impressa, mas hoje se tornou uma grande ferramenta multimídia abrangendo todas as plataformas. Para você ter uma ideia dessas mudanças que vem ocorrendo, o meu celular tem uma câmera com resolução 4k. Muitas câmeras utilizadas em emissoras de televisão não possuem essa potência... Lá atrás, quando idealizamos o portal isso não existia e tivemos que abranger toda essa tecnologia para levar a informação cada vez mais completa e com melhor qualidade para o nosso leitor. E para nós, isso ocorreu de certa forma como algo natural, porque o DIÁRIO sempre foi um veículo de vanguarda, pioneiro na área de impressos aqui no nosso Estado desde a década de 1990 do século passado e o DOL só fez impulsionar ainda mais esse processo. Nunca tivemos medo de nos desafiar.

P Vivemos num contexto de radicalismo exacerbado hoje no Brasil, com constantes ataques por parte de setores extremistas da sociedade, que elegeram a Imprensa como um dos grandes vilões do país. Como lidar com essa realidade?

R Acho que esse tipo de situação deve ser enfrentado de frente, sem que percamos nossa essência... No nosso caso em questão, os veículos do Grupo RBA sempre mantiveram uma linha editorial séria e democrática, que nos fez chegar onde chegamos hoje, na liderança do mercado. Jamais nos intimidamos com qualquer tipo de ataque. Nossa resposta sempre foi o jornalismo sério. Não podemos nos intimidar mas, ao mesmo tempo, temos que entender esse momento que o Brasil vive hoje e saber responder à altura aos ataques injustos. O respeito é uma via de mão dupla e quando excessos são cometidos, caberá a Justiça dirimir. O importante é sempre manter a democracia como nosso Norte. Se eu te respeito e você me respeita, conseguimos conviver apesar de existirem pensamentos e posições antagônicas.

P As fake news são uma realidade no mundo hoje e tiveram influência decisiva em várias eleições pelo mundo. Daqui a poucos meses entraremos numa eleição municipal. De que forma você vê o papel da imprensa nesse contexto?

R Eu li um estudo recente baseado numa pesquisa feita pelo jornal Folha de São Paulo que explica o mecanismo de quem propaga fake news. Essas pessoas pegam ideias já enraizadas na mente das pessoas e reforçam ainda mais. Ou seja, quem promove fake news só impulsiona conceitos que já temos e os espalham em largas escala pelas redes sociais. Se eu acredito em determinada notícia que eu sei que não é verdade, eu preciso que alguém diga para mim que aquilo que eu acredito é verdade para reforçar a minha tese. Aqui não interessa a fonte, mas sim afirmar aquilo que eu quero ouvir. Os veículos de comunicação não existem para afirmar aquilo que as pessoas querem ouvir, mas sim para falar a verdade dos fatos. Ponto. E a sociedade precisa entender que mesmo que essas informações não sejam o que elas querem ouvir, elas são a verdade e são essas notícias que devem ser divulgadas. Precisamos começar a fazer um exercício básico: saber filtrar o que é verdade e o que é mentira e, a partir daí, fazer o um julgamento. E a família tem um papel fundamental nesse processo, porque as pessoas acreditam muito naquilo que seus parentes dizem. E se um pai, uma mãe, um tio ou um avô começam a propagar fake news, os demais membros da família também vão fazer porque acreditam que seus familiares têm credibilidade. É um desafio imenso que precisamos transpor.

P Você veio de uma família de políticos. Seu pai é senador, já governou o Estado por 2 vezes. Sua mãe é deputada federal. Seu irmão já foi ministro de Estado e agora governa o Pará. Agora você preside o maior partido do Estado. Como administrar o lado empresário e o lado político? Como separar o público e o privado e manter a credibilidade?

R Acima de tudo, encarando os desafios que nos apresentam com seriedade e honestidade e, acima de tudo, respeitando a autonomia que o jornalismo nos impõe. Até ano passado minha vida era empresarial, comandando e coordenando o Grupo RBA, mas tive muitos apelos vindos de vários lados para assumir esse desafio político, essa função de dirigente partidário e aceitei, principalmente porque esse ano será decisivo para o MDB na medida que teremos uma eleição municipal antes do final do ano. Antes, esse trabalho de articulação e organização partidária era feito pelo então candidato Helder Barbalho, que hoje é governador do Estado. Assim que encerrar essa eleição municipal, estão nos meus planos que eu possa retornar às minhas origens e me dedicar mais ao nosso grupo. É muito complexo ter que administrar o lado político, o empresarial e pessoal ao mesmo tempo, mas estamos encarando mais esse desafio da melhor forma possível. A experiência está sendo muito enriquecedora na medida em que visito muitos municípios, conheço muitas pessoas e o Estado por dentro, ao mesmo tempo que amplio meus horizontes e cresço como ser humano.

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