Mesmo com escolas e algumas empresas e repartições mantendo aulas e trabalho remoto, é notório o crescimento no tráfego de veículos pelas ruas de Belém. De fato, a frota vem crescendo. Em março, início da pandemia no Pará, o número de carros e motocicletas emplacados e aptos a rodar no Pará era de 2.141.480, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Quatro meses depois, julho fechou com uma frota de 2.165.955, ou seja, 24 mil veículos a mais desse tipo em circulação no Estado.
O aumento é resultado, principalmente, do retorno nas vendas de veículos que, mesmo diante da crise econômica, reflexo da pandemia que afetou alguns setores, voltou a mostrar números mais positivos. Proprietário da Concessionária RR Chevrolet, o empresário Rui Lucas diz que passou por momentos difíceis durante a pandemia, mas que conseguiu se reerguer nos últimos meses.
“Para se ter uma ideia, enquanto em março deste ano, as vendas em Belém de carros e caminhonetes do setor chegou a 1.937 unidades, em abril, caíram para 984 e, em maio mais ainda, chegando a 594”. Em junho, as vendas começaram a sinalizar com uma melhora. “Nesse mês foram comercializadas em Belém 1.553 carros e caminhonetes e julho chegou com 2.030”.
REAÇÃO
O patamar do mês passado, apesar de ainda estar abaixo do mesmo período do ano passado, quando as vendas chegaram a 2.446 unidades, já demonstra uma reação significativa. “Foi um crescimento que realmente não esperávamos mesmo. Não achávamos que a economia iria reagir”.
A fase mais difícil, quando a queda nas vendas foi elevada, como em maio, levou muitas concessionárias a situações extremas. “No nosso caso, tivemos na empresa 30 desligamentos nesse período. Mas conseguimos voltar a contratar e já chegamos a 50. Muitos foram readmitidos e outros novos foram chamados”.
Apesar da melhora, ele explica que o setor deve levar um tempo para se recuperar completamente. “Quando a pandemia surgiu na China, já fomos alertados do impacto que isso teria para nós, já que 57% das peças utilizadas vêm desse país. Quando essa importação foi afetada, as montadoras ficaram fechadas por até 45 dias e até hoje não conseguimos nos recuperar dessa falta de peças. Tanto assim que temos casos em que a pessoa compra o carro e entra para uma fila de espera para aguardar a disponibilidade do veículo”.
O empresário afirma que, apesar do baque, a pandemia tem deixado lições. “A primeira é de que é preciso se reinventar e quebrar paradigmas para conseguir trabalhar de forma on-line. Esse período está sendo de um grande aprendizado para o setor”.
Movimento
Segundo quem trabalha no trânsito da cidade, o fluxo de veículos circulando tem se intensificado.
l “Nos meses iniciais da pandemia, abril e maio, houve uma diminuição, mas, desde junho tenho notado uma movimentação bem maior nas ruas, inclusive tenho visto até mais notícias de acidentes. Tudo isso mostra que realmente o número de veículos circulando está maior”, diz o taxista
José Oliveira.
l Para o taxista Nilson Douglas, o movimento de carros está maior. A explicação, diz ele, vai além do aumento da frota no Estado. “Assim que a pandemia do coronavírus chegou, muitos motoristas de aplicativos foram obrigados a devolver aqueles carros alugados de locadoras de veículos. Com a situação mais controlada, eles estão voltando e em número maior porque muita gente ficou desempregada e decidiu trabalhar como motorista de aplicativo”.
Retomada do setor
O Sindicato das Concessionárias e Distribuidoras de Veículos do Pará e Amapá (Sincodiv PA/AP) reitera os impactos causados pela pandemia no setor. “O mercado automotivo no âmbito nacional sofreu retração em todos os segmentos, tanto no de automóvel, como caminhão, ônibus, motocicletas ou implementos rodoviários. Se compararmos o acumulado até o mês de julho dos anos de 2019 e 2020, a retração nacional foi de 33,6%, enquanto que o Pará representou apenas 21% de redução no segmento geral”, diz a presidente do sindicato, Karina Denardin.
A paralisação de parte das indústrias que produzem veículos em determinado momento também causou receio. “Isso afetou sobretudo as vendas de showroom já que as fábricas suspenderam a produção de veículos na totalidade nos períodos de abril e maio. Agora está retornando com sua capacidade reduzida de produtividade em virtude das regras de distanciamento social”.
Por outro lado, ela destaca que em meio ao cenário da pandemia alguns segmentos também tiveram reflexo positivo. “O setor de caminhões contou com aumento de vendas de 8,47% em relação ao ano anterior. Outro aspecto favorável que considero importante ressaltar é a evolução nas plataformas digitais voltadas para vendas on-line”, analisa.
A presidente do Sincodiv-PA/AP afirma ainda não ser possível definir como o setor se comportará nos próximos meses. “Difícil mensurar números num momento instável como o que estamos vivendo, mas acredito sim nessa retomada do setor, sobretudo da nossa região que respondeu de maneira mais eficaz em relação ao cenário nacional. O segmento de caminhão, conforme já mencionei, na nossa região apresentou crescimento nesse período em função do agronegócio que está em alta”, avalia.
“Acredito numa retomada gradual, haja vista que o mercado automotivo atende todas as classes sociais, seja no transporte público, privado, alimentação, distribuição de insumos, prestadores de serviços, sobretudo nesse momento de distanciamento social em que determinadas categorias de serviços ganharam mais relevância”, diz.
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