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Equipe do DIÁRIO fala sobre os desafios e soluções na cobertura da pandemia

Repórteres, fotógrafos e editores contam como foram os primeiros momentos da cobertura da pandemia e como a crise afetou o próprio trabalho no dia a dia. Momentos que ficarão para sempre na memória

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Imagem ilustrativa da notícia Equipe do DIÁRIO fala sobre os desafios e soluções na cobertura da pandemia camera Foi nas ruas de Belém que as histórias mais marcantes desse período foram surgindo, impactando o próprio jornalismo. | Ricardo Amanajás

Todos os jornalistas profissionais que trabalharam – e ainda estão trabalhando - na cobertura da pandemia de covid-19 têm, em cada texto, a oportunidade de escrever sobre um momento que entrou para a história da humanidade. Uma experiência que ficará marcada na história de uma categoria que mostrou a sua importância na divulgação de informações corretas e séries para que todos pudessem enfrentar o coronavírus.

A repórter Pryscila Soares lembra que não vai esquecer a experiência de ter acompanhado o primeiro caso da covid-19 no Pará. “De lá para cá tudo mudou”, cita. “Viver uma pandemia, com certeza, é algo para ficar na memória”, continua. “A cada matéria sobre a evolução da doença vinha junto um aperto no coração. Observar seus amigos e familiares passando por essa situação também. Foi e ainda é um período de incertezas, mas que estamos sobrevivendo com fé”,
acredita a repórter.

O repórter Tiago Furtado sempre comenta que o convívio das pautas externas apresentou reflexos no relacionamento familiar. “Foi um trabalho completamente difícil de se fazer. As mudanças parecem que foram rápidas demais”, descreve ao lembrar da sequência de acontecimentos que a covid-19 trazia – e ainda traz. “Foi muito angustiante ver e registrar, ainda nos meses de abril e maio, o colapso na saúde com casos do novo coronavírus aumentando consideravelmente e o desespero de profissionais de saúde que tentavam a todo custo absorver esta demanda em hospitais e pronto socorros”, ressalta. “Ver estas situações de perto, com relatos de pessoas perdendo familiares a todo momento, mexeu muito comigo. Cheguei até mesmo a ter uma crise de ansiedade”, conta ao lembrar de uma pauta em que estava na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Sacramenta, em meados de abril, e viu um paciente de covid-19 morrer por falta de atendimento.

Equipe do DIÁRIO fala sobre os desafios e soluções na cobertura da pandemia
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Não apenas as pautas mudaram, como a crise afetou o próprio trabalho no dia a dia. (Foto: Celso Rodrigues)

Os jornalistas profissionais também cobriram diversos casos de pessoas que conseguiram se recuperar da covid-19. Foram pautas que davam um ânimo para as equipes continuarem com suas missões. A repórter Michelle Daniel, por exemplo, se emocionou ao contar a história de uma idosa de 99 anos, moradora do bairro da Pratinha, em Belém, que venceu a covid-19. Ela fez esta reportagem junto com o repórter fotográfico Celso Rodrigues, que se alegra
ao lembrar da pauta.

“Tivemos todos os cuidados necessários para fazer essa reportagem, mas a mensagem que esta senhora nos deixou, depois da entrevista, eu vou levar para vida toda”, comenta Celso. “Ela, ali, naquele momento em que todos estávamos sensíveis, nos ensinou a ter esperanças e vontade de viver. Enquanto muitos temiam, ela se mostrou corajosa e determinada”,
destaca o fotojornalista.

A repórter Cintia Magno também demonstra emoção ter conseguido escrever a história de pessoas que se recuperaram da doença. “Não havia nada agendado e decidimos ir até a entrada do hospital de campanha para verificar se, de repente, conseguíamos conversar com algum familiar de paciente que estivesse prestes a ser liberado. Com sorte, naquele dia conseguimos acompanhar três altas. A emoção impressa no olhar de cada um dos recuperados, assim como a alegria dos familiares, me marcou muito. A sensação foi de esperança por dias melhores”, relembra.

Pelas lentes do drone e também da câmera, o repórter fotográfico Wagner Santana registrou cenas de uma Belém vazia. Foi durante o período de lockdown. Produziu imagens que transmitiam determinado silêncio e destacavam a beleza da arquitetura de determinadas praças e patrimônios históricos. Algo jamais imaginado por ele. “Ver o Ver-o-Peso, um local que por dia circulam milhares de pessoas, sem ninguém me causou espanto”, lembra. “E o que jamais vou esquecer foram as covas abertas por uma escavadeira no cemitério Parque Nazaré no Tapanã”, destaca.

Equipe do DIÁRIO fala sobre os desafios e soluções na cobertura da pandemia
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A comunicação teve que se adaptar durante o período da pandemia. (Foto: Ricardo Amanajás)

CULTURA

Repórter do caderno Você, Lais Azevedo, viu os espaços, as manifestações culturais e o trabalho de artistas se transformarem e se reinventarem com a pandemia de covid-19. “Como no mundo todo, a equipe acompanhou com imensa tristeza o fechamento de teatros, cinemas e outros espaços dedicados à arte e à cultura popular. Também relatamos como diversos projetos de artistas paraenses tiveram de ser suspensos, como a gravação de discos, a abertura de exposições, ou a impossibilidade de ir para a rua com projetos como o Circular Campina-Cidade Velha, que tomava o centro histórico de Belém aos domingos”, lembra.

“E depois vieram as lives, mostrando que arte e cultura são capazes de sobreviver a qualquer ambiente! Acompanhei on-line recital de poesia, ensaio fotográfico via facetime, exposições virtuais, videoclipes gravados em casa. Todos movimentos que buscavam manter o sustento financeiro de uma gigante cadeia de produtiva da cultura e ao mesmo tempo, alimentar a alma de quem estava isolado em casa”, pontua Laís.

A editora do caderno de Cultura, Esperança Bessa, cita, entre tantas coisas que podem ser lembradas, a experiência de fazer cobertura de eventos nacionais durante a pandemia. “Os artistas estavam muito mais disponíveis a nos atender. Enquanto imprensa do Norte do Brasil, geralmente eles nos recebem quando vem fazer algo na região, mas desta vez nos receberam para falar de algo que eles estavam fazendo na região deles e que todo mundo iria poder assistir pelas redes sociais”, comenta.

“O impresso afugentou nessa crise da pandemia qualquer fantasma sobre seu fim. Nunca a credibilidade dos jornais foi tão bem exaltada como agora. Somos fontes oficiais, sem soberba alguma, e isso nos obrigou a zerar as falhas na cobertura e nas reportagens que oferecemos aos leitores. É, sem dúvida, um aprendizado que está marcando as carreiras de muitos profissionais. Um divisor de águas na vida destes jornalistas, fotógrafos, produtores, editores, diagramadores, que viram também suas vidas virarem de cabeça para baixo. Nos reinventamos e renovamos nosso fôlego”, considera o diretor de redação do DIÁRIO DO PARÁ, Clayton Matos.

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