Os últimos casos de abuso sexual de menores noticiados nas últimas semanas têm deixado pais e mães apreensivos e com razão. Somente no período de janeiro a abril desse ano foram registrados 691 novos casos de violência contra crianças e adolescentes no Pará, como aponta o levantamento feito pela Fundação ParáPaz.
No início desse mês, noticiamos também o caso de uma criança de apenas 12 anos que ficou grávida e foi submetida a um aborto após sofrer abusos do tio; de uma menina, também da mesma idade, que morreu depois de ser violentada pelo próprio pai no Amazonas e de um pastor da Assembleia de Deus que estuprou uma criança de 9 anos.
Com tantas notícias sombrias e uma estatística alarmante, nunca foi tão importante estar atento à rotina de uma criança, mas especialmente estar preparado para identificar os menores dos detalhes que denunciem possíveis abusos sexuais.
Pensando nesses pais cada vez mais ansiosos e vigilantes, a odontopediatra Camila Rezende explicou, de forma simples, como é possível detectar indícios de abuso sexual em crianças através de lesões na boca. “Eu quis esclarecer aos meus pacientes que a detecção do abuso sexual pode ser feita também por lesões orais. A manifestação veio das mães que ficaram preocupadas com um caso de uma criança que tinha hematomas causados pelo sexo oral”, explica. “Elas [as mães] ficaram aliviadas por saberem que existem outras formas de detecção do ato”.

“Não são machucados. Trata-se de lesões características de papilomavírus humano, o mesmo vírus do HPV”, esclarece. Rezende garante ainda que mesmo uma pessoa leiga pode perceber qualquer alteração se bem orientada. “Podem ser manchas brancas na mucosa da bochecha da criança ou gengiva que não saem com fricção, como uma verruga com vários glóbulos pequenos, similar a uma couve flor”.
Ela ressalta, entretanto, que o histórico clínico do paciente leva à suspeita da doença, mas que a confirmação só é feita mediante biópsia, e que nem toda criança abusada sexualmente vai apresentar essas lesões na boca provocadas pelo vírus, uma vez que nem todo abusador o tem. Por outro lado, ainda é possível observar detalhes como hematomas. “Eles levam a crer que teve alguma coisa traumatizando o céu da boca. No caso, o pênis do abusador”, diz.
O próximo passo consiste na biópsia. “É um procedimento feito em um consultório. Basta colher um pedaço da lesão, armazenar em um recipiente específico e enviar ao laboratório. Caso a vítima queira passar por perícia, é só solicitar. Se houver suspeita, uma denúncia é feita ao Conselho Tutelar”, diz.
VEJA TAMBÉM:
Falta de orientação e proximidade de agressor com vítima dificulta denúncia
Polícia Civil realiza operações em proteção a crianças e adolescentes
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar