Passamos dos três milhões e meio de infectados e dos cem mil mortos em decorrência da Covid-19 em todo o Brasil e já é uma verdade amplamente disseminada que os ditos protocolos de segurança e/ou higiene, como o uso de máscaras, de álcool em gel e evitar aglomerações, ainda farão parte da rotina do cidadão por tempo indeterminado. Para a comunidade médica, a pandemia deixará, na verdade, um legado de hábitos e comportamentos que deverão ser permanentemente adotados no sentido de garantir que a humanidade não passe por novas tragédias na saúde como a atual.
Jamile Khaled, nutricionista e ‘personal diet’, conta que, sendo a obesidade caracterizada como um dos fatores de risco para o agravamento dos casos do novo Coronavírus, mesmo em pacientes jovens, houve uma corrida em busca de profissionais do ramo dela desde março, quando os primeiros casos apareceram no Pará. A nutricionista ressalta que o foco em uma vida saudável é válida em qualquer momento, independentemente de qualquer coisa. “A busca pelo emagrecimento cresceu vertiginosamente desde então. Ainda que estejam movidos mais pelo medo, as indicações do profissional da nutrição devem ser as mais assertivas possíveis, para além da redução do peso e do controle da obesidade. Mais importante mesmo é estar movido pela busca da qualidade de vida, e não por medo do vírus. Uma conduta dietética bem orientada, mais de acordo com a vida real, tem maiores porcentagens de adesão”, explica.
Há 15 anos trabalhando pautada na ciência e estudos produzidos por universidades nacionais e internacionais de peso e reconhecimento, Jamile rechaça dietas da moda, produtos veiculados em redes sociais e mesmo depoimentos patrocinados de figuras públicas sem embasamento científico. “Nada disso torna a consulta mais consistente e também não garante que as recomendações passadas funcionem”, alerta a nutricionista.
SINAL DE ALERTA
Assim como a Covid-19, outras doenças, no entendimento da profissional, merecem acender o alerta vermelho em toda a população - como é o caso do sarampo, por exemplo. E principalmente das autoridades competentes. “Necessitamos de um Ministério da Saúde muito bem alinhado, com pessoas devidamente habilitadas e proativas em cargos estratégicos, fazendo a estreita ponte entre virologia e estratégias em políticas de Saúde Pública. Se você conhece os caminhos de multiplicação do vírus e tem estratégias claras de contenção de todas as formas mais comuns de contágio, torna-se mais fácil lidar/controlar o número de pessoas infectadas/mortas”, justifica.
NOVA ONDA
Já a médica endocrinologista Cecília Coimbra atesta que a vigilância epidemiológica tem mostrado o quanto a população está sendo afetada com esta doença e que esses dados servem para programar medidas de orientação e prevenção de um novo surto. “Nos países de primeiro mundo, está havendo um aumento do número de casos, e isto está associado à sazonalidade daquela região. E nós, provavelmente, estaremos vivendo isso nos próximos meses. Então, precisamos ficar atentos para diminuir o número de infecção e óbitos”, orienta.
O vírus já modificou a vida das pessoas, então a médica recomenda pela aceitação de um novo estilo de vida, para que se possa, na medida do possível, conviver com uma pandemia que ainda não acabou. “É evitar o contato físico caloroso quando encontrarmos conhecidos, usar a máscara como parte integrante da nossa roupa, além da higienização mais frequente das mãos”, recomenda. “Entender que o nosso corpo é nosso maior tesouro, somar a essas práticas a alimentação adequada e a realização de atividade física regularmente são as melhores formas de evitar não só a transmissão, mas a possibilidade de manifestações clínicas graves em caso de infecção”, completa a endócrino.
Cecília aponta que aumentou, de um modo geral, a preocupação com a saúde e com o bem-estar, e que isso é um ganho muito importante. “Há uma reflexão do quanto estavam dedicando-se em ter boa qualidade de vida. Porém, o excesso de informação divulgado pelos canais de comunicação tem gerado ansiedade na população. Infelizmente, parte das notícias está associada a um conteúdo inadequado e sem comprovação de veracidade. Isto gerou uma avalanche de procura nas farmácias, havendo consumo abusivo de vitaminas em doses altas e até mesmo intoxicação. A avaliação clínica detalhada, com orientação individualizada de acordo com as suas necessidades, é o caminho ideal para a população”, reforça.
Conscientização coletiva ajuda a vencer o coronavírus
FAÇA SUA PARTE
Por estarmos lidando com um mal extremamente contagioso, a pediatra Marina Gabay concorda que os governos têm sua responsabilidade quando o assunto é impor medidas de controle que possam atenuar o quantitativo de contaminados e mortos. Porém, neste contexto, as condutas individuais devem se sobressair.
“Estamos passando por um período em que a união e a conscientização de cada um serão peças fundamentais para a mudança deste paradigma. O brasileiro precisa tratar deste assunto com máxima seriedade. A pandemia veio também para nos ensinar a importância de buscar um ressignificado, se reconstruir e, acima de tudo, valorizarmos o bem maior e todo ser humano: a nossa vida e a vida de quem amamos”, expõe.
As condutas profiláticas para minimizar o avanço das infecções virais como um todo, e não apenas do coronavírus, nascem de uma boa educação individual e preocupação constante com os hábitos de higiene. Dicas importantes envolvem a mudança de certos comportamentos, como ao espirrar ou tossir, não levar a mão ao rosto, pois a mão é um vetor direto na manipulação dos objetos, mas sim, espirrar ou tossir cobrindo o rosto com a porção interna dos braços. “Estamos em período de reeducação. Na pediatria em específico, que é minha especialidade, além de todas estas condutas já citadas, devemos criar uma rotina para a criança, a fim de estimulá-la a manter as suas atividades, visando o desenvolvimento e crescimento adequado, a interação lúdica, além de proporcionar um estreitamento nos laços familiares, que estimulam o desenvolvimento cognitivo e motor em um período de afastamento escolar”, indica.
Até mesmo para que os pacientes se sintam estimulados a seguir esses costumes que podem fazer a diferença, Marina estimula para que haja o acolhimento na hora de atendê-los. “Precisamos orientá-los e acolhê-los com suas angústias. Não devemos gerar pânico à sociedade. Em especial, com as ‘fake news’. Os últimos meses foram bem difíceis para a população, muitas famílias perderam entes queridos. Precisamos reorganizar nossos hábitos de vida e nos ressignificar como seres humanos”, aponta. “Já basta de alimentarmos quem se apodera da histeria social para ganhar foco. Precisamos enxergar quem nos procura como um ser humano, que possui medos, como nós, e ratificar que podem sempre contar conosco. Tempos difíceis trazem aprendizado e evolução”, conclui a pediatra.
Serviço
CUIDADOS QUE DEVEM PERMANECER
l Visitar os supermercados e feiras livres em horários alternativos
l Levar sacolas reutilizáveis
l Proceder a correta higiene de hortifrúti (vinagre, hipoclorito), ovos, bem como técnicas corretas de armazenamento deles em geladeira/freezer (embalagens especiais e estéreis, descarte de embalagens externas)
l Priorizar refeições em casa
Evitar compartilhar pratos, copos e talheres
l Sempre tomar banho antes de sentar à mesa
l Em restaurante, usar álcool em gel ou lavar as mãos na chegada e após se servir no buffet
HISTÓRIA
GRANDES TRAGÉDIAS QUE ABALARAM O MUNDO
l O terremoto mais intenso já cientificamente registrado ocorreu na cidade de Valdivia, no Chile, em 1960, e afetou boa parte do país, sendo conhecido como o Grande Sismo do Chile. Ao todo, mais de duas mil pessoas morreram e incontáveis prejuízos materiais foram registrados.
l Na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), 17 milhões de soldados e civis perderam a vida.
l Os números não são precisos, mas estima-se que de 70 milhões a 85 milhões de pessoas tenham morrido na guerra mais mortal da história moderna, a II Guerra Mundial (1939-1945).
l Durante os 20 anos da Guerra do Vietnã (1955-1975), morreram cerca de dois milhões de pessoas.
l Estima-se que 600 mil pessoas morreram durante os oito anos de duração da Guerra do Iraque (2003-2011).
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